CARTEIRA #NOTBAD – SETEMBRO 2019

Carteira do Will
Tempo de leitura: 8 min

Para quem não conhece ou sabe, a carteira #Notbad é uma carteira teórica que posto sempre no primeiro dia útil do mês, comentando as performances e eventuais trocas. A ideia é mostrar que é simples investir em ações e com um portfólio de 5 ativos (20% em cada um) você pode se expor com um risco ok e qualidade. Para fins de computo de performance uso os preços de fechamento ainda que eu saiba que na vida real não é tão simples assim e os nossos preços de compra e venda sejam diferentes.

Para não ficar somente na teoria, eu compro todos os ativos que nela constam! Esse é meu compromisso com quem me segue! 

 

PERFORMANCE

Esse não foi um mês bom para bolsa, mas muito pior para a carteira #Notbad que apresentou queda de 3% ante 0,66% do Ibov.

Quando olhamos em termos de consistência eu diria que nem foi tão mal assim, com 3 ativos superando o benchmark (ENBR3, SHUL4 e TIMP3)…a queda de SLCE3 não chega a machucar…

Agora FESA4 realmente destruiu qualquer aspiração dessa carteira nesse mês. Empresa reportou um resultado que me surpreendeu pela ponta negativa (comentei aqui) , com bastante impacto do câmbio sobre seus custos aliado a volumes fracos em função do cenário setorial.

Uma carteira com 5 ativos não pode se dar ao luxo de ter um papel caindo mais de 20% … estraga a performance … não tem jeito. Meses como o de agosto servem para reforçar o que sempre escrevo aqui: “eu sempre posso estar errado”. Em 27 meses de carteira essa foi a sétima vez que ela perdeu para o Ibov.

 

NÚMEROS
  • Desde o início a carteira acumula 256,6% contra 60% do IBOV!
  • Performance de 12 meses: 68% contra 28% do IBOV!
  • Em 2019: 37% contra 15% do Ibov!
  • Até aqui foram 27 meses de existência, com a carteira batendo o IBOV em 20 meses, ou seja, 74% dos meses.

CARTEIRA PARA SETEMBRO

Começamos o mês da mesma forma que terminamos agosto, envolto no ping pong de declarações entre EUA e China, ora com uma retórica mais áspera, ora num tom amigável … e o mercado deve seguir flutuando em cima disso. No Brasil também temos decisão de juros e espero ver avanço na reforma tributária e privatizações.  De forma geral esse seria o panorama macro do mês.

 

Saídas: 

  • Admito aqui o erro em Ferbasa (FESA4). Segue sendo uma boa empresa, mas cenário para ela não está bom. Preços dos produtos apontam queda para o 3T19. Câmbio que poderia ajudar acaba pressionando os custos. Dói realizar o prejuízo, mas na falta de perspectivas qual a justificativa de manter o papel em carteira? Prefiro sair. FESA4 entrou na carteira em 30/11/2018 a um preço de R$ 21,77 (ajustado pelos proventos pagos); sai a R$ 17,65 uma queda de 19% desde então. Sorry, my bad…mas como eu digo: eu sempre posso estar errado.

 

  • Optei também por tirar Energias do Brasil (ENBR3) que entrou na carteira em julho a R$ 18,90 e sai agora, 2 meses depois a R$ 20,10, uma alta de 6,4%. O retorno parece pouco, mas pensando em termos de CDI (6% ao ano) e mesmo comparando com o IBOV eu diria que não – Ibov ficou parado nesse período (+0,2%). Papel tem potencial e eu sigo gostando dela…apenas enxergo maior potencial nos ativos adicionados.

 

Entradas:

  • Bradespar (BRAP3). Bradespar é uma holding que tem apenas um investimento: ações da VALE. Logo se expor a ela é o mesmo que comprar ações da Vale. Entendo que a trade war e todos os receios com uma desaceleração mundial exerçam pressão sobre os preços do minério e isso seja ruim para Vale.  Preços de minério já corrigiram 35% desde a máxima. Existe espaço para mais quedas? Sempre há, mas penso que já houve uma boa correção. Fora isso como produtor de baixo custo, mesmo o patamar atual de preços de minério US$ 80/ton remunera muito bem as operações da Vale. Outro ponto é o fato do seu principal produto ser dolarizado o que ajuda a compensar as quedas no preço da commoditie. Vejo Vale negociando a múltiplos bastante baixos – 4,5x EV/Ebitda e algo como 10% de FCF to yield. Bradespar por sua vez possui um desconto sobre o valor de seus ativos reais (no caso Vale) de cerca de 26%, ante a média histórica de 20%…não é muito, mas entendo que pode se reduzir. Ação negocia abaixo do valor de patrimônio (0,95x) o que não vejo razão para ser. As discussões societárias com a Litel podem pressionar a ação no curto prazo, mas entendo que não devemos ter nenhuma resolução no curto prazo e ainda aposto que a Bradespar se sai vitoriosa dessa. Queda recente (1 mês e meio) de 13% a meu ver abriu uma excelente oportunidade de comprar o ativo.

 

  • Banco do Brasil (BBAS3). Quem acompanha o blog sabe que eu já vinha comprando ações do banco na minha Carteira Will (comentei dia 26/08). Mercado é feito de oportunidades. Quedas exageradas geram assimetrias interessantes que merecem ser aproveitadas. É o caso de BBAS3 a meu ver. Apesar da alta recente de 5% sigo vendo a ação bastante atrativa nesses níveis. Replico aqui o comentário feito.

Performance relativa das ações do banco contra o Ibovespa (verde) e o setor financeiros (azul) me pareceu exagerada – vide gráfico abaixo. Penso que a queda de quase 20% desde a máxima de julho ajustou bem o valuation do banco que negocia a 8x lucros e 1,4x valor de patrimônio e um  yield de mais de 5%, o que a meu ver deixa-o interessante para montar posição nos níveis atuais. Resultado do 2T  foi decente a meu ver, com o banco atingindo um ROE de 17% – menos que os bancos privados, mas ainda assim bom quando comparado ao seu histórico. Porque o ativo sofreu? (i) Momento de bolsa; (ii) Banco tem exposição a empresas em dificuldades como Odebrecht, Oi, entre outras, então tem que aumentar provisões por conta de prováveis defaults; (iii) oferta de ações excedentes ao controle da União que acabam postergando possíveis compras por investidores (por que comprar agora se posso comprar quando tiver oferta?). Esses são, a meu ver, o motivo que fizeram o papel cair e que já estão no preço. Vamos ver.

 

Com isso a carteira fica: 

E como sempre eu lembro que: eu sempre posso estar errado!

 

VÍDEO EXPLICATIVO

 

Era isso.

Aquele Abs.

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6 comments

  • Olá Will

    Apesar de tudo continuo com FESA4, só diminui a exposição (fiz isso no dia seguinte após o balanço). O que percebi é que é um papel que tem um “ciclo”, uma faixa onde ele varia, com topo próximo aos 22-24 reais e fundo próximo aos 17.

    Sobre Bradespar, penso que podem vir bons dividendos ano que vem, ainda não tenho, mas estou de olho.

    Abraços!!!

  • Olá Will,
    penso q se precipitou na venda de Fesa, deveria ter esperado pelo menos uns 20xx.
    Também tenho ela e o RI me disse q os insumos, custos dolarizados representam entre 10, 12% dos produtos, e sempre buscando melhores fornecedores, portanto, um peso aceitável/suportável.
    Abs.

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