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TRADING IDEA – QUE TAL LAME4 X BOVA11 ??

Brasil, Empresas

Sempre olhando mercado, brocando, procurando aqui e alí…enfim…me chamou atenção essa operação. Pode ser feita sem colocar $ e não fica direcional em bolsa…dado esse cenário conturbado, qualquer compra “seca” me deixa receoso, sei lá.

Por que me parece interessante:

Técnico favorável. A forte queda com a delação JBS afetou o par fortemente fazendo com que o mesmo voltasse a banda inferior em um envelope de 2 desvios de uma média de 40 períodos. A correlação do par não é desprezível: 0,71. Penso que num patamar interessante abaixo dos 0,2400x  faça sentido fazer a operação objetivando o retorno a média no ratio de 0,2600x (retorno potencial de uns ~8%).

 

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Semelhantemente quando olhamos numa perspectiva de longo prazo (gráfico semanal desde 2014) vemos que o par sofreu e pode apresentar alguma recuperação técnica.

 

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Fundamento. As ações das Lojas Americanas vem sofrendo em bolsa por 3 motivos principais em meu entendimento: (i) rumores referentes a possibilidade de algum evento de M&A de difícil precificação (BR Distribuidora); (ii) aumento de capital e oferta de ações para capitalizar a B2W que segue sendo seu “calcanhar de aquiles”; (iii) resultados operacionais aquém das elevadas expectativas do mercado o esperado.

Pontos “i” e “ii” parecem ter ficado para trás. Quanto ao ponto “iii” acho importante ressaltar que LAME tradicionalmente entrega bons resultados, logo acredito que houve over expectations com seus números. Empresa está num período de forte expansão em linha com estratégia adotada em 2014 “85 anos em 5”. E tal plano obviamente encontrou um “muro” chamado economia brasileira que vem de mal a pior. Abertura agressiva de loja consome caixa e leva algum tempo para maturar, logo é factível supor que no curto prazo seus resultados não tenham todo esse brilho.

 

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Além disso, a empresa vem inovando com a primeira loja de conveniência sendo inaugurada no bairro do Leme, no Rio de Janeiro. A implementação deste novo formato vem permitindo a adoção de entrega just in time e otimização de processos operacionais.

 

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Apesar de não agradar o mercado o resultado do 1T17 a empresa apresentou um crescimento SSS (mesmas lojas) de 3,7% e Ebitda se expandindo em 6%. Não é uma maravilha, mas longe de ser ruim no cenário vivido. A aparente queda na geração de caixa observada abaixo decorre do efeito calendário da páscoa ter sido contabilizada em abril/17 ante em mar/16.

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Outro ponto interessante é que após a emissão de ações recente a empresa passa a operar com uma estrutura menos alavancada e consequente menores despesas financeiras o que colabora para seu resultado na última linha (gráfico abaixo da Plural mostra isso)

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Juros. Dia 30 e 31 ocorre a reunião do Copom e, apesar de toda confusão política a expectativa segue sendo majoritária de corte de 1 p.p.. Pesquisa recentemente feita pelo time macro da XP aponta isso (comento isso inclusive na Tônica da Semana):

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Não por acaso a curva de juros já vem corrigindo os excessos recentemente cometidos. Importante: entendo que 0,75 p.p. não seria positivo para o setor de varejo o qual a LAME se insere especialmente pelo seu veículo de e-commerce, a B2W. No entanto, penso que tal decisão afetaria a bolsa como um todo, logo me parece ser um risco comedido.

 

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2 comments

  • fala, Will, beleza?
    gostaria da tua opinião sobre setor automotivo: LEVE, TUPY, SHUL ou FRAS?
    a tupy parece estar bem fora do radar de análises, gostei do case.
    tem alguma ideia específica sobre alguma dessas aí?
    abração!

    • Opa…cara não conheço muito a SHUL. FRAS é uma boa, mas baixa liquidez deve ser considerada porque afasta o interesse de assets maiores…de resto não vejo nada de sensacional nela…é boa, mas penso que pode ter assimetria tão boa quanto e com mais liquidez em LEVE.
      TUPY é boa empresa, mas é um player bem internacionalizado, com uma participação relevante da sua operação na Am. do Norte, logo não é necessariamente um player de autopeças nacionais. Tem um bom yield, roda redondo, mas sem um controlee definido, dado que seus maiores sócios são fundos de pensão e/ou governo.
      LEVE eu sempre ouvi falar muito bem! Além de produzir produtos de maior valor agregado, até onde eu sei ela o faz muito bem. Não sei bem o porquê dessa queda recente, o que me deixa receoso que não saiba de algo…mas acho que seria uma papel para se apostar dentro desse setor.

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