Resultado Cielo(CIEL3) 1T19 – Seria este o fim?

Empresas
Tempo de leitura: 6 min
Resultado Cielo(CIEL3) – Seria este o fim?

 

Pelo título já dá para entender que sim, o resultado foi ruim. Mas não foi ruim, por que já esperávamos mais uma vez queda no Lucro ou no EBITDA. De fato, houve queda no Lucro Líquido Ajustado que ficou em R$ 548,5 milhões no 1T19, queda de 40,4% vs 1T18, com queda de 11% no LPA. Além disso, o EBITDA encerrou em R$ 820,7 milhões, baixa de 34% vs 1T18 e a Margem EBITDA teve queda de 15%. Abaixo um quadro para ilustrar melhor:

Fonte: Release Cielo 1T19

Entretanto, o que mais surpreendeu foi o aumento nas despesas de 22,4% ante o 1T18, segundo a companhia, em virtude dos investimentos em campanhas de marketing e da contratação de colaboradores para reforçar o time comercial.

Voltando no tempo….

Cielo entrou num limbo lá para meados de 2016, quando a concorrência começou a pisar com força nesse segmento de maquininhas de pagamentos. Foi em 2017, quando a UBS recomendou venda para surpresa do mercado. Já naquela época, começava a perder Market Share para a PagSeguro com a “moderninha” (do Mercado Livre), uma adquirente não tradicional na época. Desde lá a coisa só vem piorando, mesmo com a Cielo comprando a Stelo em 2018 para focar em microempresas, a concorrência não parou. A Stone veio com força, e em outubro de 2018 realizou seu IPO na Nasdaq, o que acabou pressionando ainda mais o segmento e consequentemente a Cielo.

Depois veio a Linx, com a Linx Pay, também querendo um espaço neste segmento. Além disso, existem a Rede e a Getnet (do Santander), que também atuam no mesmo segmento da Cielo. Isso sem falar em outros players que atuam de forma correlata ao setor como o Pic Pay. Ou seja, o setor explodiu de gente querendo também uma fatia desse mercado. A concorrência entrou em um novo modo, que chamamos hoje de “Guerra das Maquininhas”.

Quem vencerá essa guerra?

Mas todos sabemos que no fim do dia deverá ter um vencedor e quem será? Muitos players não entenderam, mas o negócio de credenciamento virou uma commodity e muitos ainda insistem em querer competir com base no preço. Todavia, alguns já começaram a entender que para começar a ganhar algumas batalhas, é necessário olhar para a necessidade do comerciante ou lojista, criar soluções, tentar facilitar a vida do mesmo. Não à toa, vimos essa manchete a poucos dias atrás:

Fonte: Valor Econômico

Bastou a rede fazer para outros virem atrás:

Fonte: Economia Uol

E não para por aí:

Fonte: Infomoney

Tudo isso tem (e vai continuar) beneficiado os lojistas e comerciantes. O segmento tem muito o que melhorar, ainda mais quando falamos sobre software e oferta de serviços. Se a Cielo não conseguir se adaptar rapidamente, vai continuar apresentando resultados cada vez piores (my opinion).

Veja o caso das Aquisições de Recebíveis Líquida (ARV), que foram vedetes em resultados passados. Pois bem, esses tiveram queda de 34,8% vs 1T18. ARV’s são uma forma de antecipar o dinheiro para o lojista, no caso de negócios que parcelam em 3x (90 dias), a antecipação permite que o lojista utilize os recursos de maneira imediata, sem necessário esperar o vencimento da data para receber. O fato dela ter caído, quer dizer que menos lojistas ou comerciantes anteciparam seus recebíveis e por isso a receita foi menor neste indicador para a Cielo.

O Volume Financeiro se manteve estável o que mostra que a companhia não vem conseguindo crescer de forma sustentável e de maneira recorrente o seu Volume Financeiro. Claramente impactado pelo aumento da concorrência.

Fonte: Release Cielo 1T19

No mais, Cielo anunciou uns dividendos bem bons, but who cares??

who cares family guy GIF

 

MEU OUTLOOK PARA A COMPANHIA

Segundo o Guidance divulgado pela companhia para 2019, esse ano deve continuar sendo um ano desafiador, com quedas nos Lucros e perdas de Market share. Projeta-se de Lucro Líquido, entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões para 2019, uma queda de 30% vs 2018, se considerarmos a faixa mínima. Esse Guidance sofre risco, uma vez que a concorrência segue mais firme e forte do que nunca!

Por mais que ela ainda seja líder no setor, a companhia vem perdendo Market share, encolhendo sua lucratividade e o ROE, sofrendo com uma concorrência que só tende a aumentar e uma guerra de preços que pode perdurar por um bom tempo. Vide o momento desafiador, Cielo se encontra negociando a esses múltiplos:

O que considero nada atraente, uma vez que ela se encontra em um momento delicado. Entretanto, se cair para R$5 ou R$ 6, a coisa parece mais interessante:

Mesmo assim, prefiro seguir de fora, tentando entender até aonde vai essa “Guerra de Preços” e o como isso pode impactar cada companhia.

 

Eu me chamo Breno Bonani e espero ter ajudado!

Twitter: @Breno_Bonani  Instagram: @bonani_ Linkedin: Breno Bonani

6 comments

  • Breno, parabéns pela análise.

    Se me permitir, gostaria de perguntar os seguintes aspectos:

    1. Qual sua opinião sobre a utilidade do Guidance? O lucro líquido reportado no 1T-19 sinaliza que a faixa mínima de 2,3k não será atingida (estou desconsiderando as peculiaridades de cada trimestre).

    2. Não entendo muito de tecnologia. Aquele sistema de usar o celular para pagar as contas (raro no Brasil, mas consolidado na gringolândia) vai afetar algo no negócio da Cielo?

    3. Estou sentindo um cheiro de OPA no ar. Depois daquele episódio da Multiplus e pelo fato da REDE ter picado a mula já faz algum tempo, não me sinto confortável com a empresa. Qual é a sua opinião?

    Um abraço

    • Leandro, eu que agradeço!

      Sobre a 1º pergunta, também acho complicado a companhia bater o guidance de R$ 2,3bi que eles projetaram, vejo até possivelmente uma revisão para baixo nos próximos trimestres do Guidance. A concorrência está pesando muito no setor e como eu disse, alguns players ainda estão focando na briga por preços. Além disso, esses movimentos dos concorrentes como a Rede que zerou a taxa para antecipação de recebíveis e o Safrapay indo atrás, só pressionam a companhia a tentar entregar uma reposta/resultado mais rápido. E obviamente quem se ferra são as adquirentes.

      2º pergunta, olha eu penso nisso que você falou também. Afeta, porém, Acho que no fim elas se adaptam, não vai ser no cartão de crédito mas vai ter que existir o intermediário que recebe e repassa para o lojista o dinheiro. Então, no fim vão ter que se adaptar também, aqui no Brasil já existe o Picpay e para mim é só o começo. Espero que elas sejam rápidas o suficiente para perceber a mudança também haha.

      3º pergunta, sobre uma possível OPA, acho muito cedo para julgar, posso estar errado mas acho que não aconteceria por agora. Isso desabaria ainda mais os papeis e jogaria o valor de mercado lá no chão (olha que já caiu 67%, Cielo já valeu R$ 65 bilhões, hoje está valendo R$ 21 bilhões).

      No mais, obrigado pelas perguntas! Qualquer coisa, só falar!

      Abs.

  • Olá Breno, parabéns pela excelente e útil análise.
    E com essa nova notícia anunciada pelo presidente do BC sobre lançamento de sistema de pagamentos espontâneos para 2020? Será a derrocada final da CIELO?
    valeu
    abraços

Leave a Reply