Manchester United (MANU): Seria o futebol um grande teatro?

Lá Fora, Vídeos

“THIS IS MANCHESTER UNITED. THIS IS THE THEATRE OF DREAMS.”

SIR BOBBY CHARLTON

Cara gosto MTO de futebol…mto mesmo! E o que vou falar pode soar até como heresia para alguns. Confesso que até me chocou um pouco, mas sob o aspecto de business passou a fazer total sentido!

O Manchester United enquanto empresa não é uma empresa de futebol e sim de ENTRETENIMENTO!

Ele é um grande gerador de conteúdo! Tal qual NBA, NFL (mais comparáveis é verdade) mas também a Warner, ou mesmo a Disney. E por isso essa frase de Sir Bobby Charlton faz tanto sentido!

Disney? Pegou pesado hein Will! É muito mais que futebol…tem paixão! 

Sim eu sou desses puritanos que acredita nisso…mas deixo isso para o meu Grêmio…

Para quem tem preguiça de ler, aqui vai um pequeno resumo da empresa na minha visita ao Old Trafford em Manchester…

Para análise de business e investimentos temos que ser pragmáticos…então aqui está, se você não acredita em mim (super compreensível), veja que na apresentação institucional eles deixam isso claro: conteúdo é o rei..ou algo como conteúdo é que manda!

Mas conteúdo precisa ser monetizável e lucrativo para que você tenha sucesso no mercado de ações.

 

Como os diabos vermelhos ganham dinheiro.

Diferentemente daquilo que me lembro do Elifoot (jogo onde você é o manager do time) o Manchester não ganha dinheiro somente com venda de jogadores ou seus títulos. Na verdade os títulos são a forma de manter uma geração de conteúdo premium e de qualidade, afinal de contas uma final da Champions League tem audiência não é mesmo?

Então o Manchester United enquanto empresa atua em três setores: Comercial, Broadcasting e Matchday. Eles apresentam a seguinte divisão e importância em termos de receitas:

 

  • Comercial. Tudo aquilo que a empresa monetiza sua marca global por meio de 3 fluxos de receita: patrocínio; o varejo – tudo aquilo que é merchandising, vestuário e licenciamento de produtos; e o terceiro que são os dispositivos móveis e conteúdo. O segmento comercial é o principal e responde por 48% da receita.

Como principal linha de seu negócio, chama atenção o fato deste ter crescido quase 500% nos últimos 10 anos. Em 2006 essa linha respondia por 28% das receitas sendo o segmento menos relevante a época. De lá pra cá as coisas mudaram e com uma taxa de crescimento de 19% ao ano nos últimos 5 anos hoje eles faturam R$1,4 bi por ano com a venda de produtos ou por emprestar sua marca a outras empresas e negócios.

E como é importante ser global!

O Manchester percebeu isso na pele, ou melhor no bolso! Ao licenciar o uso de sua marca ele viu suas receitas de “Sponsorship” se expandir, mas também alavancou as vendas ao varejo com a marca Manchester United estampada numa vasta gama de produtos, eventos ou atividades. E isso também teve impacto no preço de ter seu nome estampado na camiseta vermelha…veja a evolução dos valores dos contratos de patrocínio do time:

E porque você acha que a Chevrolet aceitou pagar mais de R$ 250 milhões por ano para colocar seu nome na camiseta vermelha? Primeiro porque, atualmente, 85% da audiência da Premier League já é internacional! E isso tornou o Manchester global, com uma base de fans de 659 milhões de seguidores pelo mundo, sendo 325 milhões no cobiçado mercado asiático.

Não por acaso seu contrato com a Adidas no valor de R$390 milhões é bem superior ao do Real Madrid (R$180 MM) e Arsenal (R$150MM).

 

  • Broadcasting. São os contratos de TV e transmissão dos jogos que respondem por 33% da receita.

Nos últimos 8 anos o valor dos contratos da Premier Legue cresceram 200%, cerca de 15% ao ano domesticamente e 338% internacionalmente (20% aa), uma velocidade de crescimento superior a Champions League. Ou seja, o campeonato inglês se tornou cada vez mais assistido pelos ingleses e no mundo. Tudo aquilo que um gerador de conteúdo quer!

 

  • Matchday. A venda de ingressos propriamente ditas que respondem por 19% da receita.

Posso falar por experiência própria. Estou na Inglaterra e quem disse que consigo ir a alguma partida dos caras?! Eles tem 99% de estádio cheio desde a temporada de 1998 quando David Beckham ainda despontava como craque. São 220 mil sócios e um estádio com capacidade pra mais de 75 mil pessoas que fica sempre cheio e gera mais de R$560 milhões de receitas por ano.

 

Gols eles têm. Craques eles têm. Seguidores eles têm. E lucros? 

O Manchester United se mostrou muito hábil nos últimos anos tanto para ganhar títulos como para aproveitar o sucesso e crescimento do futebol inglês se tornando o time mais popular do país e expandindo suas fronteiras além da ilha.

Em termos de resultados suas receitas cresceram 13% ao ano nos últimos 5 anos e mesmo com os maiores gastos com salários, houve expansão das margens de geração operacional de caixa medido pelo Ebitda e apresentado abaixo. Margem Ebitda cresceu nos últimos anos ultrapassando a marca dos 30% e sendo 10p.p. superior a margem Ebitda dos top 7 teams da Premier League.

No entanto essa melhora não foi traduzida em lucros robustos e um fluxo de caixa livre que permitisse o pagamento de fortes dividendos por exemplo. Abaixo a evolução dos lucros por ação do Manchester de junho de 2014 para cá:

Não tira o brilho daquilo que o clube alcançou, mas com um baixo retorno sobro o patrimônio líquido (~8% na média nos últimos anos) explica o porquê suas ações tiveram performance inferior ao S&P de 2013 para cá.

Ainda assim, um retorno de mais de 70% nos últimos 5 anos não pode ser considerado ruim não é mesmo?

 

E daqui para frente? 

Meu objetivo com esse post não é dizer se tal ação é para comprar ou vender, mas explicar o case…sanar minha própria curiosidade com esse mundo de oportunidades que temos fora do Brasil. No caso do Manchester deixo aqui minha impressão muito positiva de tudo que li e vi, mas como negócio tenho alguns receios.

  • Bullish view

A elevada visibilidade de receitas é um trunfo e tanto para o negócio. Contratos de TV são renovados anualmente o que dão uma boa segurança para o ano seguinte. Os ingressos de seus jogos são quase em sua totalidade vendidos antes da temporada começar. Os contratos comerciais com Adidas, Chevrolet e a empresa de energia AON são de longa duração (3 a 5 anos) e independem de performance do time. Isso tudo ajuda a suavizar e reduzir o receio de que a ação esteja linkada a imprevisível performance do time.

Popularidade do futebol se assemelha somente aos jogos olímpicos e assegura certa demanda cativa ao negócio.

Forte presença em mídias sociais com o canal de Youtube de mais rápido crescimento entre os clubes esportivos.

Potencial de crescimento de receitas através do seu ecommerce e mobile (parcerias com empresas).

 

  • Bearish view: 

Apesar da diversificação suas receitas ainda são influenciadas pelo desempenho nada previsível do time.

Receios com o Brexit e como isso possa afetar a força da Libra Esterlina seguem sendo um ponto de preocupação.

Endividamento controlado (1x Dívida Líquida/Ebitda) mas que consome caixa e reduz potencial pagamento de dividendos.

Retorno sobre o patrimônio líquido e lucro ainda baixos.

 

Sigo com minha alma mais tricolor do que nunca (Grêmio)….mas tenho que tirar o chapéu para esses caras. Se suas ações não tiveram uma performance que possa se dizer exuberante isso é um mero detalhe… O fato é que o que eles fizeram e tem feito aqui merece ser estudado a fundo pelos nossos dirigentes no Brasil e pelos dirigentes de outros grandes clubes europeus. Aos que discordam disso deixo o recado de Romelu Lukako: 

 

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Era isso.

Aquele abs. 

 

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