Resultado Profarma/D1000 (PFRM3/DMVF3) 2T20 – Um trimestre define quem você é?

Brasil, Empresas
Tempo de leitura: 9 min

A reposta para a pergunta é depende. Depende de se o resultado realmente foi ruim por conta de pioras operacionais e incompetência da empresa. Será que este foi o caso? Não me pareceu, o resultado não foi bom, mas é apenas um trimestre. Mas vamos descobrir melhor o que aconteceu e ver se realmente houve uma piora nos fundamentos da tese de Profarma/d1000.

 

HEAVY STORM BUT LAND AHOY!

Com a chegada do Covid-19, não foi só a Profarma que sofreu, mas vários setores da nossa economia. Algumas mais, outros menos. E mesmo com todas as adversidades, a companhia continuou investindo e se adaptando.

Eu vou passar por distribuição e pela parte de varejo. Mas já adianto que distribuição continuou crescendo, ações preventivas fizeram com esse segmento continuasse a todo vapor. Profarma só não passou pela pré alta de medicamentos que acontece no final de março, como a melhoria de processos internos resultou em uma maior produtividade: com aumento da qualidade de entrega, redução do nível de inadimplência e aumento do número de clientes ativos. (Não satisfeito, abriram um novo CD na Bahia com 8mil m²).

A D1000 foi a mais impactada e por motivos que todos deveriam saber. 18% das suas lojas estão localizadas em shoppings e outra parcela considerável no centro do Rio de Janeiro, que teve uma queda expressiva no fluxo de pessoas. Eu fiquei realmente surpreso que no primeiro trimestre a companhia conseguiu crescer alguma coisa na parte de varejo e eles já operavam com lojas fechadas por conta de shoppings fechados e um fluxo muito menor de pessoas.

Com esse novo cenário, a companhia se adaptou rapidamente. Conseguiram renegociar os contratos de aluguéis, aplicaram a MP 936 para parte do seu corpo funcional e expandiram o atendimento delivery para 73 lojas. Além disso, mantiveram inalterado o cronograma para abertura de lojas, com duas inaugurações.

 

DESTAQUES FINANCEIROS

Fonte: Release 2T20 Profarma

 Tudo bem. Não foi bem um destaque como esperávamos. Entretanto, gostaria de chamar atenção para alguns pontos nos quais eu achei interessante.

Crescimento da Receita Bruta Consolidada (ex-venda da Intercompany) foi de 9,5% vs 2T19. Além disso, distribuição continuou crescendo a dois dígitos (+11,6%) com leve queda de margem bruta.

Fonte: Release 2T20 Profarma

Por conta de menos lojas operando, ela teve um custo de despesas administrativas e gerais (SG&A) menor, com queda de 4,8% vs 2T19. Seu EBITDA caiu pouco, teve queda de 4,3% e a Margem nem chegou a cair 1p.p. vs 2T19.

Porém, seu Lucro Líquido foi 474% menor que o 2T19 por conta de realmente ter tido um custo maior com as vendas de suas mercadorias mais o impacto do isolamento social em cima do seu negócio. Receita Bruta cresceu 9,5% mas o CMV (Custo de Mercadoria Vendida) aumentou em quase 14%, o que deixou ela com um Lucro Bruto pior que o 2T19.

Mesmo com uma despesa maior em marketing e em logística, ela segurou bem nas administrativas. Não foi o suficiente para melhor o resultado consolidado, mas ajudou. Além disso, parte de varejo sofreu também com o adiamento da pré alta que saiu de março como é anualmente para junho, devido ao Covid-19.

Ainda assim, varejo entregou um crescimento de Margem Bruta de 1,6%p.p. em relação ao 2T19. Isso demonstra que mesmo com queda na Receita, a companhia conseguiu aumentar um pouco sua vantagem competitiva e ter mais flexibilidade para precificar os seus produtos.

Alguém chegou a olhar Raia Drogasil (RADL3)? Seu resultado não foi bom também e olha que ela é a queridinha premium do setor. O motivo? Os mesmos impactos causados pelo Covid-19 e o isolamento social, já que ambas atuam no mesmo setor.

Fonte: Release 2T20 Raia Drogasil

 

MELHORA DO ENDIVIDAMENTO E PLANOS PARA O FUTURO

Fonte: Release 2T20 Profarma

 

O endividamento teve leve alta devido aos custos e necessidade de crédito a mais para passar pela crise. Porém, a relação dívida líquida reduziu consideravelmente em relação 2T19 e encerrou a 2,3x, um patamar bem confortável.

Além disso, o fluxo de caixa teve um incremento de R$ 49,8 milhões, tendo em vista que ela gerou um caixa de suas operações R$ 55,2 milhões. Ela consumiu R$ 11,1 milhões em investimentos, o que é bom, porque indica que ela continuou investindo e gerou R$ 5,7 milhões das suas atividades de financiamento. Logo, sua geração de caixa livre foi positiva em R$ 44,1 milhões.

Sobre os planos do futuro…

No dia 10 de agosto, realizamos o IPO (Initial Public Offering) da d1000 varejo farma. A unidade de negócio do Varejo do Grupo Profarma realizou a sua oferta primária de 23,5 milhões de ações ordinárias, e o valor de R$ 400,1 milhões de reais. Os recursos captados serão destinados à expansão de lojas, capital de giro e amortização da dívida.

As vendas de shoppings já estão começando a ter uma melhora. Em tese, o maior impacto aconteceu agora no 2T. O terceiro e quarto trimestre devem vim melhores se a tônica da reabertura continuar acontecendo.

Dos recursos levantados com o IPO, 50% deles são para quitar a dívida e a outra metade é para reforçar capital de giro e o plano de expansão. O plano continua com a tese de crescimento em cima do segmento popular via Tamoio, Rosário e Drogasmil.

Além disso, com esses recursos, ela tem condições de aumentar a relevância de marcas próprias. A companhia comentou em sua teleconferência que para os próximos trimestres deve se ter uma intensificação das aberturas de lojas.

Vale lembrar também que a D1000 é beneficiada pelo modelo misto da Profarma, já que ela tem a disposição mais de 10 CD`s para o seu negócio. Sem contar que a tese do setor é muito favorável, uma vez que a população brasileira está envelhecendo muito rápido (Sendo que no Rio de Janeiro, onde é o foco dela, a população está envelhecendo acima da média nacional).

Por se tratar de um setor essencial, durante vários anos o varejo farmacêutico cresceu acima do varejo e do PIB do país. Eu comentei sobre a D1000 recentemente e vou deixar abaixo também, caso queiram ter acesso ao meu racional completo para o case:

IPO D1000 – VALE A PENA SER SÓCIO??

 

MEU OUTLOOK PARA PFRM3 E DMVF3

Apesar das presepadas do trimestre, continuo com a cabeça leve em cima do case. Acho que ficou claro que o impacto se deu por conta do momento mais complexo e pelas restrições impostas pelo isolamento social.

A tese de investimento continua muito favorável para as companhias que tendem a se beneficiar de vários “triggers” para os próximos anos. Paralelamente, seus múltiplos se encontram bastantes descontados em relação aos pares do setor.

PFRM3:

DMVF3:

Acho certo que Profarma/D1000 negociem a um desconto frente ao setor, mas olhando esse desconto hoje, eu ainda considero muito exagerado pelas melhoras dos últimos 12 meses. Lembrando que a Profarma participa do plano de expansão e vai ter uma redução considerável no seu endividamento. Sendo assim, eu acho que Profarma deveria negociar na casa dos R$ 9,30 e D1000 a R$ 25,00.

 

 

Era isso, valeu!

 

Breno Bonani.

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