JBS (JBSS3) –AINDA VALE A PENA COMPRAR FRIGORÍFICOS?

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Tempo de leitura: 9 min

Neste artigo vou explicar o porquê de eu ter comprado JBS, mesmo após alta de mais de 100% neste ano. Continuo confiante que a companhia entregara bons resultados nos próximos trimestre e ainda tem capacidade para surfar o surto da gripe suína Africana. Bora lá então!

 

 

QUEM É A JBS?

Rapidamente, José Batista Sobrinho (JBS rs) foi o fundador da companhia em 1953. Durante a década de 70 até 2001 teve a expansão da sua companhia através de aquisições e aumento de produtividade. Em 2007 abriu seu capital na B3 e entrou no mercado Americano e Australiano. Possuí presença global em 15 países e mais de 400 unidades de produção e escritórios. Até hoje a companhia continua com a estratégia de aquisições (como Seara, Zenda, Moy Pork, Grupo Primo, Cargill, Plumrose, GNP e Tulip) para sustentar seu crescimento.

Fonte: Apresentação Institucional 3T19 – JBS

 

UM NOVO COMEÇO

A companhia teve um passado obscuro, não podemos negar isso. Esteve envolvido em um dos maiores escândalos de corrupção do país, envolvendo até ex-presidentes. Porém, muita coisa já veio à tona, acordos de leniências já foram firmados e a companhia está bem menor (mas continua uma gigante) e mais enxuta do que era antes.

Eu entendo, algumas coisas ainda podem aparecer. Vide a última notícia do BNDS pedindo mais R$11 bilhões do já que tinha sido acordado (antes era R$10 bilhões)… Mas ao meu ver, não creio que venha à tona algo mais importante do que já tenha aparecido sobre a empresa.

Sendo assim, chegamos a uma “nova companhia” com outro management por trás e ainda sim, a segunda maior empresa do setor do mundo em termos de receita líquida, atrás somente da Nestlé:

Fonte: Apresentação Institucional 3T19 – JBS

 

Mas Breno, como ela funciona, o que ela vende? Pois bem, ela é dívida em 5 unidades de negócios:

  • JBS USA BEEF: Produção de Carne Bovina nos EUA, Canadá e Austrália. Responsável por 43% da receita líquida (3T19) e 40% do EBITDA (3T19);
  • JBS USA PORK: Produção de carne suína e produtos de maior valor agregado nos EUA. Responsável por 11% da receita líquida (3T19) e 12% do EBITDA (3T19);
  • PILGRIM’S PRIDE: Produção de frango e alimentos preparados nos EUA, México, Porto Rico e Europa. Responsável por 21% da receita líquida (3T19) e 28% do EBITDA (3T19);
  • SEARA: Produção de alimentos preparados, aves e suínos in natura no Brasil. Responsável por 10% da receita líquida (3T19) e 11% do EBITDA (3T19);
  • JBS BRASIL: Produção de carne bovina no Brasil, além de couros e outros negócios relacionados. Responsável por 15% da receita líquida (3T19) e 9% do EBITDA (3T19).

 

Ficando claro o que ela vende e isso é essencial para qualquer investidor entender como determinada companhia ganha dinheiro. Podemos avançar para um ponto que é interessante, notem que 75% da receita líquida da companhia vem do exterior e apenas 25% é do Brasil, logo, um dólar mais forte é favorável para companhia, pois grande parte da sua receita é dolarizada.

 

OPORTUNIDADES A VISTA

A empresa está para surfar uma demanda cada vez maior dos países asiáticos e agora parte da Europa por conta da Gripe Suína Africana. Para quem não sabe, a peste já dizimou milhares de porcos na china, a principal produtora mundial.

A retirada de oferta de porcos no mundo (só a China já tem queda de 17% na produção de porcos no ano) e a grande demanda ainda por este tipo de alimento, abriu uma oportunidade de ouro a todos os frigoríficos do mundo. JBS está entre uma das mais preparadas para aproveitar esse surto devido ao seu tamanho e por conter plantas em vários países. Além disso, o aumento da população global e o crescimento do consumo de proteínas tende a impulsionar o setor nos próximos anos.

Os impactos estão ficando mais claros agora, China tem atingindo sua menor produção histórica de porcos. Exportações crescerem mais de 12% YoY, entretanto, exportações para China cresceram 37% YoY e o preço em USD para eles aumentou em 29% YoY em novembro com um prêmio de exportação de 21% (a um ano atrás era de 14%, alta de 7p.p.).

No gráfico abaixo é possível ver que os preços estão aumentando, assim como os volumes para o país asiático:

 

Existem outros dois eventos que são interessantes para a companhia. Um deles é a saída do BNDES (via BNDSpar), que hoje detém 21,3% das ações da companhia. Desde o anúncio da intenção do Banco Nacional, suas ações que já estavam acima de 30 reais, acumulam queda de cerca de 24%… Acho que já ta um bom desconto não é mesmo? Por isso, creio que JBS neste preço é bastante atraente.

O terceiro e último evento, seria a listagem da sua parte Global nos EUA. Como comentado anteriormente, cerca de 75% das receitas da companhia já vem do exterior, essa listagem lá fora precificaria melhor os ativos da companhia e assim fica uma comparação mais justa entre seus concorrentes. Porém, ainda está em fase muito inicial e sem muitos detalhes (continuaremos acompanhando).

 

OPERACIONAL, COMO VAI?

No ano em geral, JBS tem apresentado um resultado muito melhor em relação aos anos anteriores. Depois de sofrer pressões devido as investigações, a companhia tem apresentado um resultado muito mais confiante. Vou me ater a falar somente do 3T19, para não ficar muito longo.

Fonte: Release JBS – 3T19

Sua receita atingiu R$ 52,2 bilhões no 3T19, com alta de 5,6% YoY. Enquanto isso, o EBITDA cresceu 33% com margem de 11,3%. O maior destaque do trimestre foi o segmento da JBS US BEEF, que teve se beneficiou por conta do incêndio ocorrido em uma de suas principais concorrentes, a Tyson Foods.

Seara surfou também os impactos positivos da Gripe Suína Africana. Sua receita líquida ficou em R$ 5,4 bilhões, alta de 7,4% YoY. Esse resultado foi fortemente impactado graças ao aumento dos preços de venda, o que compensou a redução no volume de exportação no período (carne e frango). Porém, carne de porco teve aumento alta de 19% nas exportações

US PORK foi uma surpresa. Margem EBITDA (Ex-IFRS16) foi para 8% no 3T19. Receita líquida foi de U$ 1,5 bilhão, com alta de 8,4% YoY.

Além disso, a companhia gerou um FCF (Fluxo de Caixa Livre) de R$ 3,7 bilhões, alta de 61,6% vs 3T18 (isso representa um 21% de Yield anualizado, é muita coisa!). Sua alavancagem caiu para 2,5x em reais, o que demonstra que a companhia está reduzindo o seu endividamento.

 

MEU OUTLOOK PARA JBSS3

O pior parece já ter ficado para trás. A companhia tem entregado um forte fluxo de caixa livre de dois dígitos (13% LTM), está pegando um “boom” de demanda pelos seus produtos que devem favorecer ela pelos próximos 2 anos (assim espero! rs) e tem grande potencial de desalavancagem para os próximos trimestres.

Seu valuation está também atrativo:

 

Seus papeis estão negociando para 2020 a 8x lucros e 5x EV/EBITDA, enquanto a média do setor está negociando quase 11x lucros e 8,1x EV/EBITDA, respectivamente. Não obstante, outras métricas também estão indicando um desconto em relação ao setor, o que me gera mais margem de segurança para entrar no ativo. A faixa azul indica o quanto EU acho que ela deveria negociar.

 

 

Era isso, valeu!

Breno Bonani.

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4 comments

    • Minerva também está atraente! Mas já teve uma valorização mais expressiva que JBS e Marfrig no caso… Além disso, não se apegue somente aos números que saem de múltiplos e indicadores! O case por trás (a história) também conta muito na tomada de decisão. Eu tinha minerva, troquei por entender que JBS ficou mais para trás, possível IPO nos EUA que é melhor que o IPO da Athena em países que estão passando por complicações, saída do BNDSpar e por ser uma companhia global muito maior que a Minerva. Espero ter conseguido ajudar de alguma forma kkk, abs!

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