CARTEIRA #NOTBAD – OUTUBRO 2019

Carteira do Will
Tempo de leitura: 8 min

Para quem não conhece ou sabe, a carteira #Notbad é uma carteira teórica que posto sempre no primeiro dia útil do mês, comentando as performances e eventuais trocas. A ideia é mostrar que é simples investir em ações e com um portfólio de 5 ativos (20% em cada um) você pode se expor com um risco ok e qualidade. Para fins de computo de performance uso os preços de fechamento ainda que eu saiba que na vida real não é tão simples assim e os nossos preços de compra e venda sejam diferentes.

Para não ficar somente na teoria, eu compro todos os ativos que nela constam! Esse é meu compromisso com quem me segue! 

 

PERFORMANCE

Vamos lá, nunca escondi de ninguém que eu iria errar e que os erros seriam percebidos em uma performance fraca. É uma lástima, mas novamente a carteira não bateu o IBOV! Foi o segundo mês consecutivo. Sabe quantas vezes isso aconteceu nos 28 meses de existência dessa carteira?

NUNCA!

Essa foi a primeira vez que tive 2 meses consecutivos abaixo do benchmarking. Vou alterar a ordem das coisas e apresentar a tabela com a performance mensal desde o início, pois casa bem com o que estou falando. Na linha azul vocês podem acompanhar o diferencial frente ao IBOV:

Não acho que foi nenhum desastre, haja vista que, bem ou mal, quem aplicou nos ativos da carteira, viu seu patrimônio render alguma coisa … pouco é verdade … mas não houve grandes perdas.

Em geral tivemos uma performance bem “morna” da carteira como um todo, uma alta de 0,89% contra um IBOV de +3,57%. Destaque para BRAP3 que entrou mês passado e acumulou quase 11% de alta…mas fora ela, as demais não foram bem e isso explica o desempenho fraco.

Fico chateado por apresentar uma performance aquém do que gostaria…mas ao mesmo tempo isso é o mercado. Não existem gurus! Eu não sou um e como eu sempre disse: eu vou errar. Então é bom que aconteça para você ver que faz parte…é assim mesmo.

 

NÚMEROS

No acumulado da existência dessa carteira os números são bons.

  • Desde o início a carteira acumula 259% contra 66% do IBOV!
  • Performance de 12 meses: 49% contra 20% do IBOV!
  • Até aqui foram 28 meses de existência, com a carteira batendo o IBOV em 20 meses, ou seja, 71% dos meses.

Gráfico da performance acumulada:

 

  • Performance em 2019 é de uma alta de 38% contra 20% do IBOV! Abaixo o gráfico de performance do ano (Year-to-Date)

CARTEIRA PARA OUTUBRO

Começo esse mês com uma expectativa  grande acerca do encontro entre EUA e China que se realizará no início do mês. Penso que pode ser um trigger importante para ativos de risco pelo mundo e, quem sabe, movimentar as ações por aqui também. Junto a isso, no mesmo período espero que a reforma da previdência finalmente passe pelo senado e também tenhamos um desfecho positivo. Sendo assim, em geral estou otimista.

Apesar do fraco desempenho de algumas ações, sigo bastante confortável com a posição em SLC Agrícola (SLCE3) a qual vejo um excelente desempenho operacional aliado a um desconto considerável para o valor justo dos seus ativos líquidos; Banco do Brasil (BBAS3) é outra ação que penso que pontualmente tem sido pressionada pela expectativa da oferta de ações que está para acontecer, mas fora isso, entendo que sua performance fraca relativamente ao setor e a bolsa, abriram uma boa oportunidade para ter posição no ativo; Schulz (SHUL4) é aquele tipo de empresa pouco conhecida, mas com margens e retorno decentes, dívida controlada, bem gerida, negociando a múltiplos bastante baixos expansão de produção e bons pedidos em carteira que deverão garantir bons resultados nos próximos meses; Bradespar (BRAP4) apesar da alta, é um importante play de uma possível melhora em preços de commodities caso tenhamos um desfecho positivo no encontro entre EUA e China…fora isso sigo vendo-a como uma forma descontada de se expor a Vale, a qual segue sendo uma forte geradora de caixa e boa pagadora de dividendos que beneficiarão também, aos acionistas de Bradespar.

 

Optei por realizar apenas uma troca neste mês: a saída da TIM (TIMP3) para adição da Iochpe-Maxion (MYPK3). 

Desde que entrou na carteira TIMP3 performou em linha com o Ibovespa. Sigo vendo valor e acredito que o papel pode andar na esteira da resolução da situação da OI. No entanto, com uma carteira de 5 ativos, por vezes você tem que sacar um ativo para adicionar outro que te pareça mais interessante.

Fazer um resumo breve de Iochpe-Maxion (MYPK3):

Ela é a maior produtora de rodas do mundo e um dos principais produtores de componentes estruturais (chassis em sua grande maioria) para carros da Américas. Possui 31 plantas industriais, em 14 países e possui 3 segmentos de negócio:

  • Maxion Wheels: Rodas de aço para veículos leves, pesados e máquinas agrícolas; e rodas de alumínio para veículos leves.
  • Maxion Structural Components: Longarinas e chassis para veículos pesados e componentes estampados para veículos leves.
  • Adicionalmente, por meio da AmstedMaxion (joint venture), produz vagões ferroviários e fundidos ferroviários e industriais…mas essa operação ela reduziu participação na joint venture, saindo de 37,75% para 19,5%, em linha com o plano de foco da companhia no setor auto).

Sua receita é bem diversificada…38% da receita é Europa, 29% é América do Norte, 24% é América do Sul e 9% é Ásia (escritórios) onde ela tem novos projetos, então é bem possível que isso venha a aumentar nos próximos anos. Olhando por produtos, fica claro que rodas é quem manda na receita, sendo 82% da receita vindo de rodas de aço/alumínio. Sendo o restante de Componentes (Chassis e etc).

Empresa tradicionalmente tinha um endividamento que assustava e preocupava muitos, mas veio mudando isso…especialmente pela redução do custo de carrego da dívida que saiu de um custo médio de 10,4% a.a. para 5,7% a.a (2018). Atualmente sua Divida liquida/EBITDA era de 2,4x no 2T19.

Por que apostar nela agora? Penso que uma resolução na questão da trade war pode aquecer o mercado de autos e isso beneficiar ela. Fora isso, grande parte da receita é dolarizada então a alta recente do dólar tende a ter impacto líquido de caixa positivo para ela. Não obstante, também é possível que vejamos uma melhora no mercado brasileiro o que também seria benéfico para ela. Após cair 19% no ano, o papel negocia a 10x lucros e 5x Ev/Ebitda o que me parece bem justo para montar uma posição…lembrando que a hora de comprar é quando os outros não querem não é mesmo? Acho que é isso.

Com isso a carteira para Outubro fica assim: 

 

VÍDEO EXPLICATIVO DA CARTEIRA

 

Era isso.

Aquele Abs.

Twitter: @willcastroalves / Youtube: Willcastroalves/

Linkedin: William Castro Alves

Instagram: @willcastroalves / Facebook: William Castro Alves

 

5 comments

  • Olá Will. Até que ponto uma falência do grupo Odebrecht pode influenciar, negativa ou positivamente, na Braskem?

    • Influencia pq da menos espaço e poder de barganha ao grupo …todos sabem q estão ferrados e a BRKM é a jóia da coroa…penso que isso é o que atrapalha.
      impõe um teto ao preço.
      Fora isso receio de que o desfecho da situação possa demorar.

  • Olá Will!

    Sobre a SLCE3, esse valor dos ativos líquidos de R$ 24, já é após o desdobramento ocorrido em Abril/Maio de 2019? Pois antes disso, a ação custava R$ 35. Se considerarmos o valor da ação antes do desdobramento, ela está bem mais cara que os ativos citados.

    Abraços.

Leave a Reply