CARTEIRA #NOTBAD – ABRIL 2020

Carteira do Will
Tempo de leitura: 12 min

Para quem não conhece ou sabe, a carteira #Notbad é uma carteira teórica que posto sempre no primeiro dia útil do mês, comentando as performances e eventuais trocas. A ideia é mostrar que é simples investir em ações e com um portfólio enxuto de ações você pode se expor com um risco ok e qualidade. Para fins de computo de performance uso os preços de fechamento ainda que eu saiba que na vida real não é tão simples assim e os nossos preços de compra e venda sejam diferentes.

Para não ficar somente na teoria, eu compro todos os ativos que nela constam! Esse é meu compromisso com quem me segue! 

 

PERFORMANCE EM MARÇO  

Não há espaço para brincadeiras ou qualquer coisa do gênero. Performance foi horrível. Estou realmente chateado, pois como vocês sabem eu sigo essa carteira. Tem coisa nessa carteira que a meu ver não tem explicação racional … ativos perdendo 60% ou quase 50% de seu valor em 1 mês! Algo que só vi acontecer em 2008.

 

 

Botando em contexto, esse foi DISPARADO o pior mês dessa carteira em 34 meses em termos de performance absoluta (-36% no mês) e mesmo de forma relativa (ao IBOV)! 

 

 

O estrago foi tão grande que em 12 meses a performance do IBOV e dessa carteira se tornaram negativas. IBOV acumula queda de 25% e essa carteira 13%. Em 2020, a carteira perde para o índice…queda de 42% contra 38% do índice.

 

 

O QUE DIZER 

O que dizer nesse momento? Não há muito o que tentar justificar, ou achar explicações para essa ou aquela queda. Já vivi momentos assim em 2008 e em uma ou outra situação nesses 16 anos de mercado. Acredito que agora muitos tenham entendido o real significado de volatilidade e risco.

Como vocÊs sabem e acompanham, tenho meu dinheiro aplicado nisso! Vi o valor do meu patrimônio ser reduzido drasticamente nas últimas semanas. Isso mexe com o orgulho, condição mental, tranquilidade e paz de espírito de qualquer um. Mas quando paro e penso nas pessoas que me seguem e acompanham o Bugg, sinto uma força tremenda! Minha fé em Deus também ajuda nesse momento. “No mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo porque eu venci o mundo”.

Então, o que posso dizer? Não é fácil, mas sei que vai passar! Sei também que quem tem condições de comprar ações agora tem uma oportunidade ímpar! As assimetrias me parecem bizarras!

 

PENSANDO EM CARTEIRA

Pensei muito…conversei com pessoas que respeito e que tem um bom conhecimento e de mercado….uma coisa me parece clara: ninguém tem ideia do que pode acontecer, mas as assimetrias são enormes.

Nesse cenário de total incerteza e muita volatilidade achei por bem ampliar o número de ativos da carteira de forma a absorver um maior número de ativos e diversificar mais. Não entenda isso como falta de convicção nos ativos que se encontram na carteira, mas sim, como falta de convicção no que pode acontecer com a bolsa nesses próximos 30 dias. Por isso optei por adicionar mais ativos onde vejo assimetrias e de quebra ter uma carteira mais diversificada. A Carteira fica o seguinte:

 

RACIONAL…

BBAS3 para mim é hoje a maior assimetria da bolsa…disparado! Por qualquer métrica que você escolha. Na verdade o setor de bancos como um todo! Poderia ter BBDC, BRSR e até ABCB. Ativo negocia com ~25% de desconto sobre o valor de patrimônio – procure um gráfico historico disso e vc vai ver que as últimas vezes que o desconto chegou nesse nível foi a oportunidade de uma vida (#copieidaEmpiricus … rs). Dá para esperar um Yield de uns 9%. Vamos dizer que seu lucro caia 30% o que eu acho exagero…ainda assim o banco estaria negociando a 6x lucros! Na semana passada comentei sobre alguns comentários do management sobre o impacto da crise no banco –confere. Já via valor quando o papel estava R$50…a R$25 pra mim é no brainer! 

VALE3 e JBSS3. Ambos ativos vem performando bem comparativamente ao caos de outros ativos da bolsa. Não é por menos, são exportadoras que se beneficiam desse câmbio mais alto na veia! Fora isso JBS apresentou um bom resultado recentemente – comentei aqui – e está num setor de alimentos que sofre menos com todo o impacto que temos visto aí. Como se não bastasse isso, bem ou mal o papel cai 16% no ano e negocia a multiplos bem atrativos. Da mesma forma, VALE é a produtora de menor custo do mundo em minério, se beneficia de qualquer retomada ou investimentos em infra na China. Um detalhe importante, apesar dos pesares o minério cai apenas 3% no ano (link)! Então as 2 funcioanam como uma exposição a dólar e a players menos dependentes de Brasil.

Com isso tenho 3 empresas e 40% da carteira alocados em empresas que podemos chamar de blue chips. Penso que essas são as primeiras a subirem numa possível retomada.

LOGG3 e ALSO3. Assim como já vi acontecer em 2008, empresas com ativos reais, em especial imobiliários, passam a serem negociadas em bolsa a descontos muito grandes face valor dos seus ativos imobiliários. Estamos falando de imóveis! Tijolo! Algo concreto! Já tive a LOGG em carteira e a queda de 45% frente a máxima me fez retornar ao ativo. Estamos falando de uma boa e bem gerida empresa, que possui um valor de ativos imobiliários e de patrimônio líquido que é quase 2x o que a empresa vale em bolsa. Como se isso não bastasse, estamos falando de galpões, algo em franca necessidade no Brasil atualmente. A ALSO, por sua vez, é dona de um portfólio amplo de shoppings. Sim os shoppings estão fechados e isso é ruim para ela. Mas diferentemente do varejo, seu negócio é receber aluguéis dos lojistas. Sim ela terá de dar descontos, perder alguns lojistas, e sua receita devera cair. Mas shoppings operam com margens altas (margem de lucros de 70%, 80%, 90%…ela chegou a ter margem de 97% em 2018…em 2019 o número é “sujo” por efeito não recorrente…expurgando isso, ou olhando o FFO vocês verão que suas margens seguiram altas). Isso é importante pois o impacto de perda de receita na margem final é muito menos dolorido que em outros setores. Fora isso é uma empresa sem dívidas e que negocia a 0.96x valor de patrimônio, após a queda de mais de 50% das suas ações 30 dias!

2 Cases de análise relativa…

LIGT3. A Light sempre foi o patinho feio do setor de energia. Sempre teve dificuldades para combater as perdas não técnicas de energia (o famoso “gato”), tem dívida alta, sendo 26% em moeda estrangeira. Para cada motivo que vocÊ ache para comprar o ativo, é provavel que ache outros 3 dizendo o contrário. Mas vejamos…sua performance relativa (LIGT em laranja) versus IBOV (linha preta) e a média do setor elétrico (linha azul) parece já embutir muito disso. Ação caiu “só” o dobro da média do setor.

Experimente ver um gráfico mensal e você se surpreenderá em saber que ela está cerca de 10% da mínima de 2008! Hoje ela negocia a 60% de desconto sobre o valor de patrimônio e a ~6x EV/Ebitda. Ok Will mas e a empresa? A Light passou por uma série de mudanças desde que a nova diretoria tomou posse há 9 meses atrás. Fizeram um follow-on a R$ 18 poucos meses atrás e desinvestiram na Renova Energia; com isso reperfilaram dívida antecipando o pagamento de dívidas caras e emitindo debentures a custo mais acessível; BNDES desinvestiu na empresa, assim como a Cemig que reduziu participação; várias ações para combate de perdas … algo que se der certo seria algo explendido para empresa. Sei que o case é entruncado, mas por isso talvez tenha uma inflexão maior que outros ativos do setor.

CEAB3 é a empresa com maior desconto sobre o valor de patrimônio da ação (45%), tendo encerrado o ano com R$ 447 Milhões de caixa líquido. Me parece que se alguém tem condições e caixa para manter lojas fechadas, eles são um deles. Olhando o relativo fica claro ver como suas ações (linha azual) underperformaram o setor (linha rosa) e o IBOV (linha preta). 

O ano vai ser horroroso, então não faz nem sentido pensar em múltiplos de resultado como P/L e EV/Ebitda. Números da empresa não são os melhores do setor, mas nem os piores. Entendo que é uma aposta de alto risco, mas acho que o mercado exagerou aqui. 

E por fim os 2 cases mais complexos da carteira até agora…

COGN3 apresentou um resultado ruim essa semana que junto com a notícia do FIES fez pesar o setor e ela em especial. Breno escreveu um post explicando em detalhes sobre o resultado – veja o post.  Passei o olho em todos relatórios e comentários sobre o resultado. Todos sinceros em dizer que foram números ruins…todos com estimativas de valor justo bem acima do atual. Para Eleven Financial o papel vale R$ 7; para o JP R$10; Morgan Stanley R$ 10,50; Santander e UBS R$11,50; Citi R$ 12,50; Goldman R$ 12,6; e o BTG R$ 15. Bom me parece claro que o mercado exagerou e que existe uma bela margem de segurança ao comprar suas ações agora. Isso sem falar em múltiplos muito abaixo do seu histórico e da queda de 70% em 2 meses.

MYPK3 será afetada pela crise, não há como negar, afinal seu produtos são direcionados a industria automobilística a qual obviamente sofrerá os impactos do mundo que estacionou. Ainda assim, ela tem uma diversidade muito grande de clientes e regiões em que atua – sobre a receita: 33% Europa, 30% América do Norte, 27% América do Sul e 10% Ásia. Sim o mundo todo foi afetado pela crise, mas essa diversidade ajuda a atenuar seus efeitos – ela tem 32 plantas espalhadas pelo mundo. Fora isso traz receitas em dólar. Como uma das principais do setor, uma crise ajuda a varrer competidores menores e fortalece sua posição no cenário competitivo. Supondo uma contração de 50% no lucro do ano – algo que acho exagerado dado impacto de câmbio e considerando que o mundo não vai parar por meio ano – ela estaria negociando a 9x lucros e com desconto de 50% sobre o valor do seu patrimônio. Faz sentido?

 

E termino com a minha frase de sempre: EU SEMPRE POSSO ESTAR ERRADO! 

 

Era isso.
Aquele Abs.

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