Grandes Investidores: Naji Nahas, o investidor que já teve 7% da Petrobrás e 12% da Vale

Buggpedia, Grandes Investidores
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Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Naji Nahas – Biografia e vida pessoal

A pessoa que será tratada hoje no Grandes Investidores é alguém polêmico e que muitos poderão achar que não foi um grande investidor, mas o fato é que ter 7% das ações da Petrobrás e 12% das ações da Vale do Rio Doce não é para qualquer investidor, mesmo que essas ações tivessem um valor de mercado muito menor na época do que atualmente. Considerando o percentual que Naji Nahas tinha na época, a quantia equivaleria hoje a R$ 61,820 bilhões, o que tornaria Naji Najas o segundo mais rico do Brasil. Além disso, ele negociou cerca de 94% de um dia inteiro de ações da Vale, o que mostra o seu calibre.

Enquanto George Soros é conhecido como ter quebrado o Banco da Inglaterra, Naji Nahas é conhecido por ter quebrado a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que acabou fechando no ano de 2000, porém por maneira diferente do Húngaro-americano, cujo perfil já retratei aqui.

Naji Robert Najas, nasceu no Líbano, em 3 de novembro de 1947 (hoje tem 72 anos), foi criado no Egito e estudou em Londres, na Inglaterra. Ele veio ao Brasil com 22 anos, no ano de 1969 e reza a lenda que ganhou uma herança de US$ 2 milhões na época, que seria equivalente hoje ao redor de US$ 50 milhões. O voo em que veio ao Brasil, foi sequestrado e levado para Cuba, o que já mostrou a dificuldade de nosso investidor. Era casado com uma brasileira e por isso já chegou aqui com visto de residente. Acabou diversificando seus negócios, como a maioria dos investidores que fazem o mesmo, investindo em áreas de fábricas, fazendas de produção de coelhos, empresas da área de investimentos, bancos, entre outros. Antes dos 40 anos já tinha mais de 27 empresas.

É uma figura histórica no mercado, tendo inclusive a sua foto, virado meme e capa de vários perfis linkados à investidores da  Avenida Faria Lima, Avenida mais importante do País, em termos de investimentos.

 

Curiosidade: uma de suas fotos foi usada como capa do instagram e do twitter por um famoso perfil do mercado chamado @farialimaelevator .

 

 

Investimentos

Logo após chegar ao Brasil, Naji Nahas aproximou-se dos irmãos Hunt, que eram conhecidos por ter uma grande quantidade da commodity prata. Eles chegaram a controlar 10% de todo o mercado mundial de prata, fazendo fortuna no Texas, levando a prata de US$ 2 por onça para aproximadamente US$ 50, chegando a uma valorização de 2400%. Naji conheceu os irmãos Hunt, porque além de investidor, ele era próximo a investidores sauditas que também tinham um estoque alto de prata. Esses relacionamentos mostram o poder que Naji Nahas tinha na época.

Através de uma holding, Nahas operava na Bolsa de Valores de São Paulo, ano que fez isso até 1989, passando após esse período operar na Bolsa do Rio de Janeiro, o que fez com que influenciasse no crescimento do volume de transações financeiras da mesma. Em abril de 1988, ele fez a compra de mais de 10,40 milhões de ações preferenciais de Petrobrás. A inflação na época era de mais de 1100% em 1989, e nesse ano Najas chegou a fazer com que as ações da Vale subissem mais de 2500% em apenas 8 meses, apenas realizando algumas operações que comentarei mais abaixo. Reza a lenda que o poder de Nahas era tão grande, que ele ao enviar ordens para os corretores, ele comprava ações por tempo, comprando tudo o que tinha de negócios por 20-30 minutos.

 

 

Modus operandi

Nahas basicamente tomava dinheiro emprestado e comprava ações pagar pagar em D+5 (daqui 5 dias úteis). Ele recebia o dinheiro da venda à vista e usava para comprar mais ações, pagando com um prazo maior. Com o dinheiro na mão, Nahas voltava a realizar novas operações e pagava os débitos anteriores. O lucro vinha de forma indireta: como o investidor fazia circular rapidamente os papéis, comprando e vendendo muito, provocava uma valorização artificial nas cotações.
Além disso, ele comprava opções nesses investimentos. Cabe salientar o conceito de opções para quem não é tão familiarizado. Opções são como direitos de comprar ações por um determinado valor e em determinada data. Como exemplo, podemos utilizar uma casa de R$ 1 milhão, pagando um valor para segurar a casa e o negócio, com um sinal de R$ 10 mil ou 1% do valor do imóvel. Se a casa nesse meio tempo subir de preço, digamos para R$ 1,5 milhão, o comprador vai pagar R$ 1 milhão mais o “sinal”, no caso de R$ 10 mil e ter um lucro de R$ 490 mil.

Sendo assim, Nahas operava alavancado (pegando dinheiro de bancos e corretoras para operar, comprando ações e lucrando para pagar posteriormente), fazendo isso inúmeras vezes, assim o preço das ações subia e ele repetia isso, usando ainda mais alavancagem, comprando direitos a essas ações, cuja alavancagem e volatilidade é maior que o investimento em ações. Como exemplo, as ações de Vale subiram entre 1988 e 1989, mais de 1600%. Nas opções o retorno seria inúmeras vezes maior.

Lembro que antigamente, Nahas conseguia fazer isso, comprar ações e auxiliar na alta das mesmas, porque o mercado de investimentos em ações era muito (e coloca muito nisso!) menor na década de 80 e hoje é praticamente impossível manter uma cotação de empresas com liquidez na bolsa de valores por um tempo suficientemente longo, baseado apenas nas operações de um único investidor.

O efeito dessas operações de Nahas, durou por determinado período, até que o presidente da Bolsa após acordar com donos de corretoras, solicitou o fim desses créditos aos investidores e com isso, em junho de 1989, um cheque de US$ 30 milhões não foi honrado, ocasionando um efeito dominó para outras sete corretoras, que não pagaram o que deviam, no caso os créditos dados para Nahas (rs).

Naji culpa Eduardo Rocha de Azevedo, ex-presidente da Bolsa como o principal culpado pela quebra da Bolsa do Rio de Janeiro, porém o mesmo defendeu em sua biografia, que Nahas tinha posições bem acima do limite estipulado pela BM&F, que eram de 20% na época. O que aconteceu posteriormente é que a Bolsa do Rio, para onde Nahas foi obrigado a se transferir depois de divergências com a diretoria da Bolsa de São Paulo, nunca mais se recuperou e acabou com o tempo perdendo importância no mercado.

Sobre se era ou não culpado por algum crime contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei do Colarinho Branco), Nahas foi absolvido em 2007, pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que declarou a inexistência de qualquer crime dessa natureza por ele. Após a absolvição, Nagas entrou entrou com ação judicial contra a Bolsa do Rio – hoje propriedade da paulistana Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) – e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), pedindo indenização de R$10 bilhões por danos materiais.

 

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

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Twitter: eliseumanicaj

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