CARTEIRA WILL – 20181112

Carteira do Will
CARTEIRA

Vamos lá única diferença aqui na carteira global é o fato de ter baixado uma grana do fundo pro caixa. A razão disso? Fraldas! kkkk . Na verdade não será usado especificamente para fraldas, mas vou mandar aqui para Inglaterra, pois vamos ficar por aqui até minha filha Mila (que completa 1 mês essa semana) esteja um pouquinho maior e capaz de aguentar um voo longo. Então preciso de algum $ aqui.

Pra quem não sabe eu trabalho e recebo no Brasil…então para evitar o descasamento, trago o que preciso para os próximos meses e reponho com as economias do salário….simples assim.

Mas tem muita coisa pra falar na parte de ações logo abaixo.

AÇÕES 

Tivemos resultados trimestrais que merecem ser comentados aqui. Então vamos a eles:

VULC3 – tão bom quanto sapato apertado…mas tem coisa boa no caminho  

Números não foram bons, não vou mentir, foi tipo sapato apertado…ninguém suporta! Em suma vendeu menos que o esperado e perdeu margens, simples assim. A justificativa me soa plausível: (i) greve dos caminhoneiros que aconteceu em maio acabou gerando resquícios e afetou principalmente o mês de julho; (ii) junto a isso os concorrente aplicaram descontos e liquidações e isso obviamente os pressionou a fazer também; (iii) para completar, a Argentina, principal destino das exportações, não via bem das pernas e isso não os ajudou. Isso explica o fraco desempenho do 3T18.

O que achei muito bom foi a evolução de calçados femininos – crescimento de volume de vendas de 15%. Esse é um tema importante para o case, pois a empresa vem despejando dinheiro para se transformar numa Melissa quem sabe? Azaléia ainda esta longe disso, mas importante monitorar, pois seria um divisor de águas caso de fato seus investimentos nos calçados femininos finalmente vire!

Outra coisa que me deixa moderadamente otimista é que as fábricas da empresa estão prontas para produção dos tênis da Under Armour, marcado para o 1T19. Under Armour é uma marca que cresce no Brasil é já é uma das 3 maiores marcas esportivas do mundo. A Vulcabras vai não só vender como desenvolver e fabricar os produtos da marca.

Enfim. Opto por mantê-la na carteira por ora e acredito num 4T melhor. Empresa roda a 10x lucro, com um ROE de 17% o que não é pouco, com caixa líquido…tudo muito bom, mas precisa entregar um pouco de resultados.

 

CARD3 – bad! 

Quem não acompanha a empresa pode ter se assustado, especialmente olhando a comparação anual (3T18 x 3T17)….pra quem não lembra ao fim de 2017 findou o contrato com o BMG para o processamento de cartões e o contact center. BMG era cliente importante e isso explica a forte queda na comparação anual. Então 2018 tem que ser entendido como um ano de recuperação e de busca pela manutenção da rentabilidade pós a perda desse importante cliente. E obviamente que a redução de custos e despesas não é tão instantânea quanto a perda do cliente e isso explica em parte a piora das margens. Mas SIM achei o resultado fraco mesmo levando em conta tudo isso…e talvez essa tenha sido a explicação para a porrada que suas ações tomaram essa semana.

O que eu vejo para frente:

(i) Novos contratos em andamento tendem a incrementar os lucros…o cartão pré-pago Banrisul Visa Vero, a ampliação do contrato com a Proto Seguro, os cartões Losango, entre outros. Ainda que não seja nenhuma porrada, colaboram para a recuperação de um patamar de lucro perdido com o encerramento do contrato com o BMG, tal qual a empresa já fez no passado…abaixo gráfico da Brasil Plural que mostra a evolução alcançada desde 2012, quando ela tinha perdido outro importante cliente.

(ii) Vejo a CARD3 negociando a 8x lucros, com um ROE na casa de 17%, e um P/VPA de 1,2ox. Sim falta trigger no curto prazo, mas ainda acho bem barata.

 

AGRO3 – campos verdes pela frente? 

Números muito bons influenciados pela venda da fazenda Jatobá que já tinha sido anunciada. Como parte do negócio da empresa é a venda de terras, quando ela executa isso as métricas de lucro explodem, pois ela contabiliza em um trimestre ou ano um evento importante que é parte da sua estratégia mas que possui pouca recorrência. Por isso AGRO3 está a menos de 4x lucros olhando os últimos 12 meses e com um ROE de 27%! Isso também propiciou um pagamento de dividendos com um yield de 5,3%. Mas mesmo desconsiderando a venda da fazenda seu números foram muito bons com crescimento forte da venda de grãos na comparação anual. Olhando para frente o que vejo de positivo:

(i) Avaliação das propriedades dela em R$ 1,320 bilhão. Dado uma dívida líquida de R$ 157 milhões, chegamos a um valor de R$ 1,163 bilhão que eu considero como um NAV da empresa….esse valor é algo como R$ 20,00/ação e representa um upside potencial de uns 37% pelo menos. Só para dar uma ideia a empresa calcula o NAV dela e chega em R$ 28/ação.

(ii) Perspectivas boas para safra com aumento da área plantada de 31% com o arrendamento de áreas já maduras…penso que além do bom crescimento o arrendamento de áreas maduras ajuda na maior geração de caixa no início e retira a dependência do amadurecimento da terra.

 

BRPR3 – sem grandes surpresas…os imóveis seguem imóveis, mas falta a ação se mover 

Resultado da BRPR foi bom, nada sensacional mas mostrando boa evolução de Receitas, Ebitda e lucro. Empresa segue em sua cruzada para redução de custos financeiros de dívida, a qual não é pequena. Sem grandes surpresas positivas ou negativas de seus resultados. Anyway a questão de BRPR a me ver são 2:

(i) um portfólio grande de bons imóveis comerciais (tripleA) que faz com que a empresa opere subavaliada em bolsa, algo que eu acredito que possa ser corrigido num prazo mais longo com a recuperação  da economia e do setor imobiliário…seus imóveis são avaliados em R$ 7,786 bilhões, com uma dívida líquida de R$ 2,5 bi, sobram ~R$ 5,2 bilhões, mais que R$ 12/ação….a qual está precificada em bolsa hoje a R$ 7,9…então vejo um bom espaço para correção;

(ii) junto a isso, tal recuperação da economia deve levar a redução das taxas de vacância de seus imóveis, outro fator crucial para suas ações … isso já tem ocorrido, mas ainda de forma muito lenta, precisa acelerar para isso impactar as ações(abaixo o gráfico da vacância).

 

E assim seguimos com a carteira:

 

#NOTBAD

Começamos o mês ok…não dá pra reclamar…notbad…as 2 entrantes indo bem por enquanto (ROMI3 e LEVE3). Acima comentei de AGRO3 e CARD3…seguimos por aqui…mês recém no começo.

Era isso.

Aquele abs.

16 comments

  • Fala Will, tudo bem? Primeiramente, parabéns pela filha!
    To seguindo seu conteudo há algum tempo e confesso que algumas vezes, por ignorancia técnica, não consigo compreender completamente suas análises.
    Você poderia sugerir livros/textos que pudessem ajudar nesse aprendizado?
    Comprei o “Valuation – Como precificar ações”, que você já havia citado, porém ainda não começei a lê-lo. Você tem alguma outra sugestão?
    Muito obrigado!

  • Bom dia mestre, realmente os resultados de vulc3 e card3 foram ruims mas acredito nas empresas, então só me resta comprar mais…como tu diz sem risco não tem retorno. Veremos! Abraços!!!

    • Para carteira #NOTBAD apenas comparo com o IBOV…você pode argumentar que teria que ajustar pelo risco, ou por usar empresas de menor capitalização, ou whatsoever…e estaria correto academicamente falando…mas pra mim o que vale é ganhar dinheiro e superar o benchmarking…por isso fico com a simplicidade.
      Na minha carteira física que inclui posição em ações lá fora + caixa + clubes+ fundo, eu teria que cotizar e isso dá um certo trabalho…por isso não divulgo performance…mas como graaande parte é a parte de ações, minha carteira anda com elas (ações).
      Forte abs

  • Olá
    Conheci seu blog hoje..
    Eu li “Carteira do Will: Avenue Securities” ai eu pensei qual é essa corretora. rs Ai buscando o seu nome achei seu blog. (Obs: isso foi no moneytimes).
    Vou começar a seguir sua carteira.

    Uma duvida. Carteira #Notbad é mensal mas você posta semanalmente sua carteira pessoal é isso?
    Digo pois a carteira #notbad você repassa o ganho mensal mas essas compras mensais não são computadas ne? Se eu for por exemplo seguir sua carteira, no caso toda venda possui IR para pagar, isso você tem algum post ensinando/mostrando?

    Mudando de assunto: A primeira pesquisa que eu fiz foi sobre “Avenue Securities”, e apareceu isso:

    “A Avenue Securities, nova empreitada de Roberto Lee, sócio-fundador das corretoras WinTrade e Clear, acaba de captar 7 milhões de dólares (cerca de 23 milhões de reais) em investimento. Por trás do aporte está a Vectis Partners, empresa de participações de Patrick Ogrady, ex-presidente da XP Gestão, Alexandre Aoude, ex-presidente do Deutsche Bank no Brasil e ex-vice-presidente do banco Pine, e Paulo Lemman, filho do empresário Jorge Paulo Lemman. A Avenue é uma corretora americana, com sede em Miami, mas foco em clientes da América Latina e Brasil.”

    Você faz parte dessa empresa? esse é o fundo que você vai comentar em um proximo video?

    Obrigado

    Nick

    • Que Legal Nick!
      Vamos lá..por partes.
      1) dif entre minha carteira pessoal e #notbad:
      https://youtu.be/ttJIX9jnldM

      Todos os ativos da #notbad eu assumi o compromisso de comprar e carregar na física de fato. Questão é que tenho outros ativos na física, por isso posto semanalmente.

      2) Não vendo e recompro todos os ativos mês a mês porque não faz sentido tributariamente falando. Apenas realizo as trocas da #notbad …sendo que eventualmente eu opto por manter um ou outro ativo mesmo com as trocas da #notbad

      3) a questão é que me propus a montar uma carteira somente com 5 ativos e percentuais definidos de 20% pra ficar simples..por isso a #notbad acaba sendo diferente da minha física ainda que muito similares.

      4) na Notbad não computo custos ou impostos.

      5) sim faço parte da Avenue. Sou Estrategista Chefe da empresa e nesse exato momento q escrevo isso estou em NY onde vamos fazer o lançamento da empresa. Acredito que em dezembro ela estará disponível para os clientes.

      Acho q era isso neh?
      Forte abs!

  • Oi will, tudo bem ??? Eu nunca olhei mais a fundo a brpr , mas após ler teu cmt aqui eu fiquei pensando uma coisa, ok, o preço que eles calculam pelos imóveis é bem maior que a cotação da ação hj no mercado… mas ela nunca deu lucro… não estaria a base acionária “pagando” muito alto essa dívida para comprar esse NAV ? Quando você imagina que ela comece a dar um retorno em lucro para os acionistas ? ou então , qual seria o trigger para a ação ter uma valorização na tua opinião ? parece muito barato fazendo o cálculo que vc fez ali em cima… mas não consegui me encorajar a comprar pensando nessas perguntas, as quais eu não consegui responder na minha cabeça… tem como me ajudar ?

    • Nunca tu foi meio forte neh….rs. Olha o histórico dela e vai ver q teve lucro ainda que pqno muitas vezes. Outra coisa é que ela já fez a venda de ativos e pagou dividendos e até restituição de k se não me falha a memória.
      Eu vejo ela quase como o negócio agrícola. Ela está sentada em cima de algo q pode se valorizar e enquanto isso aluga e gera um fluxo de caixa. Supondo que os imóveis se valorizam 10% ao ano e ela gera um ROE de 5% ou 6% nos aluguéis, estaríamos falando de um composto de 16%, concorda? Não é ruim.
      Mas entendo que muita gente no mercado não goste desse tipo de investimento.
      Trigger de valorização a meu ver seria a venda de imóvel mesmo ou o mercado imobiliário virar.
      Mas concorda q o desconto parece meio excessivo não?

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