CARTEIRA #NOTBAD – AGOSTO 2020

Carteira do Will
Tempo de leitura: 14 min

Para quem não conhece ou sabe, a carteira #Notbad é uma carteira teórica que posto sempre no primeiro dia útil do mês, comentando as performances e eventuais trocas. A ideia é mostrar que é simples investir em ações e com um portfólio enxuto de ações você pode se expor com um risco ok e qualidade. Para fins de computo de performance uso os preços de fechamento ainda que eu saiba que na vida real não é tão simples assim e os nossos preços de compra e venda sejam diferentes. Para não ficar somente na teoria, eu compro todos os ativos que nela constam! Esse é meu compromisso com quem me segue! 

 

PERFORMANCE EM JULHO

Mais um mês se encerra e detesto ter que vir aqui dar más notícias. De verdade é algo que me incomoda e dói.

sad joseph gordon levitt GIF

 

Saibam que me cobro bastante. O fato de não usar alavancagem ou ter um approach bastante simples para investimentos me protege de certas coisas, mas também faz com que eu me cobre bastante no “arroz com feijão” que eu faço. Minha ideia é simples: ter um portfólio que gere dinheiro e que bata o benchmarking. Nesse mês ganhamos dinheiro, mas ficamos aquém do benchmark o IBOV. Me incomoda porque tenho uma carteira mais concentrada, é fundamental que quando a bolsa suba nós consigamos aproveitar isso, pois nos momentos de queda, uma carteira mais concentrada (7 ativos versus 70 do IBOV) fatalmente tende a sofrer mais.

Sobre o desempenho, é verdade que a queda de COGN3 na sexta- feira, afetou o desempenho…mas ainda assim, em minha opinião, a carteira não bateu o IBOV porque as 2 maiores posições não performaram bem – falo de BBAS3 e BRPR3.  ALSO3 é outro ativo que tem sofrido com um newsflow que não é positivo…um vírus que segue rondando e a percepção, a meu ver, equivocada do mercado, acerca da percepção de valor de certos ativos imobiliários. Enfim, esse foi o desempenho do mês

 

 

HISTORICO

Não sou daqueles que “tapa o sol com a peneira”… então de forma simples e direta: a performance no ano e em 12 meses tem deixado a desejar … simples assim!

Até aqui foram 6 meses superando o IBOV e 6 meses abaixo! Números esses abaixo da média histórica dessa carteira… olhando para os 38 meses de existência, foram 26 superando o índice e 12 abaixo e a seguinte performance acumulada:

 

Mas retorno passado não é garantia de retorno futuro, então sigo aqui a busca de retornos e uma carteira que se mostre vencedora no longo prazo.

CARTEIRA PARA AGOSTO

Sigo com uma postura de cautela e com a percepção de que existem certos exageros nesse mercado. Por isso não me senti confortável em reduzir o n;umero de ativos da carteira e concentra-la mais, tal qual tradicionalmente fazia – 5 ativos cada um com 20%. Optei na verdade por fazer um certo rebalanceamento e adicionar 2 ativos. A carteira fica assim:

 

Mantenho o core da carteira naquilo que acredito que apresente talvez as maiores assimetrias do mercado atualmente: Banco do Brasil (BBAS3) e BR Properties (BRPR3).  A primeira é ima posição antiga que carrego desde setembro do ano passado a um preço inclusive acima do atual de tela. Sigo vendo o banco como muito descontado e abaixo do seu real valor, mesmo considerando qualquer desconto por uma governança duvidosa dado seu cunho estatal. Negociando abaixo de valor de patrimônio e com um yield que é no mínimo o dobro da atual taxa de juros, vejo como non sense a posição nele e sigo posicionado. Sobre a segunda (BRPR3) também me chama atenção o enorme desconto sobre o valor dos seus ativos. É como se você estivesse comprando imóveis de primeira linha nos melhores pontos do Brasil com um belo desconto. Inclusive já leio coisas aqui nos EUA questionando a ideia do home office eterno. Então sigo achando que é uma questão de tempo para que certos exageros sejam corrigidos.

 

Aliansce (ALSO3) é outro ativo, de certa forma imobilário Shoppings) , que sofre uma conjuntura pouco favorável, mas no qual seus ativos não deixaram de ter uma boa qualidade. Já tive oportunidade de visitar seus shoppings em São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Vila Velha…a meu ver todos com uma qualidade muito boa. Ressalto o fato da empresa possuir R$ 1.5BI de caixa o que lhe fornece um bom colchão de liquidez para enfrentar esse momento adverso. Penso que o momento tem sido muitomais duro para empresas e shoppings de menor porte e que isso possa ser até positivo para as grandes empresas de bolsa tal qual a Aliansce. Veja que ela simplesmente abonou o aluguel de abril e deu desconto de 50% em maio. Se por um lado, no curto prazo soa ruim para a empresa, por outro ajuda-os a construir um melhor relacionamento com os lojistas e criar esse diferencial com outros shoppings de menor porte que não tem a mesma condição. Enfim, sigo vendo valor e por isso mantive.

 

Santos Brasil (STBP3). Ações já apresentaram uma alta desde que coloquei em carteira…noentanto, ainda vejo espaço de valorização. Primeiro porque entendo que ela está posicionada num setor estratégico, de crescimento e de extrema importância para o governo e sociedade. Segundo a empresa tem feito o seu dever de casa em manter o bom contato e relacionamento com seus clientes nesse momento duro da Covid. Fora isso eles cortaram custos, despesas e alguns investimentos não ssenciais o que deve preservar até R$ 120MM em recursos. Apesar disso, outros investimetos em automação e melhora da sua infra-estrutura tem sido feitos e devem gerar bons frutos no médio prazo. Curto prazo segue desafiador, mas a medida que o mundo vá se reabrindo (mesmo que aos poucos) ela tende a perceber melhora em seus resultados. Sigo achando que vale a pena ter em carteira.

 

Bradesco (BBDC4). Nessa terça-feira (04/08) o Breno irá publicar um post comentando seus resultados. Os números assustam com queda de 40% de lucro, mas não se deixe levar pelos highlights de jornal. O Bradesco segue sendo bastante lucrativo e uma alternativa de investimento bastante interessate. A decisão de reduzir sua exposição na carteira se deve ao fato de o ativo já ter tido uma performance interessante desde que entrou lá em maio desse ano. De lá para cá foram 17% em 3 meses. Isso tudo considerando o resultado mais fraco e as notícias constantes acerca das intenções do governo em taxar o setor…até por isso optei por reduzir marginalmente a exposição do setor de bancos na carteira.

 

Cogna (COGN3). Conforme já havia comentado nos últimos posts da carteira Will, me preocupa o “burburinho” e a “torcida” existente no papel. Muitos comentários em twitter e uma popularidade acima da média acompanhada de uma alavancagem elevada no ativo – o papel é um dos mais termados do mercado. Essas coisas me preocupam. Isso e a valorização do ativo me fizeram optar por reduzir seu peso na carteira. Por que não tirar? Porque realmente acho que o ativo vale mais de R$ 10 pelo menos.

 

Marcopolo (POMO4). Optei por adicionar ela na carteira mesmo sabendo que o momento não é dos melhores e não esperando bons números quando dda sua divulgação de resultados. Mas a meu ver, como eu tinha dito anteriormente, aos R$ 5 reais todos queriam, mas aos R$ 2,90 todos cospem na companhia (twittei isso esses dias). Será que as pessoas estão olhando para as mudanças que a companhia vem fazendo? Segundo James Bellini, presidente da Marcopolo, a companhia tratou-se de adaptar o mais rápido possível frente as mudanças por conta do isolamento social, e foi então que nasceu a Biosafe. Trata-se de um conjunto de soluções para ônibus que vão desde o interior redesenhado para permitir um maior distanciamento entre as poltronas, até uma descontaminação geral do veículo via sistemas UV do ar condicionado e sanitários. É engraçado como uma empresa gaúcha de 1949 e nada “tech” conseguiu se reinventar tão rápido. Essa nova configuração permite que os ônibus novos ou adaptados saiam com até 34 pessoas. Vale ressaltar que esse novo modelo até já rendeu algumas vendas, inclusive, no exterior. A companhia já fechou contratos com hotéis e vem recebendo diversas consultas. Logo, a Marcopolo não está só tentando te levar do ponto A até o ponto B, mas também, te hospedar. Antes da crise causada pelo Covid, Marcopolo vinha com altas expectativas para o ano de 2020, tinha bons contratos firmados e a possível retomada da economia poderia aquecer ainda mais os seus resultados. Porém, tudo isso acabou ficando para depois e hoje ela projeta uma queda de 30-35% na sua produção. Mas o Sr.James acredita que os cortes de custos somados à alta do dólar puxado pela exportações venha a ajudar a segurar o estrago causado pelo vírus. Hoje todas as plantas estão operando, inclusive na Argentina, que estava a um tempo parada por conta da situação econômica por lá. Mesmo com o mercado parado, a companhia fez algumas vendas. O mercado de ônibus urbanos está sucateado, a empresa estima que até 5mil unidades devem ser renovadas, isso tende a trazer muito folego para ela em 2021. Suas plantas estão rodando a 50% da capacidade, o que não é nada mal… existem outros setores onde a queda de capacidade foi maior. Lembram do programa “Caminho da Escola”? Pois é… como a companhia ganhou a licitação para fornecer ônibus escolares da Volare, suas fábricas não pararam. A Marcopolo tem que fornecer 4,8mil dos 6,2mil ônibus. Além disso, como em alguns países a crise não foi “tão forte”, as exportações não foram tão ruins (agora pensa isso com o câmbio que tivemos). Negociando 8x EV/EBITDA e 10x Lucros para 2021 vs um setor de 12x EV/EBITDA e 14x Lucros… não me parece uma pechincha, mas não me parece nem um pouco caro. Uma exposição quando ninguém quer, mas não tem muitos motivos para não querer, me parece algo sensato a se fazer rs.

 

Sanepar (SAPR11).  Entendo que a recente queda das ações (cerca de 8% desde as máximas atingidas recentemente) abriram uma oportunidade única de ter posição numa companhia que apresenta por característica ser resiliente em sua geração de caixa e resultados. Negociando a 8x lucros, com um ROE de 17% e com as questões do regulatórias do setor melhor definidas, penso que faça sentido ter ela em carteira. Acredito que o resultado do 2T a ser divulgado agora essa semana (07/08) pode ser uma boa oportunidade para perceber o valor do ativo e a qualidade da empresa em entregar bons números. Não obstante, a meu ver, ela é um ativo que casa bem com a minha atual percepção mais cautelosa sobre o mercado.

 

 

VÍDEO EXPLICATIVO DA CARTEIRA

 

Era isso.
Aquele Abs.

Twitter: @willcastroalves
Instagram: @willcastroalves
Linkedin: William Castro Alves

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradasde forma independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

4 comments

  • Will, você é demais cara! Toda vez que leio a carteira notbad, eu coloco a minha cabeça no lugar como investidor e empreendedor. Fantástico demais, sempre! Assim como você, continuo aguardando a recuperação de BBAS3 pelo desconto enorme no papel, BRPR3 adicionei recentemente na carteira com a mesma visão (Luiz Alvez da Versa Asset, também me iluminou muito sobre o valuation do papel) e pra fechar, COGN3 que também na minha visão vale pelo menos R$10,00.

    Muito obrigado, e que os novos projetos por aqui sejam tão bacanas como sempre.

Leave a Reply