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CONSTRUÇÃO – DÁ PRA SE ARRISCAR?

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Primeiro vale entender o porquê estou postando algo sobre o setor  que talvez seja o mais arriscado da bolsa, o de construção civil…real estate pros frescos.  

Estava de olho em algumas construturas para aumentar beta da carteira e ir para ativos de maior risco, a lógica era de que a redução da taxa de juros agora no dia 31/05 (próxima reunião do Copom) e a continuidade da melhora paulatina da economia poderia incentivar alguns agentes a se aventurar por esse arriscado setor.

São em geral empresas alavancadas (dívida alta) e que se beneficiam de queda de juros pelo lado da demanda de seus produtos….isso vocês já sabem…mas enfim.

Aí veio uma tal de delação da JBS que bagunçou tudo…por completo…na real afetou aquilo que considero o mais importante para termos uma melhora de demanda para o setor, que é o sentimento! Percepção pós “JBS Storm” é de que a economia deve patinar até termos alguma definição e um governo com governabilidade….logo o setor de construção deve ser o último que os investidores vão apostar agora….enfim

 

Mas pra não perder o post….vamos lá…..ahh no final respondo a pergunta do título….

 

Matéria do Valor fez um balanço interessante dos balanços que saíram nesse 1T17 das empresas do setor de construção.  Em geral os resultados foram piores que o já ruim 1T16. Receita líquida agregada caiu 16%, margem bruta piorou 1,8 p.p. e o prejuízo consolidado aumentou 40%!!

CONSTRUTORAS

 

Mas a média e o dado agregado escondem nuances importantes relativos a especificidade de cada empresa e teve um ponto que me chamou muita atenção:

 

As companhias lançaram e venderam mais no primeiro trimestre do que no mesmo período de 2016 e registraram queda nos distratos, considerando-se a parcela própria das incorporadoras nos empreendimentos.

Sem incluir JHSF, os lançamentos do setor cresceram 29% na comparação anual, para R$ 2,785 bilhões, e as vendas contratadas líquidas aumentaram 6,9%, para R$ 2,761 bilhões. Os distratos tiveram queda de 21,7%, para R$ 1,827 bilhão. As rescisões corresponderam a 40% das vendas brutas das incorporadoras, patamar abaixo dos 47,5% do primeiro trimestre do ano passado.

 

Essa queda nos distratos a meu ver é muito positiva! 

Na verdade existe a expectativa do setor de que a nova lei dos distratos saia em algum momento (agora com a “JBS Storm” deve ficar mais difícil, mas enfim).

Pra você que não sabe do que se trata, a matéria abaixo dá uma boa ideia:

Avanço de distratos de imóveis pressiona regulamentação do governo

E uma interessante comparabilidade com a realidade de outros países:

Como funcionam os distratos em outros países

Enfim trigger para os papeis do setor, mas algo que fica para um futuro próximo. 

 

Em relação aos resultados daqui para frente, pensando um horizonte mais curto (próximos meses), penso que receita e lucro  (prejuízos) tendem a seguir dado o fato dos volumes das obras ainda seguirem pequenos, os estoques seguem elevados e as empresas seguem tendo que revender as unidades distratadas com margens menores.

Mas a queda da taxa de juros aliada a alguma melhora econômica pode fazer com que no ano que vem o desempenho melhore. No entanto, a contabilidade do setor é meio diferente e a receita vai sendo considerada à medida que a construção avança, logo, dado que empresas seguem construindo menos, uma melhora consistente deve ficar só para 2019 mesmo. 

 

Portanto, para responder a pergunta inicial, penso que é preciso ter uma noção de horizonte de investimento do investidor. Para o curto prazo, acho que tem que ficar de fora mesmo; agora se tu tem paciência e mira o looongo prazo, aí sim dá pra comprar algumas ações do setor…casas renomadas montaram posições em ativos do setor como TCSA, GFSA, CYRE, entre outras, mas esses cara miram um horizonte de 5 anos! 

 

Fiz uma tabelinha resumo e é fácil dizer que:

  • EZTC, MRVE são as mlehores empresas…mais completas, com bons resultados, rentabilidade decente e dívida controlada..não a toa são as mais caras do setor
  • Tem algumas coisas que não dá pra se envolver…risco muito elevado para o investidor pf….só pra especular mesmo. São as endividadas RSID, PDGR, VIVR, GFSA
  • Aí tu tem umas coisas bem interessantes a meu ver…e que seriam as minhas preferidas no setor: TEND e DIRR.
  • E algumas que tem seus atrativos, mas também um ou outro ponto negativo que me deixam off. São elas: TCSA, EVEN, HBOR,

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