4 Motivos pelos quais eu Comprei Magazine Luiza

Brasil, Empresas

A ideia aqui nesse espaço é escrever rotineiramente sobre os ativos que mais impactaram positivamente o retorno do Clube de Investimentos que tenho e cujo retorno foi mostrado aqui nesse post.

Analisar retornos passados é como um  jogador de futebol de excelência, o que ele fez de coisas boas passou e ele deve sempre olhar para frente procurando manter o mesmo nível, mesmo que muitas vezes isso é muito difícil.

Nos investimentos em ações é possível estudar as razões de compras bem sucedidas, procurando por padrões, replicando-as.

O case Magazine Luiza, foi um case raro, unindo turn around e crescimento, onde a Empresa saiu de vários semestres de prejuízos para lucros crescentes. Hoje, todos procuram por investimentos “Nova Magazine Luíza”, devido ao retorno de mais de 20.212% em 3 anos e meio.

 

4 motivos que comprei Magazine Luiza e como buscar sinais em outras ações:

1) Prejuízos diminuindo e reversão para lucro: as ações de Magazine Luiza atingiram o ponto mais baixo na sua cotação, em fevereiro de 2016. De fevereiro de 2016 até outubro de 2016, foram quase 700% em retorno na cotação da ação e isso, obviamente, chamou atenção de investidores em geral. Passamos a estudar o case, com paciência, procurando um bom momento de entrada, monitorando os resultados, eis que passamos a ler sobre o processo de transformação interno que estava acontecendo. Preço importa e é fundamental, porque é a partir dele que você terá seu retorno, seja Taxa Interna de Retorno (TIR) ou a métrica que você preferir. É menos provável perder dinheiro, se você pagar menos. Em primeiro lugar não podemos controlar o futuro dos preços mas podemos controlar o valor que pagamos. Isso que buscamos no case, após uma queda no fim de outubro de 2016, onde essa queda foi perto de 30%. Quando analisar o lucro, prestar atenção na tendência histórica e no percentual do lucro líquido. Buffett menciona em 7 anos, como um período para análise dos lucros de uma empresa.

 

2) Estrutura de capital e a dívida: estar atento à dívida é importantíssmo e mostra o quão saudável está a companhia. Em investimentos não existem certezas mas probabilidades. Até ter dívida pode ser saudável em certos momentos, usando alavancagem de maneira responsável. Por responsável, entende-se uma geração de caixa que pague essa alavancagem e juros financeiros justos. Analisando de maneira macro, em momentos de quedas de juros, como é o momento atual do Brasil, empresas alavancadas tendem a ter melhores retornos, já que pode ocorrer uma diminuição no custo da dívida. No caso de Magazine Luiza, notamos uma diminuição gradual da dívida total, passando para um caixa, não possuindo dívidas.

 

3) Indicadores de rentabilidade: analisar o fluxo de caixa, não é apenas olhar Ebitda, mas verificar outros fluxos também e como empresa transforma o que vende em grana no bolso. No caso de Magazine Luiza, o Ebitda mostrou-se crescente ao longo do tempo, assim como Retorno Sobre o Patrimônio que era negativo e manteve-se acima dos 20% desde 2017, o que é um bom percentual. O Retorno sobre o Capital investido foi outro indicador que estava aumentando e que serviu como auxílio na tomada de decisão.

 

4) ITR e mudanças internas na Companhia: ler o ITR sobre as informações trimestrais, além da aprentação de resultados é algo que acrescenta e muito na tomada de decisão. Investir é difícil, menos de 20% dos investidores profissionais conseguem ter retorno acima do mercado, no decorrer do tempo.No caso de Magazine Luiza, ocorreu a entrada de “sangue jovem” na Empresa, onde Frederico Trajano, passou a assumir a Empresa. Em época de disrupção e modelos de bancos digitais, negociados a mais de 100x, 45x lucros, apenas por ter a palavra digital na proposta de objetivo de empresa, a Magazine Luiza, fez isso muito bem no varejo. Magalu App e multicanalidade; Luiza Labs, com o uso efetivo de Bigdata; Lu Bot e ganho de eficiência, com a melhoria de experiência, foram alguns das mudanças implementadas. A última foi a parceria com o Carrefour para vendas por parte da Magazine Luiza, em 2 lojas, de produtos. Quem iria imaginar que uma concorrente abriria as portas para testes, em seus domínios.

 

Gráfico de Magazine Luiza e o ponto que entramos no case, com uma posição considerável
E hoje, o que fiz com Magazine Luiza?

Acabamos optando por vender as ações em R$ 172, com um lucro alto desde as primeiras compras. Achamos que, hoje, apesar de toda a qualidade da Empresa, os patamares de negociação já embutem uma exigência de crescimento muito alta e preferimos olhar de fora, colocando o lucro no bolso, eis que o ativo já não tem a margem de segurança que gostamos.

 

Um grande abraço!

Eliseu Manica Junior

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6 comments

  • Oi, Eliseu . Parabéns pelo post . Excelente análise . Uma pergunta: qual a fonte das tabelas com os indicadores ?
    Abs

  • Andre, primeiro obrigado pelo comentário! Isso me motiva a escrever mais! Tenho acesso ao Economática, um sistema que tem muitos dados com um custo ao redor de R$ 2.300-R$ 3000 por mês. Abraços

    • Olá bruno! obrigado pela mensagem! Mantenho, mas acabei reduzindo exposição. Quero ver esse segundo trimestre, aumentou dívida, resultado deve vir maior, mas parte estava no preço das vendas que fiz. Seguem comentários referente aos resultados:

      PRIO- pepita que tenho desde os R$ 2,60. Fechamento de aquisição de Frade em 25-03-19. FRADE: estimativa de lifting cost em US$ 24 podendo reduzir a US$ 18 até final do ano. POLVO: lifting cost de US$ 30,9BBL, era US$ 44,2 no 1tri18, redução atribuída ao volume +55%.

      balanço complicado de se ler, mudança do IFRS16, alterou arrendamento mercantil e empresas principalmente ligadas ao setor de aviação e setor petrolífero. Com a mudança, PRIO aumentou ativos em R$ 1,184M e passivos em R$ 1,152M, com redução de R$ 15,6M no 1tri19.

      POLVO: extensão para 2025 reservas 1P; 2028 reservas2P; 2032, reservas 3P. 4 perfurações previstas em 2019, custo entre US$ 30 e US$ 60M e estimativas produção de 2k barris por dia, por poço.

      PRIO teve despesas de hedge contra o risco de queda de petróleo. Fez hedge de 500 mil barris com preço em US$ 70,00 e 1M de barris com preço emUS$ 69,00. PONTO POSITIVO: 3 offtakes que darão à PRIO, 2MM de barris vendidos no 2tri.

      PONTO NEGATIVO: fizeram antecipação de recebíveis de US$ 25,7M para capital de giro, algo pontual. Tenho o ativo desde os R$2,60, não gostei do balanço, acho que mercado está comprando o futuro da Empresa.

      abraços

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