CANNABIS – 5 PERGUNTAS PARA QUEM QUER INVESTIR NO SETOR

Lá Fora
Tempo de leitura: 19 min

Nos meus 15 anos de mercado financeiro nunca presenciei o que que vejo nesse setor. Morei fora do país, conversei com pessoas de diferentes perfis e a grande maioria delas tem muito interesse sobre o assunto….debates acalorados são gerados, opiniões diversas, sentimentos, conteúdo e embasamento…tudo misturado num grande caldeirão de percepções.

Não sou um expert no assunto em pauta, mas tenho uma bagagem enquanto economista, analista de negócios e investidor e me parece que:

“Sun is shining, the weather is sweet / Make you want to move your dancing feet”

O sol brilha para esse setor.

A música de Bob Marley está aqui pra me ajudar nesse post…ajudar a entender essa fumaça toda em volta desse setor…entender porque toda essa larica por investir em cannabis.

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Virou moda ser “maconheiro”? 

Se você se refere a investir ou cultivar uma planta que possibilita múltiplos fins e tem um potencial de geração de lucros gigantescos talvez a resposta seja sim!

Cresci nos anos 90 e apesar da minha mãe não gostar muito eu sabia que os caras do Planet Hemp tinham razão quando cantavam “eles um dia vão ver que a lei estava errada”  ou “Diamba é coisa excelente  Remédio pra dor de dente”.

Quem diria…vivi para ver isso!

Pra você que, assim como eu, pensa em ser um maconheiro (um investidor no setor…rs) penso que as 5 perguntas abaixo irão te ajudar a entender os desafios e oportunidades desse setor. Eu me fiz essas perguntas com a intenção de entendê-lo. Essas são minhas repostas… Então set a fire e vamos começar!

 

1) O QUE É A INDÚSTRIA DA MACONHA?

Não, esse mercado não se resume ao cultivo e comercialização de cigarros. Falar em indústria da maconha é quase o mesmo que falar em indústria da tecnologia, um termo genérico para várias atividades diferentes entre si. As ramificações são tantas que muitas das empresas de cannabis se encaixam ao mesmo tempo em setores como biotecnologia, varejo e cosméticos. O ciclo do produto se divide em cultivo, extração, testes e distribuição/comercialização, cada um com empresas de vários tamanhos atuando. Essas quatro etapas ainda gravitam em torno de dois grandes segmentos diferentes entre si: o uso recreativo e o uso medicinal.

De acordo com a UNODC (by Statista), em 2016, haviam em 2016 cerca de 234 milhões de usuários de cannabis no mundo, sendo 32% localizados na África, 30% na Ásia e 24% nas Américas; e um consumo total de mais de 6 toneladas ano (resina e erva).

Os números e estimativas variam significativamente, mas uma tônica é constante, a do crescimento.

Do ponto de vista financeiro, isso significa que as coisas estão ficando quentes para empreendedores e investidores. A indústria vem se formando a passos largos, somando US$ 10 bilhões investidos em 2018, vindos de apenas U$5 bilhões nos três anos anteriores. O gráfico abaixo aponta uma estimativa do tamanho do mercado de cannabis, bem como sua evolução esperada nos próximos anos nos EUA.

 

O interesse no Cannabidiol – um componente não psicoativo da maconha – tem aumentado vertiginosamente na medida em que mais pessoas recorrem à maconha como alternativa para alívio de dores e ansiedade e que seu uso se diversifica entre diferentes terapias. O gráfico abaixo mostra as aplicações médicas da cannabis.

 

Outro dado interessante desse setor e que a evolução do mesmo, são as vendas de maconha por metro quadrado no varejo. O gráfico abaixo mostra que, segundo esse indicador, as vendas de maconha  já superam as vendas de nomes conhecidos:

 

 

Não por acaso, grandes redes de farmácias americanas a CVS e Walgreens anunciaram que venderiam produtos derivados do cannabidiol no futuro. LINK PARA MATÉRIA.

Como disse as expectativas variam significativamente, mas algumas apontam para que no período de 9 anos (2016 a 2025) esse mercado alcance US$ 125 bilhões, uma taxa de crescimento de 30% ao ano.

 

2) QUAL O DESAFIO DE ACEITAÇÃO POLÍTICA?

Nos EUA o percentual da população americana que consumiu cannabis saltou em 10 anos (2007 a 2017) de 10% para 15%. Não por acaso, mais e mais estados americanos colocam o tema em debate, em um clássico processo conhecido como spillover. Em 20% desses estados a maconha já é totalmente legalizada, incluindo o uso recreativo. Quando consideramos só o uso medicinal, mais da metade dos EUA já tem uma legislação favorável:

Os estados estão legalizando a cannabis nos EUA, mas ela continua ilegal a nível federal. Esse ponto é importante porque, se por um lado não impede o crescimento da indústria, também não facilita uma expansão ainda mais rápida.

Mas o “X” da questão que pode reverter a visão mais fechada de certos estados reside em minha humilde opinião em 2 fatores: (i) na arrecadação de impostos; (ii) potencial geração de empregos.

Dos 10 estados (e D.C.) onde a maconha é legal, 7 taxam e regulam suas lojas e tais impostos são tipicamente 10% a 37% mais altos do que o imposto local sobre vendas. Estima-se que Colorado, Nevada e Washington já têm uma arrecadação tributária sobre maconha maior que a de álcool. Se fosse legalizada da noite para o dia hoje em todo o país, estima-se que a maconha já poderia arrecadar quase US$ 20 bilhões em impostos para o governo americano.

Um bom exemplo do uso dos recursos da tributação da maconha é o Centro de Desabrigados em Aurora, Colorado. Um valor de US$ 900 mil em impostos provenientes da maconha foi investida no Aurora Day Resource Center e apoia a população local de rua com uma gama de serviços básicos, mas essenciais.

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Em relação a geração de empregos, o Bureau of Labor Statistics não fornece dados específicos sobre ganhos de emprego na indústria da maconha, pois a mesma segue ilegal a nível federal. Mas um relatório do site da cannabis Leafly afirma que cerca de 211 mil pessoas estão empregadas na indústria em tempo integral, enquanto outras 100 mil em tarefas que indiretamente dependem disso. Para se ter uma ideia, os EUA têm 52 mil empregados dedicados ao setor de mineração de carvão, ou ainda, 69 mil trabalhadores que fabricam cerveja. O gráfico abaixo nos dá uma dimensão da importância desse setor e mais uma estimativa de crescimento exponencial.

 

 

Do ponto de vista macroeconômico, esse tipo de coisa (emprego e arrecadação) acelera o crescimento e aceitação da indústria, especialmente em uma eventual crise cíclica da economia. O gráfico abaixo mostra que junto ao público, o debate só ganha força. Em 2017, pesquisa da Pew Research (by Statista) apontava que 64% da população americana apoiava a legalização da maconha, o maior número até então registrado.

 

Com a clara tendência, uma lei federal americana para a maconha não é uma questão de se, mas de quando. Esse, sem dúvida, vai ser o evento divisor de águas na indústria e está mais próximo do que se imagina.

 

3) QUAIS AS DIFICULDADES DESSA INDUSTRIA?

Como todo investimento, não podemos reduzir o potencial impacto dos desafios que esse enfrenta. Entender isso é fundamental para identificar os futuros vencedores do mercado.

  • Regulatório. Como já comentamos esse é o maior dos desafios. Depois de anos marginalizada, a cannabis agora é o centro do big business e sua regulação impõe restrições na conduta e atuação das empresas, a exemplo de outros setores. O desconhecimento de como essa regulação se dará dificulta a compreensão e visualização dos impactos nas empresas. Quais tem mais condições de se ajustarem? Ou de se aproveitarem da regulação?
  • Operacional. Operar a logística de distribuição e comercialização de um novo mercado exige uma infraestrutura dedicada que deve se consolidar com o tempo e também depende de funding. Não por acaso as grandes empresas de tabaco e alcool apesar de não operarem esse segmento podem ter vantagens competitivas ante players que já sejam do setor.
  • Precificação. O posicionamento das empresas em marketing e branding é fundamental para descobrir os padrões da demanda crescente. Isso tem influência direta na precificação dos produtos e na lucratividade dos negócios. Há também as disputas por patentes nas áreas mais concorridas de pesquisa e a competição do mercado ilegal, que ainda afeta os preços.
  • Financeiro. As fusões, aquisições e parcerias estão a todo vapor no setor, mas o financiamento ainda deixa de fora o setor bancário (e outros relacionados como seguros) por motivos de compliance. Exemplo disso é que só 3% dos bancos oferecem crédito ou serviços pra empresas do ramo e seguradoras ainda são relutantes em fechar negócios. Como crescer com funding limitado? A resposta tem sido através do capital próprio de investidores interessados. Ainda assim para alcançar outros patamares de escalabilidade essa é uma questão a ser endereçada.

 

4) E QUEM ATUA NESSE SETOR?

Os últimos anos assistiu uma proliferação de novas empresas que investem ou se interessam por operar nesse setor. Uma espécie de esquadrilha da fumaça! Rs

O Canadá se destaca como o grande celeiro das empresas de cannabis e, pela proximidade e compatibilidade dos dois mercados, essas empresas também atuam e abrem capital nos EUA. Das 9 maiores empresas de cannabis listadas em bolsas americanas, 5 são canadenses. Vou listar aqui:

  • Canopy Growth (NYSE: CGC) – valor de mercado de ~ US$ 16 bilhões: recebeu uma injeção massiva de US$ 4 bilhões em 2018 e foca na disponibilidade de terras para escalar cultivo. É a maior do mundo no setor, em valor de mercado.
  • Aurora Cannabis (NYSE: ACB) – valor de mercado de ~ US$ 9 bilhões: uma das maiores e mais diversificadas, com atuação e parcerias em diversos países e uma rede de investimentos (agressivos) em empresas relacionadas.
  • Cronos Group (Nasdaq: CRON) – valor de mercado de ~ US$ 5,5 bilhões: focada em se tornar uma referência em pesquisa química de derivados da maconha.
  • GW Pharmaceuticals (Nasdaq: GWPH) valor de mercado de ~ US$ 5 bilhões: empresa britânica focada em desenvolver um portfólio de derivados medicinais da maconha pra uso em tratamentos de câncer, autismo e esquizofrenia.
  • Tilray (Nasdaq: TLRY) – valor de mercado de ~ US$ 5 bilhões: primeira a abrir capital nos EUA, focada em pesquisa para uso medicinal usando patentes como diferencial competitivo.
  • Curaleaf Holdings (Nasdaq: CURLF) valor de mercado de ~ US$ 4,8 bilhões: empresa com o maior negócio verticalizado do setor, controlando desde o varejo até a produção.
  • Acreage Holdings (Nasdaq: ACRGF) valor de mercado de ~ US$ 3,4 bilhões: tem licenças espalhadas para operar e a maior presença geográfica, em 20 estados. Foi adquirida em abril pela Canopy no maior negócio da história do seto.
  • Harvest Health & Recreation (Nasdaq: HRVSF) valor de mercado de ~ US$ 2,5 bilhões: protagonizou uma das maiores aquisições do setor, de US$ 850 milhões, catapultando sua presença e licenças.
  • Aphria (NYSE: APHA) – valor de mercado de ~ US$ 2 bilhões: focada na produção eficiente e de baixo custo em estufas para atender o mercado medicinal, mas com planos de expansão para o mercado recreativo.

Além dessas principais, existem outras dezenas de empresas menores com potencial para inovação e chances de se estabelecerem no mercado no médio prazo, cada uma com riscos e desafios diferentes.

O mercado americano também tem um índice setorial – o US Marijuana Index – que agrega as principais empresas de capital aberto do setor. Como já era de se esperar, grande parte das empresas que compõe tal índice estão localizadas e são negociadas na bolsa canadense – cerca de 74% das empresas do índice. Nos últimos 2 anos (abril de 2017 a abril de 2019) o índice acumulou alta de cerca de 80% – vide gráfico abaixo.

 

5) TEM OPÇÕES DIVERSIFICADAS NO SETOR? 

Já existem muitas opções a “la carte” na bolsa americana para os investidores que optam por comprar ações relacionadas à cannabis, tais como as empresas citadas no tópico acima. Mas para quem dispensa a escolha no menu e gosta de um modelo “all you can eat”, é possível diversificar e se expor ao setor através de ETFs.

Hoje, o principal ETF de cannabis no mercado é o Alternative Harvest (NYSE: MJ). Com uma taxa de administração de 0,75% ao ano o investidor pode se expor a 36 companhias de diferentes tamanhos. Criado há menos de 2 anos, foi o primeiro do tipo e, em fevereiro, ultrapassou a marca de mais de US$ 1 bilhão em ativos pela primeira vez. O retorno em 2019 até o momento é de aproximadamente 19%, ante 15% do S&P. O gráfico abaixo compara ambos: S&P na linha preta e o MJ na linha verde.

Mas ampliando um pouco a pesquisa para um prazo maior, dá para ver que esse é um setor de altos e baixos onde a volatilidade tem sido a tônica…reflexo das incertezas que ainda rondam o setor.

Mesmo assim, o crescimento potencial atrai a criação de novas alternativas, caso do AdvisorShares Pure Cannabis (NYSE: YOLO), que começou a ser negociado há menos de 3 meses. Os ativos ainda estão em US$ 50 milhões, mas já desperta rápida curiosidade do mercado.

A principal diferença entre os dois é a abordagem: enquanto o Alternativa Harvest é um fundo passivo, o Pure Cannabis quer ter uma gestão ativa, com um time de analistas acompanhando as empresas. Cada um foca em companhias de tamanhos diferentes e o Pure Cannabis vem adicionando muitas empresas menores e com maior potencial e volatilidade. Em termos de liquidez, o Alternative Harvest ainda leva vantagem, mas em ambos os negócios estão na casa dos milhões de dólares diários.

Existe ainda o AdvisorShares Vice ETF (ACT) que monta uma cesta diversificada com ativos do setor de tabaco, álcool, restaurante e entretenimento, além dos ativos relacionados a cannabis.

Alguns futuros ETFs já estão no forno para atender a demanda pelos investidores, caso do Teucrium Emerging Medical Agriculture (que pretende focar em empresas de biotecnologia para cannabis), do Horizon Marijuana Life Sciences e do Horizon Junior Marijuana Growers, que pretende investir pequena parte do patrimônio também em empresas fechadas em estágio inicial.

 

MINHA OPINIÃO 

Cara sinceramente? Esse me parece um setor muito promissor que esta apenas engatinhando. The sun is shinning para o setor!

Considerando isso, mesmo num cenário de crise dá para imaginar que as empresas que tiverem solidez financeira terão sua vida própria e surfar crescimento…dito de outra forma, penso que é um setor menos correlacionado com o cenário macro global e essa característica é algo muito bacana para compor carteira….seria quase como um setor anti-crise, pois a sua expansão e disseminação criará um mercado e, sendo assim, parece  haver um oceano azul de crescimento. Não obstante, como setor nascente, até que a concorrência afete sensivelmente os preços, é possível que alguns players se beneficiem de retornos extraordinários, tal como vemos em empresas de tecnologia ou biotecnologia. 

Por outro lado, como qualquer industria nascente, é muito difícil hoje saber quem serão os grandes players que sairão vitoriosos. Nem sempre a maior empresa ganha…nem sempre a primeira…não necessariamente a mais capitalizada….hoje me parece muito complexo escolher uma delas com alguma convicção.

Então os ETF’s do setor, em especial o mais líquido (MJ) me parecem ser a forma mais saudável de “entrar nessa vibe” e investir no setor. 

 

MAS COMO EU INVISTO NO SETOR? 

Primeiro é importante o leitor ter em mente que não existem opções de investimento no Brasil…ao menos não as que sejam legais ou de acesso ao varejo, rs.

Então a forma de investir nesse setor passa pela internacionalização dos recursos. Apesar da relevância do Canadá no setor, faz muito mais sentido o investidor buscar investimentos dolarizados (dólar americano) no maior mercado do mundo, o americano.

Então o primeiro passo é abrir sua conta numa corretora americana. Eu uso a Avenue Securities que tem um processo de abertura de conta bem simples e é tudo gratuito.

Quer saber como investir no exterior? Deixa teu e-mail aqui embaixo que eu te respondo. 

 

 

Era isso.

Aquele Abs.

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4 comments

  • Ola Will , Valeu muito novamente seus comentários e experiencia Continue assim FOR EVER. Voce como já falei antes e’um Educador e nos aprendices
    Venho estudando e pesquisando muito a indústria do Cannabis há mais de ano. , Acabo de voltar de lá . Trata se de um caminho sem volta e tudo esta dependerndo da Aprovação de Trump a nível Federal . A Pressao dos parlamentares favoráveis ao Cannabis no Lobby e’muito grande Ou seja vamos , sim, a ter uma mega explosão do Cannabis Market nos EUA gerando muito emprego e Impostos . Abracos

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