20200330 – Tônica da Semana: JÁ FIZEMOS MÍNIMA? O QUE ESTÁ NOS PREÇOS?

A Tônica
Tempo de leitura: 12 min
COTIDIANO NA QUARENTENA 

Os dias tem sido realmente intensos não é mesmo? Não sei vocês mas essa ideia de quarentena em casa sentado no sofá vendo Netflix ou entediado, sinceramente não se aplica a minha realidade! Diariamente sou bombardeado por uma centenas ou milhares de mensagens nos grupos de mercado que participo no whatsapp…fora isso um mar de notícias diversas…números de infectados, curvas de evolução, possíveis tratamentos para o corona, etc. Somando-se a isso o fazer home office numa casa com a minha linda pequena de 1 ano e meio…torna o trabalha muito prazeroso, mas ao mesmo tempo traz certos desafios….ps: não reparem a bagunça.

RELATÓRIO GRATUITO

Para quem não viu fizemos um relatório semana passada com várias listas de empresas negociando abaixo de valor de patrimônio e outras coisas super interessantes. Só acessar nesse link.

 

O QUE ESTÁ NOS PREÇOS DOS ATIVOS? 

Nesse turbilhão de emoções, novas experiências e adaptação, temos que parar e pensar…tentar manter a cabeça no lugar. Vejo muita gente impressionada com o que vem acontecendo…não é para menos, pois é sim uma situação atípica e totalmente fora da normalidade!

Mas para o investimento em bolsa cabe a pergunta: O que está e o que não está nos preços? 

  • É novidade que a economia e as empresas vão parar? Não. Então não se assuste com fotos de lojas e centros comerciais vazios.
  • É novidade que as empresas vão faturar menos e que o PIB seja do Brasil ou dos EUA vão ter um impacto? Pra mim não.
  • É novidade que nesse cenário de crescimento do vírus vejamos hospitais lotados? Para mim acredito que não.
  • É novidade que teremos aumento do desemprego? Não, já tivemos um spike no desemprego aqui nos EUA.

Por que comento isso? 

Porque não sendo estas novidades, essas notícias já estão nos preços dos ativos, em maior ou menor magnitude. Não por acaso o IBOV chegou a alcançar os 61 mil pontos acumulando uma queda de 48% da máxima a mínima. Isso significa dizer que os preços dos ativos da bolsa chegaram a valer 48% menos por conta desses fatores que comentei acima.

Mas tem mais um ponto que também já veio sendo colocado nos preços dos ativos essa semana:

  • A ajuda dos governos. Poderia dizer que esse foi o principal motivo da recuperação da bolsa nos últimos dias.

Da mínima ao patamar atual o IBOV subiu 19%. Apenas nos EUA foram US$ 2 trilhões, correspondente a quase 10% do PIB. Na Europa e no resto do mundo serão mais US$ 3 trilhões, ou seja, nunca tivemos tanto dinheiro despejado no mundo como no momento atual. Já no Brasil o incentivo deverá chegar a R$ 750 bilhões, que corresponde a 10,27% do PIB de 2019.

Sendo assim, a queda acumulada da máxima a até o ponto atual (segunda antes da abertura) é de 39%… esse é o preço de todas as notícias ruins e algumas boas que temos visto até agora…os ativos no Brasil estão 39% mais baratos…as empresas brasileiras valem 39% a menos…pense nisso.

 

O QUE NÃO ESTÁ NOS PREÇOS 

Mas a pergunta de $1 milhão é saber o que não está nos preços…será que a mínima desse movimento de queda foi os 61 mil pontos? Eliseu escreveu um artigo muito bom que comenta isso – acesse aqui.

Não há como saber, mas a meu ver o que não está nos preços:

  • Quanto tempo a economia ficara fechada. Trump acabou de estender a quarentena aqui nos EUA até dia 30 de abril. Isso deve pesar negativamente na segunda – notícia completa.
  • Quando será o pico dos casos e veremos os mesmos se reduzindo nos EUA e Brasil? Aqui me arrisco a dizer que já temos notícias de que seria agora em meados de abril … logo talvez isso já esteja sendo colocado nos preços. Abaixo gráfico da evolução recente (fonte:Santander Research). Vale uma ressalva que esses gráficos se desatualizam muito rapidamente, afinal no Brasil os casos estão dobrando a cada 3 dias.

  • O quanto o consumo será transformado ? Após tudo isso passar?
  • Será que vamos ter muitas empresas quebrando? Digo isso pensando no suporte que os governos correm em dar para a economia.
  • Será que a ajuda do governo será suficiente?
  • Será que uma vacina ou tratamento efetivos surgirão?

 

UMA TAL MARGEM DE SEGURANÇA

Eu nem ninguém tem a resposta para essas perguntas! Mas essas nuvens de incerteza criam o chamado PRÊMIO DE RISCO. Ou seja, um prêmio para quem ousar se expor agora em ações. Eu aprendi uma coisa simples nesses 16 anos de mercado: devemos sempre comprar ativos quanto maior for a margem de segurança e essa é inversamente proporcional aos preços dos ativos, ou seja, quanto menor os seus preços, maior tende a ser essa margem! Logo, com ativos 39% mais baratos do que estavam até pouco tempo atrás é inegável que a margem de segurança aumentou! 

P/VPA do IBOV. Atualmente o Ibovespa negocia a uma relação de 1.2x valor de patrimônio (P/VPA). Sabe quando ele bateu 1.3x? 2008! Sabe qual a média desse indicador? 1.6x, ou seja 33% acima.

P/L do IBOV. Esse gráfico da Eleven Financial elaborado pelo Carlos Dalzoto (@dalzoto) é um clássico! Estamos em 8.4x. Digamos que os lucros sejam revisados 20% para baixo…lembro que o mundo e as empresas não vão ficar fechados para sempre, e que nessa crise algumas empresas se beneficiam de um dólar mais alto (comento mais abaixo) … então os 30% me parecem ok não? Teríamos um denominador menor, correto? Sim. Jogando o múltiplo para algo como 10.5x , ainda abaixo da média. Se você acredita que o lucro cai 30% seria um P/L 12x…nenhuma barganha, mas a meu ver justificando o risco. Somente se você acredita que o lucro do ano de todas empresas do IBOV caia pelo 40%, aí sim, você não deve comprar ações, pois nesse caso elas ainda estariam caras negociando a 14x o múltiplo Preço/Lucro.

Imagem

 

Pra complementar a ideia, achei essa thread do twitter GENIAL! Por favor leiam!

 

Não sou grafista ou analista técnico, mas achei esse gráfico interessante. Ele usa um indicador técnico para medir o quanto o Ibovespa estaria sobrecomprado ou sobrevendido…mas mais que isso, ele traz uma visão histórica interessante, com eventos e seu reflexo no índice….tirem suas próprias conclusões.

 

 

Mas ok. Você não precisa acreditar em mim … acredite em grandes investidores! Não por acaso, temos visto grandes nomes comprando ações no mercado, conforme comentamos aqui nesse artigo da semana passada – o que os Grandes Investidores estão fazendo. Fora isso, nessa semana que passou tivemos notícia da Dynamo, uma das gestoras de fundos de ações mais antigas e respeitadas do Brasil (com R$ 11 bilhões sob gestão), aproveitando para ir às compras em meio a uma turbulência. Isso depois de terem levantado R$ 1 bilhão em nova captação em 24 horas!

 

“Temos comprado ações todos os dias”, disse a Dynamo, em comentários enviados por e-mail. “Não sabemos dizer se as ações vão cair mais ou não, mas os preços começam a chegar em patamares que julgamos bastante interessantes.” Ao longo das últimas semanas, a gestora ampliou a sua posição em Natura, Alpargatas, Localiza, Ultrapar e Vale. “Entendemos que são bons investimentos a médio prazo. São companhias capitalizadas e bem administradas, que nos permitem navegar quase que em qualquer cenário.” Para a Dynamo, os preços dos ativos não estão racionais e devem ficar assim por mais um tempo. “Temos convicção de que não vamos acertar o timing do bottom”, disse a gestora. “Mas os preços já estão ficando interessantes e no longo prazo algumas companhias devem sair até mais fortalecidas da crise.”

 

MAS O QUE COMPRAR? 

Te convido a ler o post da minha carteira….não estou aqui pra vender ou dar recomendações…apenas divido o que eu faço…seja bom ou ruim.

CARTEIRA WILL – 20200330

 

CÂMBIO: R$ 5 VIERAM PARA FICAR? 

Essa é uma boa pergunta. Ainda que eu gostasse de dizer que não, me faltam argumentos para justificar uma resposta negativa a essa pergunta. Brasil, assim como outros emergentes já estão sofrendo os impactos do corona – vide gráfico. Com a (i)  economia crescendo pouco ou não crescendo, (ii) juros baixos, (iii) um desarranjo fiscal temporário e (iv) brigas e troca de farpas entre políticos, fica difícil achar motivo que substancie o dólar voltar para os R$ 4.

 

Ainda que nosso bolsa sofra, nem todos se prejudicam…Setores como o Agribusiness (SLCE, AGRO, TESA) , as proteínas (JBSS, MRFG, BEEF e BRFS) e mineração (VALE) se beneficiam desse câmbio. Abaixo estudo do Santander que mostra o impacto levando em consideração o Resultado e o Balanço Patrimonial das empresas (ativos e dívidas). Ou seja, uma desvalorização do Real afeta positivamente alguns setores, como demonstrado abaixo. 

 

PRA ACABAR 

Você não vai acertar as mínimas….e eu não sei se não iremos atingir patamares ainda menores…casos no Brasil ainda estão em franca expansão e isso assusta muitos. Mas eu acredito fortemente que se você tiver estômago para as flutuações, esse é excelente momento para ignorar as notícias e ir montando sua carteira de ações, tanto no Brasil quanto nos EUA….isso é o que eu penso. 

 

MÚSICA

Estou em casa com minhas garotas…então o que tem tocado por aqui é essa música. Posso dizer uma coisa? Curti muito essa! Rs

 

Era isso.
Aquele Abs.

Twitter: @willcastroalves
Instagram: @willcastroalves
Linkedin: William Castro Alves

10 comments

  • Excelente will! parabéns pelo texto, importantíssimo para auxílio nas tomadas de decisões dos investimentos! abraços

  • Olá Will, bacana… respeito sua posição e otimismo, mas não concordo.

    Pra mim, últimas altas foi apenas um vôo de galinha gorda alegre!
    O fato se avistando, é o pico da pandemia em abril e maio, tanto aqui como nos EUA com previsões sombrias.
    E bolsas irão a nocaute sem dó, sem perdão. O poço não sei e não me arrisco, mas certamente ficará abaixo de 50k por aqui.

    Outro agravante pior ainda, mas factível. E se essa pandemia for uma nova “gripe espanhola” que durou 3 anos hein!
    Novos casos estão surgindo na China…
    Mas chega.
    Abs.

    • Bom dia, Cícero.

      Gostaria de saber de onde veio esse “target”: “abaixo de 50k por aqui”.

      Obrigado e abraços.

      • Olá Lucas,
        os 50k seria apenas um referencial numérico mas não fixo, o principal seria a ideia a linha conceitual de – viés baixista.
        Motivos que analiso e deduzo esta linha:

        – se for uma crise viral mundial prolongada semelhante a terrível gripe espanhola? Veja que a China ainda não se livrou da peste. Já ouvi dizer que o vírus está sofrendo mutações adaptativas!
        – epicentro do vírus indo para EUA como previsto, desestabilizando fortemente as estruturas sociais e econômicas refletindo na bolsa lá e aqui.
        – nossos políticos e dirigentes batendo cabeças como era de se esperar em plena pandemia.
        – Caso os três: Arábia, Rússia, EUA, não cheguem num acordo pra redução de suas produções de petróleo, uma guerra parece iminente no oriente médio visto que a cotação atual, está arrebentando com as já debilitadas economias dos outros integrantes da OPEP, inclusive os três citados.

        Bem, posso estar totalmente equivocado!
        Abs.

  • Retornando aqui agora, deu um tempo de uns dias do mercado e noticias que estavam me impactando mal, mas um bom filho a casa torna.

    Sigo acreditando que quem possa fazer seus aportes agora pensando a longo prazo, pode colher bons frutos. Pelo que sempre leio, são tempos difíceis que trazem as grandes oportunidades.

    Aee Will se arriscando no mundo POP. rs

  • Grande Will!
    Esse cara é fora de série. Simples e direto, numa linguagem acessível.
    Incrível o que aparece de mago que “tem certeza” do que vai acontecer… ‍♂️
    Eu acho prudente ter a carteira diversificada e estar preparado para diferentes cenários, claro respeitando o risco de cada cabeça.
    Nesse mercado doido eu tenho apenas uma certeza: leitura do bugg!
    Obrigado Will!
    Cuida das tuas meninas aí!
    Abs

  • Ninguém, absolutamente ninguém, sabe o que acontecerá com as empresas e com o mundo pós Coronavírus.
    A premissa mais falsa é que empresas não quebrarão pelo suporte dado pelos governos.
    A Boeing certamente não, mas quantas empresas pequenas e médias realmente terão acesso ao papel pintado pelos governos via BCs? Pouquíssimas, pois os bancos apertartarão o crédito. Como ficará o consumo?
    Empresas sem acesso ao crédito é que realmente respondem pela maior parte da renda!
    Toda dinheirama impressa pelos burocratas dos BCs, masters do universo, continuarão a inflar a coluna obrigaçōes dos too big to fail. Esse dinheiro fácil se transformará em bolhas de todos os níveis.
    CEOs continuarão a promover recompras a P/Ls indecentes, com dinheiro dos pagadores de impostos.
    Engraçado falar em longo prazo quando se remunera o CEO pelo resultado de 12 meses.
    De 2008 até agora foram 4.5 trilhões em buybacks nos EUA, a múltiplos indecentes.
    Agora que a casa caiu, mais trilhões em papel pintado, que se transformarão em mais buybacks, gordas remunerações anuais e mais obrigações futuras nós balanços.
    A cada tombo, mais injetam cachaça no bêbedo.
    O que eu sei:
    A Boeing investiu mais de 50 BI em recompras de ações, agora dizem querer 60 bi, mas não querem emitir ações, óbvio.! Pagaram caro, vender barato?
    Buybacks, esse foi o drive a partir de 2008, o resto é estorinha.
    O BOJ já é dono de mais de 30% da bolsa japonesa.
    O FED vai comprar toda a emissão de dívida do tesouro americano e mais de empresas privadas, mesmo junk bonds, ligando a impressora.
    Evitou na marra um colapso de crédito, inclusive de empresas AAA, comprando até ETFs em bolsa e qualquer produto opaco ligado a dívidas que ficaram sem funding.
    Os déficits soberanos e endividamento geral explodirão (mais!) e terão que ser pagos com lágrimas e/ou nflação.
    Se correr tudo bem, as bolhas inflarão e os CEOs somarão mais alguns trilhões em buybacks e bilhões em remuneração. CEOs pensam em longo prazo?
    Se tudo der errado, a pirâmide financeira explodirá e aí ninguém realmente sabe como ficará.
    Em qualquer cenário, qual empresa brasileira, fora alguns bancos e uma ou outra Brahma, vão se inserir no novo mundo?
    Temos uma Microsoft, Apple, Amazon, Google?
    Brasil fabrica, via de regra, commodities primárias e industriais.
    Ninguém está comprando pechinchas a 80.000 de Ibov..
    O resto é reza e auto ilusão.
    O mundo de hoje, em que um Deutsche Bank consegue chegar a ter 50 TRILHÕES em ativos, é muito mais complicado.
    Encurtem os prazos e fiquem muito líquidos.
    A soma de imprevisibilidade(prever vírus?) com endividamento explosivo MUNDIAL e dúvidas sobre a globalização não permite enxergar além do nariz a estes preços.
    Longo prazo não existe mais…

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