FIBR3 – TEM FIBRA ESSA FIBRIA (UPDATE)

Bolsas, Brasil
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Promessa é dívida, então vamos lá..alguns updates em Fibria.

No médio prazo, trata-se de uma excelente empresa em nível operacional e que com seus novos projetos vem expandindo seus importantes diferenciais competitivos, os quais sustentam uma visão positiva para o médio prazo da companhia. Controlam muito bem todas etapas de produção e com essa verticalização conseguem tem vantagens de custo-caixa de produção que é difícil de ser batido. No entanto, no curto prazo penso que os drivers para o papel serão: dólar e o anúncio de fechamento de capacidade de produção de celulose, o que seria bom para preço de celulose. Logo essas quedas no dólar frente ao Real acabam pesando e sendo um limitante de maiores valorizações de suas ações.
Ainda assim, na minha opinião não faz sentido a empresa negociar abaixo de valor patrimonial (R$ 25,70)

 

Perspectiva para o 3T16. Management se mostrou confiante. Ressaltaram que a demanda retomou no mês de agosto e tiveram uma boa surpresa com volumes em setembro. Falaram que estoques no mundo não estão altos e isso favorece para sustentação ou até elevação de de preço da celulose.

 

Projeto de Três Lagoas. Recentemente a empresa ajustou novamente o orçamento do projeto de Três Lagoas (MS), reduzindo em US$ 200 MM (para US$ 2,3 BI), queda de 8%. Mas o mais interessante foi o anúncio de que mesmo com o corte de gastos, a capacidade de produção foi elevada em 11%, para 1,95 milhões de toneladas anuais. Ainda que parte dessa economia tenha vindo da queda do dólar, parte é pura eficiência do projeto. A diretoria da empresa enfatizou que o projeto está indo muito bem e inclusive antecipado em termos de cronograma. Ele deve começar a produzir no 4T17 e assim colaborar para redução de alavancagem da empresa.
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Alavancagem. Eles foram muito contundentes em afirmar que não veem necessidade de nenhuma nova emissão de ações e/ou dívida. Além disso, eles ressaltaram que não esperam nenhum rebaixamento de rating, no caso a possibilidade da empresa perder o investment grade. Seu pior cenário é o de que a empresa ultrapasse alguns covenants de dívida (atinja algo como 4,5x DL/Ebitda) de forma temporária e transitória no 3T17 que é quando espera ser o pico de sua alavancagem com os investimentos do projeto de Três Lagoas. Já no 4T17 o projeto passa a gerar caixa.

 

Valuation. CFO fez uma conta interessante para justificar que as ações de Fibria estão muito baratas. Projeto de 3 Lagoas tem um Valor Presente de US$ 1bi (conta de analistas segundo ele), empresa tem US$ 1bi de caixa e estima uma economia de madeira de US$ 700MM com a redução da distância média do suprimento de madeira para fábrica…logo somando isso chega-se a um valor de US$ 2,7 bi. Coincidentemente a Dívida da empresa é de US$ 3bi … logo essas coisas se neutralizariam, ou seja U$3bi de dívida e US$ 2,7 bi das economias e do NPV do novo projeto. Com isso, segundo ele, tu poderia desconsiderar a dívida para cálculo do EV; logo, considerando um market cap de US$3,8bi; e um Ebitda de US$1,2bi, chegamos a um EV/Ebitda de 3,2x que é extremamente baixo (menor múltiplo observado na série histórica é de 4x) e menor que a média de 7x. Ele também comentou que o atual preço da Fibria precifica um câmbio de R$ 3,00 e queda de mais de US$ 50/ton no preço da celulose. Em outras palavras ele quer dizer que suas açõe poderiam dobrar de preço. Acho bem exagerado, mas não vejo motivo para negociar abaixo de valor de patrimônio que hoje é R$ 25,70.

 

Mercado de Celulose. João Cordeiro da consultoria Poyry trouxe alguns estudos interessantes sobre o mercado de celulose. O principal driver para esse mercado tem mudado da Europa para China e temos a emergência de índia e Oriente Médio como importantes compradores. Nos próximos anos a expectativa é de aumento de 385MM de pessoas passando a viver em cidades na China e Índia. Isso eleva padrões de higiene, o que puxa demanda por papel tissue e com isso celulose. Ressaltaram muito isso, ou seja, que demanda não é problema! Além disso, a demanda para esse tipo de papel também favorece a substituição para fibra curta, o que é benéfico para o tipo de produto que a Fibria vende (fibra curta). Produção de celulose no mundo cresce, mas estaríamos no final de um ciclo de expansão que ocorreu pela abundância de capital e a florestas ainda disponíveis. Questão é que Am. Do Sul possui vantagens de custo difíceis de serem batidos…na China por exemplo existe deficiência de madeira. Outra questão é o fechamento de plantas menos eficiente, o que ajuda a balancear os preços e é positivo para Fibria.

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Planta de OKI na Indonésia. Este é o principal fator que estaria segurando preços de celulose em patamares muito baixos…entrada em operação de uma planta tão grande quanto Três Lagoas (2MM de capacity). Ressaltaram que ela vai atrasar e que não vem a toda capacidade até 2018. Logo preço pode melhorar mesmo com entrada em produção dessa planta.

 

Inovações. Me chamou atenção que a empresa vem investindo fortemente em inovações biotecnológicas. A mais comum é a de tornar os eucaliptos mais resistentes a pragas e condições climáticas, e desenvolver celuloses mais resistentes e que podem gerar maior valor agregado como o caso da EucaStrong (produto mais resistente, mais eficiente em custos). Eles estão encerrando a construção de uma planta (na unidade de Aracruz) para produção de EnsynRTP que é uma espécie de biocombustível o qual pode ser misturado com petróleo para a produção de gasolina! Mercado gigantesco e utilização de biomassa que sobra do seu processo produtivo. Prazo para isso sair do papel é 24 meses. Uso da Lignina para usos mais rentáveis; já é usado para geração de energia; intenção é viabilizar a utilização como substituto de resinas e parafinas em diferentes indústria. Nanocelulose: agregar valor a celulose vendida tornado-a mais “customizada” em termos de resistência e propriedades químicas.

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