Resultado Profarma (PFRM3) 1T20 – O remédio para sua carteira

Bolsas, Brasil, Empresas
Tempo de leitura: 15 min

Mais uma vez a companhia apresentou um resultado bom a meu ver. Inclusive, mesmo com toda essa pandemia, fechamento de algumas lojas por força maior e operando com um número extremamente menor no varejo quando comparado a outros players.

Eu comentei sobre o 4T19 e algumas medidas que a companhia já estava tomando em relação ao Covid! Para saber mais só clicar no link abaixo:

Resultado Profarma (PFRM3) 4T19 – Uma dose de turnaround que tem dado certo

 

Sem mais delongas, vamos para o que interessa!

 

ATACANDO O COVID-19

Vou começar outra vez abordando o que a companhia tem feito em relação aos impactos que o Covid-19 está trazendo. Foco principal nos colaboradores e na manutenção do abastecimento do mercado.

Logo no início, houve uma “corrida” para comprar alguns medicamentos ou vitaminas. Após a entrada em vigor do isolamento social, a companhia percebeu uma normalização na demanda e uma mudança de hábito do consumidor, dando preferência por entregas em domicílio.

Sendo assim, a empresa fortaleceu as alternativas de delivery da divisão de varejo (d1000) e rapidamente passaram de 44 lojas para 72 (um crescimento de 63% nas lojas que entregam), ampliando consideravelmente a área de atendimento. Vale ressaltar, que em abril, esse canal de entregas respondeu por 12% do total de vendas do varejo, cerca de 4x maior quando comparado com o mesmo período anterior.

A companhia também já estava preparada para a “pré-alta” nos preços de medicamentos, com um estoque maior (inclusive o maior da sua história). Essa alta geralmente ocorre no final de março e início de abril, porém, foi suspensa por 60 dias pela Medida Provisória 933/2020.

“Breno, esse estoque muito alto foi ruim, se não teve aumento certo?”

Não, porque a companhia teve um aumento de demanda por certos medicamentos, vitaminas e produtos de higiene. Só a Vitaminas teve alta de 200%!! Logo, esse estoque adicional foi de extrema importância para a companhia conseguir manter um nível de manutenção de produtos em um bom patamar.

Além disso, no começo de tudo, instalaram um software com AI (Inteligência Artificial) que cruza o horário dos seus (cliente) cupons fiscais e cruza também com o ponto eletrônico biométrico do pessoal da empresa, sugerindo uma melhore realocação. Além disso, somente as lojas do shopping foram fechadas por motivos de força maior e algumas do centro do Rio por conta da queda de pessoas transitando no lugar (isso dá em torno de uns 14% das lojas totais).

A companhia teve outras iniciativas também, no qual fica mais bem representado no quadro abaixo:

Fonte: Release Profarma 1T20

 

Por fim, acho válido comentar o que eu comentei no 4T19… mas que está bem recente. Foi parte do que eu conversei com a companhia e do que eu vi de outros comentários feitos pelo CEO e pelo CFO a 1 mês atrás.

Como tende ser a companhia pós Covid-19…

Esse momento pegou a companhia com o terreno já pronto. Tiveram um grande trabalho para fazer o turnaround do varejo e pegou eles em um momento em que 100% desse trabalho já estava para trás.

Já estão fazendo um terceiro mergulho na análise de cada uma das causas raízes do negócio. Do ponto de vista time ou organizacional, não poderia ter sido num momento melhor… começaram o ano muito bem e a melhoria operacional da distribuição continua forte e agora parece que é o momento do varejo.

Sobre linhas de créditos, já trabalham com linhas de créditos adicionais por conta do aumento de preço, nunca fizeram com linhas menores de 6 meses. Esse ano o aumento de preço, em tese, seria maior que no ano passado… que foi em torno de 2% e neste ano deveria ser em torno de 4%. Já estavam trabalhando isso antes e no decorrer do mês de abril, completaram mais algumas captações e parecem estar bem tranquilos. Em termo de competência, ciclo de caixa foi reduzido (foi reduzido no 4T19 e agora no 1T20) e quase que financiando totalmente o crescimento da companhia.

 

MELHORANDO A CADA TRI (DON’T STOP ME NOW)

Vamos para o que seria o quadro de destaques!

Fonte: Release Profarma 1T20

 

A companhia apresentou um recorde na receita bruta, encerrando o trimestre em R$ 1,6 bilhão e alta de 27,4% vs 1T19. Infelizmente, com uma margem menor, por conta de um CMV/CSP maior em comparação com o Lucro Bruto.

Recorde de EBITDA no trimestre e aqui eu vou ter que ser mais didático porque o que aparece no quadro e na própria DRE do release da companhia, está levando em consideração os efeitos do IFRS-16. Esses efeitos não me importam, pois, além de não serem reconhecidos pelas autoridades ficais brasileiras, a adoção desta norma não possui “efeito caixa”, é meramente contábil.

Então, o que me importa realmente, é o que aconteceu de verdade e não um ajuste contábil que acaba por favorecer o EBITDA e reduzir o lucro.

E por que isso acontece? Porque quando já que o IFRS-16 ajusta os aluguéis e arrendamentos das companhias, os aluguéis e propriedades comerciais (lojas e CD’s) da companhia são reclassificados de despesas operacionais para despesas de depreciação e despesas financeiras.

E como o EBITDA entra nisso? Bom, uma das formas de calcular o EBITDA é pegando o EBIT (Lucro Operacional) e somar com a depreciação e amortização. Vejam a tabela abaixo:

Fonte: ITR Profarma 1T20

 

Vamos recalcular o EBITDA para entender… se somarmos o Resultado Operacional Antes do Financeiro (que está com o retângulo vermelho) com a depreciação e amortização (também em vermelho) chegamos no resultado que a companhia reporta, os R$ 46,3 milhões de EBITDA no trimestre. Porém, esse é o IFRS-16 e como eu já comentei anteriormente, o que me importa foi o que realmente aconteceu…

Sendo assim, o melhor a se fazer para se ter um entendimento mais real da companhia é pegar os dados pré IFRS-16. No qual está em azul agora, somando eles chegamos ao EBITDA da companhia de fato, que foi de R$ 27,1 milhões no trimestre. Uma alta de 85,6% vs 1T19 quando comparamos no pré IFRS-16.

E esse resultado vem da melhora operacional da companhia, uma vez que olhando as outras linhas pré IFRS-16 e comparado com o trimestre anterior, não vemos muitas mudanças em relação a SG&A, que teve uma melhora nas despesas administrativas mas teve um leve aumento em marketing por conta do aumento de estoque e de mais vendas.

Por isso a companhia teve uma receita bruta muito maior que o trimestre anterior, além da boa gestão com custos e despesas, fez com que ela tivesse um resultado operacional muito melhor que o trimestre anterior. Receitas Financeiras e Despesas Financeiras, ficaram quase que na mesma, sem muita alteração relevante e parte de tributos também.

O que permitiu a companhia não só reverter prejuízo no trimestre, mas como gerar um bom lucro. O Lucro Líquido reportado de aproximadamente R$ 800 mil (IFRS-16), na verdade foi de R$ 2,2 milhões (Ex-IFRS16).

Passando agora para Fluxo de Caixa da companhia, acho válido comentar o que fez ela consumir tanto caixa operacional no trimestre.

Fonte: Release Profarma 1T20

 

Segundo a companhia, o consumo do fluxo de caixa operacional (FCO) se deu por conta dos aumentos de preços que já estavam previstos para acontecer no final de março e início de abril.

O aumento do contas a receber, foi por conta do pico de vendas que a empresa teve e muitas grandes varejistas compraram mais por conta pré alta. Logo, historicamente neste período eles tem um fluxo de caixa negativo por conta dessa pré alta (entende-se por sazonalidade).

Como você compra mais para ter mais estoque, você tem mais fornecedores. Quando eles fazem a pré alta, a Profarma toma linhas de créditos de curto prazo por que não tem sentido captar para 3 anos. Por isso, o Fluxo de Caixa de Financiamento (FCF) ficou positivo, porque teve uma captação de curto prazo para arcar com esse evento sazonal de aumento de preços.

A companhia comentou também, que é natural que nos próximos trimestres, aconteça um desinvestimento por conta da venda dos estoques e por uma melhora dos resultados, é de se esperar um fluxo de caixa positivo (como vinha acontecendo nos últimos trimestres, foram 3 trimestres consecutivos com FCO positivo).

Vale ressaltar que o clico de caixa houve uma melhora de 5 dias, representando uma redução de cerca de R$ 81 milhões na necessidade de capital de giro da companhia.

Por fim, vou comentar um pouco sobre o endividamento.

Fonte: Release Profarma 1T20

 

A dívida líquida aumentou um pouco, explicada pelo financiamento do estoque por conta do aumento de preços já esperado pela companhia no final de março. 62,3% dessa dívida era de curto prazo (uma boa parte entrou agora por conta do financiamento do estoque) e o restante de longo prazo.

A companhia comentou que a amortização está bem dividida entre os trimestres, abaixaram a relação Dívida Líquida/EBITDA em comparação ao trimestre passado e deve retornar para os patamares de 2,3x nos próximos trimestres. Não vejo a companhia tendo dificuldade de honrar suas obrigações, uma vez que o EBITDA (que seria como proxy para o fluxo de caixa operacional) tem crescido a cada trimestre.

 

MEU OUTLOOK PARA PFRM3

Vou comentar um pouco parecido com o que eu escrevi no 4T19…

A todos que me acompanham e leem as coisas que eu escrevo. Esse provavelmente é um dos cases mais complicados que eu já escrevi. Estamos falando de um case em final de turnaround, que a 7 anos não entrega resultados, teve 3 chamadas de aumento de capital nos últimos anos, está bem atrás dos demais players do setor quando olhamos para varejo.

Porém, todavia, contudo, eu vejo bastante valor no modelo distribuição/varejo. É um diferencial que as outras do setor não tem e quando tem é pouco. Estamos falando da 2º maior distribuidora do país. Além disso, pela primeira vez (e eu tive que esperar três trimestre para confirmar isso, não bastava um apenas) estamos realmente vendo acontecer uma melhora operacional constante.

A companhia conseguiu fazer o segmento de varejo crescer mesmo com lojas fechadas e mesmo com a mudança na dinâmica da demanda para seus produtos.

Fonte: Apresentação Profarma 1T20

Conseguir crescer em um segmento bastante competitivo e com um número bem menor frente aos players, foi algo interessante de se ver. Reforça a capacidade do time de estar buscando sempre melhorias na sua operação.

Inclusive, as lojas que foram fechadas por força maior, vários funcionários dessas lojas começaram a substituir funcionários de lojas abertas que tiveram de pedir atestado ou que tiveram de ficar em casa para cuidar de parentes. Além disso, enquanto algumas lojas estavam fechadas, a companhia não parou, mesmo com todas as adversidades de se trabalhar com o Covid-19. Sendo que 6 lojas de reformadas por conta de estarem fechadas em shoppings, 4 inaugurações, 2 ampliações.

Seu valuation? Continua atrativo na minha humilde opinião…

Olhando para o EV/EBITDA (Esperado para 2020) e o P/L, eu vejo um desconto muito atraente em relação aos principais players que negociam em bolsa. “Mas Breno, ela começou a entregar algum resultado agora, ela tem que negociar com um desconto!”. Concordo, mas acho o desconto bem grande… se a companhia realmente não estivesse entregando ou com perspectivas de piora, aí sim.

Mas vendo toda a melhora operacional, acho que ela tem condições de chegar a negociar acima de R$ 9,30 (faixa azul) na minha humilde opinião. Além disso, olhando para relação entre preço e valor patrimonial por ação (P/VPA), é possível perceber que ela tem um desconto bastante relevante em relação ao seu patrimônio. E a companhia tem muito imobilizado?

Fonte: ITR Profarma 4T19

Ela tem bastante imobilizado (são suas lojas, CD’s, benfeitorias e outros)! Assim sendo, 50% de desconto, é um desconto bem acentuado e para mim faz sentido ela negociar pelo menos em linha com o valor patrimonial.

 

Era isso, valeu!

 

 

Breno Bonani.

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2 comments

  • Muito Breno, excelente acredito no case e venho acompanhando também, excelente explanação do relatório, obrigado novamente, seu trabalho e muito importante 🙂

    Senti falta de uma legenda para algumas coisas, sou meio burrão rs

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