Grandes Investidores: Lírio Parisotto, empreendedor e um dos maiores investidores do Brasil

Grandes Investidores
Tempo de leitura: 7 min

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Lírio Parisotto – Biografia

O investidor do presente texto um dos maiores do Brasil. Sim, depois de escrever mais de 20 textos sobre os maiores investidores do mundo, onde eles residem em sua maioria nos Estados Unidos, começo a escrever sobre os maiores do Brasil, começando pelo conterrâneo gaúcho, Lírio Parisotto, de quem tive o prazer de assistir uma palestra em 2011 e que lembro de trechos até hoje. “Não compro coisas que voam!”, “Não gosto de empresas varejistas, você já viu uma varejista não quebrar no Brasil?” (isso bem antes do estrondoso case da Magazine Luiza rs).

Lírio Albino Parisotto é um investidor que nasceu no Rio Grande do Sul, em Nova Bassano, próximo a Caxias do Sul, na data de 18 de dezembro de 1953. Filho de pais agricultores, formou-se em medicina e é um grande investidor.

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Vida Pessoal

Vindo de uma família de agricultores no interior gaúcho, aos 13 anos, Lírio Parisotto saiu de casa para estudar e inclusive chegou a ser seminarista, estudando para ser padre, sendo posteriormente expulso por mau comportamento, chegou a morar em Brasília por 5 anos. Prestou concurso para o Banco do Brasil, trabalhando cerca de 150 kms da sua cidade, Nova Bassano. Conta que queria uma transferência para uma Agência mais perto da sua casa, porém vendo que havia uma lista imensa de espera, acabou pedindo para sair do emprego em apenas 7 dias.

Posteriormente, voltou para sua cidade natal, onde trabalhou em um frigorífico da cidade e acabou tornando-se gerente. Com o primeiro salário comprou uma kombi, na qual usou como um ativo para levar pessoas. Era um leitor assíduo, começando a estudar sobre o mercado de ações. Ingressou na Faculdade de Medicina de Caxias do Sul em 1976. Acabou sendo demitido do Frigorífico por estar “descansando”, de tanto trabalhar. Trabalhou trazendo mercadorias de São Paulo principalmente videocassetes. Certo momento com dívidas a receber de clientes, um desses devia-lhe tanto que resolveu oferecer a loja para Lírio, como forma de pagamento. O nome dessa loja era a Videolar.

Com o tempo a Loja começou a fluir, faturando de US$ 500 a US$ 600 mil anuais, possibilitando-o investir no mercado de ações e viajar para os EUA, onde conheceu os gravadores de VHS, desconhecidos de muitos atualmente. Com essa experiência criou o primeiro videoclube da cidade de Caxias de Sul. Lá clientes poderiam assistir filmes de videocassetes, com poltronas, sofás, assim como fitas virgens como cópias das originais. A Loja era tocada pelo sócio, permitindo Lírio finalizar seu estudo na faculdade de medicina. Posteriormente, voltou a focar na sua Loja Videolar, sendo a que mais vendia tvs na Cidade de Caxias do Sul. Acabou por agregar valor na assistência técnica, aceitando produtos eletrônicos usados, gerando diferenciação. Depois de tanto sucesso, foi convidado pela Sony, por ser um dos que mais vendiam no Brasil fitas VHS Beta Max. Visitando a Sony em Tóquio, enquanto os outros faziam turismo, Lírio resolveu saber mais sobre a fabricação de fitas VHS.

Voltando ao Brasil, a Loja original passou a sofrer grande concorrência, decidindo mudar de ramo. Em 1986, ele já tinha cerca de US$ 500 mil na bolsa de valores e estava sofrendo uma queda de 40% naquele ano. Dois anos depois, acabou criando uma empresa própria de VHS e investiu US$ 4 milhões em uma fábrica de produção própria de fitas VHS.

Acabou crescendo rapidamente com a empresa gerando caixa e com isso investindo concomitantemente no mercado de ações, sendo influenciado no início da década de 90 no Livro Faça Fortuna com Ações, de Décio Bazin. Com a queda do mercado de ações, acabou investindo US$ 2 milhões.

Acabou abrindo uma fábrica na Zona Franca de Manaus, onde recebeu incentivos para produzir e passou a produzir até DVDs, possibilitando-o investir US$ 6 milhões no mercado de ações em 1998, na carteira que mantem até hoje, com cerca de 12-14 empresas. Em 2008 deixou o dia-a-dia da Empresa Videolar, passando para o conselho de administração da empresa. Passou a investir em Private Equity, comprando a RBS TV de Santa Catarina, vendendo-a algum tempo depois.

 

Estilo de investimentos

Foca em empresas pagadoras de dividendos focando no longo prazo. Em 2008, chegou a ter R$ 1,6 bilhões, porém sofreu uma queda de R$ 1 bilhão, recuperando tudo depois. Estima-se que tem uma carteira hoje próxima a R$ 5,2 bilhões, o que o coloca entre os mais ricos do Brasil.

O seu Fundo L. Par. teve o seguinte retorno nos últimos anos:

 

Em sua carteira gosta de investimentos em siderurgia, mineração, energia elétrica e bancos. Fazem parte da sua carteira de investimentos: Celesc, Banco do Brasil, Eletrobrás, CSN, Usiminas, Braskem, Vale, Light, Cielo, Eternit. Ele faz muito lançamento coberto de opções, procurando ganhar o prêmio e remunerar a sua carteira de investimentos. Por lançamento coberto, entende-se possuir ações de uma empresa e vender opções.

 

 

Entre seus principais pensamentos estão:

  • Não compre empresas que dão prejuízos
  • Importante prestar atenção na saída do investimento, liquidez é fundamental
  • Não compre nada que voa
  • Reinvista sempre seus dividendos e compre empresas que paguem altos dividendos
  • Não compre varejistas
  • Não entre em IPOs
  • Diversificação é interessante, porém não muito. Ele tem como regra, ter no máximo 14 empresas no Fundo.
  • Tenha senso crítico e não vá apenas pelo analistas e pelo preço-alvo

 

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
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Twitter: eliseumanicaj

 

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