Suzano (SUZB3) – Um case pedra, papel ou tesoura?

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Tempo de leitura: 4 min

 

O intuito desse artigo é simplesmente elucidar o que vem acontecendo com a Suzano e até mesmo com outros players do setor. Acho que todos perceberam que os papeis da companhia tiveram uma queda considerável de mais de 10% em uma semana e no mês já acumula queda de mais de 16%.

Pedra

O que aconteceu? É o efeito Trump em cima das commodities? Não só o Trump. O preço do Pulp (celulose que é um dos principais produtos da companhia) vem caindo por conta de: (i) estoques altos nos principais mercados consumidores Asiático e na Europa – vide imagem abaixo; (ii) sim existe o receio com uma desaceleração econômica, em função da trade war, o que afetaria a demanda por embalagens.

Fonte: BTG – Chart 3 (Inventário de Pulp nos portos Chineses) e Chart 4 (estoques de Pulp nos portos Europeus).

Além disso, a demanda na China está se enfraquecendo, segundo a Fastmarkets RISI – Provedora Mundial de Análise de Mercado e Análise de Preços de Commodities (dentre elas, papel e celulose, madeira, embalagens, biomassa, tiessue e etc).

 

Papel

Dito isso, o preço da commoditie vem reagindo negativamente . Vejam a imagem:

Fonte: BTG – Preço da commodity na Europa (linha azul clara) e na China (linha azul escura)

Se as estimativas de algumas casas de analise tiverem correta – falam em preço de celulose entre $ 500-550/t – veríamos Suzano negociando com múltiplos de ~7x EBITDA (já contando com as sinergias da aquisição da Fibria). Longe de ser uma barganha e em linha com seu histórico.

O que pesa ainda mais na análise é o elevado endividamento. Ao preço de $550/t, eles veriam Suzano negociando a uma dívida líquida/EBITDA de 4,2x, um patamar alto…algo normal no setor, mas sempre um risco.

Considerando o cenário atual e a menos que tenhamos uma novidade em relação a trade war, devemos seguir vendo um cenário pressionado para celulose.

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Tesoura

Cerca de 4 meses depois da fusão que criava um monstro super potente e eficiente na produção de papel e celulose, cheio de sinergias para contabilizar, o mundo vira de cabeça para baixo. Isso é o mercadão minha gente! Deal with it.

O case não é ruim…longe disse! Porém, considerando tudo que foi dito anteriormente, e com receio do noticiário, pelo fato da “Trade War” ainda assombrar as commodities em geral, a demanda na China ter caído, os estoques nas máximas….com tudo isso, fica difícil de se entrar no papel no momento, na minha humilde opinião.

Esse é um case beeem correlacionado com o preço da celulose…a se observar melhora nela, deveremos ver o papel voltando…só não tenho a mínima ideia quando e se isso vai acontecer (sinceramente).

Um cenário bem pedra, papel ou tesoura? O que acham?

Sendo assim, vejo a Suzano negociando em 2019E com dólar na casa dos 4 reais com múltiplos que realmente não são tão atraentes:

 

Mas o fato é que 8x EV/EBITDA e 4,4x de DL/EBITDA, não fazem os olhos brilhar… Ainda mais quando esses múltiplos estão acima de pares internacionais:

Fonte: Credit Suisse

Sigo de fora, acompanhando de perto esse desfecho. Quem sabe em 2020 já não vemos uma melhora?

 

 

Era isso, valeu!

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One thought on “Suzano (SUZB3) – Um case pedra, papel ou tesoura?

  • Bom dia Bruno, beleza?
    Você sabe aonde eu consigo acompanhar a variação do preço da celulose? Procurei na Net mas não consegui achar.
    O cenário da Klabin seria bem correlacionado com Suzano, mesmo que ela tenha forte presença na fabricação de papéis?

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