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HIGHLIGHTS ECONÔMICOS: Aquela pulga atrás da orelha…

Brasil

Passados a interminável safra de balanços, cabe dar uma olhada em alguns dados e indicadores da economia pra ter noção da big picture….

 

RESULTADOS

Começando exatamente por uma visão geral dos números…

Foram bons e reforçaram a ideia de retomada…segundo o BTG em um universo de 160 empresas, houve crescimento de lucro de 154,5% ante o 3T16, com os lucros somando quase R$ 38 bilhões contra R$ 14,9 bilhões em 2016….obviamente que grande parte foi oriundo da queda da taxa de juros, a qual reduz o serviço da dívida pelas companhias. Estudo do economática também mostra essa redução de alavancagem:

dividas empresas 3t17 economatica

Vale lembrar que em 30/09/2017, o fechamento do trimestre, os juros estava em 8,25%…tivemos a redução agora em outubro e devemos ter outra agora no início de dezembro…então tudo indica que esse “vento” seguirá ajudando os resultados do 4T17 .

 

IMPOSTOS

Achei válido comentar aqui sobre a questão da reforma tributária…Esse governo anda cada vez mais sem capital político, mas ao menos segue tentando, o que é louvável. Li que o governo estuda fazer uma simplificação na reforma tributária. Em vez de criar um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para reunir tributos da União, estaduais e municipais em um só, o plano alternativo em estudo prevê apenas 2 tributos federais. Assim, a União arrecadaria da indústria apenas na saída do produto acabado e, do varejo, somente na venda ao consumidor final. O ICMS permaneceria, mas PIS, Cofins, IPI, Cide e ISS seriam eliminados. E tudo seria controlado por meio do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que integra as notas fiscais eletrônicas. Antes da produção, não haveria tributação para a indústria, mas o setor também deixaria de ter direito à compensação de créditos. Já a tributação do varejo seria partilhada com os municípios, para substituir o ISS.

Não é a reforma que gostaríamos…sim é verdade…mas é a que é possível! E mais que isso é um avanço pra esse nosso sistema caótico atual! A ideia é simplificar o atual sistema com a extinção de 10 tributos (IPI, IOF, CSLL, PIS, Cofins, salário-educação, Cide-Combustíveis, ICMS e ISS), que seriam substituídos pelo IVA e o Imposto Seletivo.

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Ainda sobre impostos, mas falando de outro tema, tenho sério receio de algum aumento ano que vem pra ajudar a fechar as contas…ainda mais com muitos estados com dificuldades por aí….vamos ver. 

 

VAREJO

Tivemos um dado que reforçou a recuperação do varejo agora em setembro….o gráfico fala por si só:

vendas no varejo set17

Crescimento de 6,4% nas vendas do varejo nacional ante setembro de 2016 e ante uma expectativa de crescimento de 5,2%. Ou seja, porrada!!

A recuperação é intensa e disseminada entre segmentos do setor. O resultado de hiper e supermercados (+6%) é a maior alta desde abril de 2014; o de artigos farmacêuticos e medicamentos (+8,3%) é a maior desde março de 2015; móveis e eletrodomésticos (+16,6%) é a maior desde março de 2012.

Segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE:

“Por essa base de comparação anual, a recuperação do setor fica evidente. Isso tem relação com a queda dos juros, inflação menor, melhora do mercado de trabalho, com melhora da massa de rendimento circulante na economia”, 

Mas engraçado que também tivemos uma certo balde de água fria quando saiu o dado da Cielo….na verdade o  Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostrou que o varejo segue em ritmo positivo e cresce 0,4% em outubro (série deflacionada)…é o 3º mês consecutivo de alta em relação ao mesmo período de 2016….Mas o gráfico não ficou muito “bonito” não é verdade? Meio pra baixo …rs

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Comentário do gerente da área de inteligência da Cielo Gabriel Mariotto:

“Desde julho o ritmo do varejo vem se mantendo estável e apresentando índices positivos, refletindo uma melhora visível em relação ao que vínhamos observando até o mês de junho deste ano”.

 

SERVIÇOS

Tivemos também dados do setor de serviços que não animaram….segundo o IBGE, o setor de serviços recuou 0,3% em setembro ante agosto, e apresentou uma queda de 3,2% na comparação anual, pior que a queda de 2,5% esperado por investidores. Com esses resultados, a taxa acumulada no ano ficou em -3,7% e, em 12 meses, -4,3%.

Pelo lado positivo tivemos:

  • Serviços prestados às famílias (5,9%) e Transportes,
  • serviços auxiliares dos transportes e correio (0,3%).

Os demais segmentos apresentaram taxas negativas:

  • Serviços de informação e comunicação (-1,8%);
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,2%)
  • Outros Serviços (-0,1%).

No que se refere aos resultados regionais, em relação a agosto, as maiores variações positivas de volume, foram registradas no Distrito Federal e Alagoas (ambas com 2,5%), Paraíba (0,8%) e Piauí (0,3%). As maiores variações negativas foram observadas no Tocantins (-4,0%), Rondônia (-3,2%) e Mato Grosso do Sul (-2,4%).

 

PRÉVIA DO PIB? 

E ainda tivemos o IBC-Br…aquele dado do Banco Central que meio que serve como uma prévia do PIB…. obviamente que um dado mensal é mais volátil e sensível a nuances muitas vezes passageiros. Mas ainda assim é uma proxy para termos uma noção de como vai nossa economia.

Esse é um dado um pouco mais atrasado…sobre agosto, mas ainda assim deve ser observado. A atividade econômica caiu 0,38% ante julho … resultado foi o mais fraco em cinco meses e pior que o esperado que era uma queda de 0,15%.  Na abertura houve queda na Indústria, Comércio e Serviços (-0,8%, -0,5% e -1% respectivamente).

ibc br ago17

 

CONCLUSÃO

Esse último dado, o IBC-Br possui certa defasagem logo pode ser relativizado…ainda mais que a confiança do consumidor seguiu para cima após o mês de agosto e, como vimos mais acima, as vendas do varejo em setembro foram fortes. Além disso, mesmo esse dado do IBC-Br, quando comparado com 2016, mostra um avanço de 1,64%. 

Mas confesso que fiquei com certa pulga atras da orelha…. penso que a super safra, o FGTS e a deflação de alimentos deram uma mão e tanto na atividade nesse ano. Mas o $ do FGTS acaba ou já acabou, e já podemos admitir alguma inflação daqui para frente (digo que, na margem, ela deve voltar a aparecer ainda que timidamente) … e aliado a isso a política começa a aparecer cada vez mais no horizonte. 

Sigo otimista mas tentando tirar qualquer pulga da orelha! 

 

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