NOVO NORDISK (NVO) – A GIGANTE FARMACÊUTICA DA DINAMARCA

Lá Fora, Vídeos

Mais de 27 milhões de pessoas espalhadas por 170 países usam os seus produtos. Ela tem escritórios em quase 80 países e 43 mil funcionários…mas não se assuste se você nunca ouviu falar nela, isso é um bom sinal!

Estou falando da empresa farmacêutica e Dinamarquesa dedicada ao tratamento da diabetes, a Novo Nordisk.

Apesar do desconhecimento de muitos a Novo Nodisk é a segunda maior empresa Dinamarquesa em termos de receita ficando atrás apenas da gigante marítima Maersk.   

ABAIXO O VÍDEO QUE GRAVEI EM COPENHAGEN NO CENTRO DE PESQUISAS DA EMPRESA.

Basics. A Novo Nordisk tem um valor de mercado de mais de US$ 100 bilhões (~R$400 bilhões valor esse superior a Petrobras e Banco do Brasil somadas) e suas ADR’s são negociadas sob o código NVO nos EUA cotadas a ~US$47/ação.

 

A Novo Nordisk. A empresa divide suas operações em 2 segmentos de negócios: diabetes e tratamento da obesidade; e biofármacos. O segmento de cuidados com diabetes e obesidade abrange insulina, GLP-1, outros produtos relacionados a proteínas, como glucagon, sistemas de entrega relacionados a proteínas e agulhas, e medicamentos antidiabéticos orais. O segmento de produtos biofarmacêuticos abrange as áreas de terapia de cuidados com hemofilia, terapia com hormônio de crescimento e terapia de reposição hormonal. Seus principais produtos são: NovoLog / NovoRapid; NovoLog Mix / NovoMix; Prandin / NovoNorm; NovoSeven; Norditropin e Vagifem.

No gráfico abaixo temos a divisão de receitas sendo 81% o segmento de Diabetes Care, 3% Obesidade, 9% Hemofilia, 6% Problemas de crescimento; 1% Outros – os valores em parênteses abaixo representam o crescimento frente ao 1º semestre de 2017. Obs: suas receitas no primeiro semestre de DKK 54,3 bilhões equivalem a R$ 32,5 bilhões).

Da para ver que grande parte de suas receitas dependem da insulina. Não por acaso hoje eles têm 36% de Market share de insulina nos EUA e 46% no mundo.

Em termos de disposição geográfica de suas receitas fica nítida que apenas seu escritório central fica na Dinamarca, o resto de suas operações estão bem diversificadas pelo mundo. A América do Norte e os EUA assumem posição de destaque sendo seu principal mercado respondendo por 50% das receitas, seguido da Europa com 20% – os valores abaixo da região e em parênteses representam o crescimento das receitas ante o 1º semestre de 2017.

Mas com 70% das receitas vindo de Europa e EUA a empresa busca agora crescimento, e para isso tem avançado muito além de suas fronteiras. Atualmente grande parte de seu crescimento de vendas – que no primeiro semestre de 2018 foi de 4% – veio da América Latina, China e a região AAMEO.

 

Um bom negócio? Uma boa empresa? A resposta para essas 2 perguntas poderia ser: não, um excelente negócio e uma excelente empresa! Estou dizendo isso porque quando olhamos métricas clássicas para medir sua eficiência e lucratividade vemos que estas são realmente altas. Empresa apresenta uma margem de lucro de 36% e um retorno sobre o patrimônio líquido de mais de 80%! A cada US$ 100,00 investidos pela companhia mais de US$ 80 viram lucro e a cada US$ 100 vendidos, US$ 36 se tornam lucro. Gráficos abaixo apresentam a evolução de margem bruta, operacional e líquida, além dos valores de retorno em diferentes métricas mais abaixo. Em suma, todos convergem para o exposto aqui, de um negócio mais lucrativo ano após ano.

E o interessante notar que isso veio sendo construído ao longo de anos de crescimento de lucros quase que constantes, melhores margens e, consequentemente rentabilidade. A figura abaixo mostra o salto do lucro que saiu de US$ 1 bilhão ao final de 2006 para mais de US$ 6 bilhões atualmente (~500% em 12 anos). Nos últimos 5 anos a empresa apresentou um crescimento médio de receita de 7% ao ano e de 9% em seus lucros.

 

E suas ações?  As ações refletem o desempenho da empresa simples assim! Olhando um prazo longo fica claro que a Novo Nordisk representa um case de sucesso, com suas ações tendo apresentado alta de mais de 1500% nos últimos 15 anos ante “apenas” 192% do S&P, reflexo da forte expansão de lucro comentada acima. Essa é uma daquelas ações que o cara que achou pode se sentir um felizardo!

No entanto, como é normal em diversos setores e, em especial, no setor farmacêutico, após anos de forte expansão a empresa atingiu certa maturidade e o crescimento foi reduzido – especialmente quando comparado ao crescimento dela mesmo em outros anos.

Suas ações refletiram isso.

Apesar de todos os esforços da empresa em entregar melhores margens, incrementar o pagamento de dividendos e realizar programas de recompras de ações, suas ações tiveram queda de 17% nos últimos 3 anos antes 37% de alta do S&P.

 

Dinâmica setorial. Vale aqui uma pausa para falar um pouco desse setor que muitas vezes é ingrato com certas empresas e ações. Como assim ingrato?

A Novo Nordisk não deixou de ser boa empresa do dia para noite, mas mesmo assim suas ações apresentam queda nos últimos anos. Isso tem muito a ver com a dinâmica desse setor. As empresas investem pesado durante anos para o desenvolvimento de novas drogas. Para se ter uma ideia leva em média de 10 a 15 anos entre pesquisa, desenvolvimento, aprovação por órgãos reguladores e comercialização de uma nova droga. Uma vez descoberta ou desenvolvida uma nova droga a empresa observa um forte crescimento com elevada rentabilidade por alguns anos; até que seus produtos passam a ser copiados e suas margens e crescimento se estabilizam.

Então, a menos que a empresa siga investindo no desenvolvimento de novos remédios, é possível que suas ações passem a repercutir essa “falta” ou menor crescimento. Isso explica esse desempenho menos pujante das ações da Novo Nordisk nos últimos anos.

 

Valuation. Não obstante, um menor crescimento prospectivo impacta no preço considerado justo para ação porque em geral os modelos de valuation (avaliação de valor justo da empresa) levam em conta a variável crescimento como parte importante da equação. Crescimento de lucros, fluxo de caixa ou dividendos..não importa a métrica o fato é que este é um componente importante. Atualmente suas ações negociam com múltiplos mais elevados que empresas comparáveis da sua indústria. A figura abaixo apresenta os múltiplos, bem como crescimento esperados de lucros das 10 maiores empresas de Biotecnologia negociadas nos EUA.

Em suma o que isso quer dizer é que dado a visibilidade atual acerca de seus resultados futuros, suas ações parecem estar bem precificadas comparativamente a outras empresas do setor.

 

Research, research e research! Para mudar isso não existe mágica. Esse é um setor intensivo em investimentos então não por acaso a empresa vem aumentando o investimento em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos. Em 2017 a empresa investiu mais de 12% da receita, algo como R$ 8,6 bilhões em pesquisas, desenvolvimento e testes. Todos os anos, 15.000 a 25.000 pacientes em mais de 50 países participam de algum teste clínico da empresa.

Com tamanhos desembolsos nos últimos anos, a empresa conta com um pipeline recheado de novidades e que podem gerar os retornos extraordinários de outrora. O quadro abaixo sintetiza isso nas diferentes fases as quais os remédios passam.

A dificuldade aqui é saber qual e se de fato esses novos medicamentos obterão o tão sonhado sucesso e retorno esperado/ desejado.

 

Características gerais. Para aqueles que pensam em investir no setor é importante ter em mente as características principais do setor:

Riscos:

  • Elevado componente de investimentos e consumo de caixa em pesquisa e desenvolvimento de novas drogas.
  • Forte regulação a qual pode barrar ou inviabilizar a comercialização de novas drogas e pesquisas.
  • Resultados binários dos investimentos em pesquisas e desenvolvimento.
  • Competição com remédios genéricos após o vencimento de patentes.
  • Dificuldade analítica do sucesso das drogas

Bullish view

  • Elevado nível de rentabilidade e lucratividade de operações (em geral).
  • Fluxo de caixa estável uma vez que as empresas consigam comercializar suas drogas.
  • Empresas contam com um forte poder de precificação de seus produtos. Em outras palavras, seu poder de barganha com clientes é bastante elevado.
  • Setor anticíclico que independe do desempenho econômico dos países em que vendem seus produtos.

Era isso.

Aquele Abs!

 

5 comments

  • Oi, Will , só para reforçar ,se possível , o pedido das fontes de informações das ações no exterior.
    Obrigado.

  • Fala Will, blz?

    Olhando os dados dessa empresa fiquei com uma dúvida:
    Ela de forma frequente apresenta ROEs altos(acima de 65%), conforme pode ser visto no morningstar e payout de uns 50%(em média). Sendo assim é esperado que uma empresa com esses dados tenha pelo menos triplicado o seu patrimônio líquido nos últimos 5 anos, só que quando olhamos o patrimonio líquido no marketwatch ele está praticamente estagnado no mesmo nível há vários anos. Sabe o que pode estar acontecendo
    https://www.marketwatch.com/investing/stock/nvo/financials/balance-sheet

    * obs: pensei que pudesse ser devido a retirada de ações em circulação, mas quando se olha ”Average Shares Outstanding ”, no morningstar, o número está quase semelhante ao de 5 anos atrás.
    Sabe o que pode estar acontecendo?

    • Então interessante isso. Mas se tu olhar o Fluxo de caixa dela vai ver. Ex: ela gerou 41 BI nas atividades; investiu quase 7BI líquido: sobram 34Bi; aí ela recomprou ações e pagou dividendos num montante de 36 BI, ou seja consumindo caixa….isso em 2017, mas nos outros anos também…então ela pagou dividendos e recomprou ações
      Ainda assim, se tu for ver o PL dela saiu de 40 bi em 2014 para 49 bi agora em 2017…então houve uma evolução neh.
      Olha o 5y growth desse average shares outstanding…vai ver que caiu…acho que explica.
      o que achas ?

Leave a Reply