20201005 – Tônica da Semana: Eleições nos EUA, Covid, e o Brasil virou o patinho feio do mundo?

A Tônica
Tempo de leitura: 13 min

Sras e Srs hoje é meu aniversário…há alguns anos atrás na década de 80 eu vinha a esse mundo. Dias como o de hoje sempre te fazem pensar na vida….o Bugg é parte importante, ainda que seja um projeto paralelo ao meu trabalho. Dá trabalho, mas é algo que estimo muito: a ideia de legado e deixar algo de valor…fazer algo para ajudar as pessoas com o conhecimento que adquiri ao longo de alguns anos de estudo e vivência no mercado…e o mais legal é hoje poder contar com outras pessoas, como Eliseu, Breno e Jonas nesse projeto totalmente voluntário. Enfim, desfrutem!

 

ELEIÇÕES NOS EUA 

Começo pelo assunto do momento e que tem permeado o dia dia de mercado. Estou aqui nos EUA e o ambiente é de campanha. Você vê por aqui carreatas, posters, adesivos dos candidatos e outras representações de apoio e suporte ao seu candidato. Nas pesquisas Biden lidera – link para as últimas pesquisas por estado e nacional.

 

E na sexta, pós o conturbado debate, fomos surpreendido com a notícia de que Trump contraiu a Covid, algo certamente ruim para sua campanha dele… não por acaso em apenas 2 dias ele entrou e saiu do hospital, além de fazer alguns vídeos mostrando que está bem e se recuperando e tudo mais. Sem dúvida esse fator “eleições nos EUA” adicionam um componente de volatilidade e incerteza no curto prazo.

Mas deixe me expor o que penso a respeito: 

Penso que as pessoas e mídia tendem a polarizar as disputas…em criar cenários de 8 e 80 para justificar suas preferências políticas, ou mesmo para atrairem leads e leitores (no caso da mídia). As pessoas tendem a assumir promessas de campanha como verdades absolutas e inequívocas e colarem isso nos preços como se aquilo já fosse verdade. Pessoas superestimam as propostas dos candidatos a meu ver. Veja por exemplo o que se falava de Trump. Ele não construiu um muro para separar US e México, ele não destruiu a economia americana, ele não isolou os EUA, ele não rompeu totalmente com a China, ele não entrou em guerra efetiva com ninguém! Ele tambem não salvou a indústria americana, ele não resolveu o problema do déficit comercial com a China, ele não resolveu as deficiências de infra-estrutura dos EUA. Enfim argumentos dos 2 lados mostrando que “a vida real nõa é bem assm” … promessas de campanhas em sua grande maioria não se tornam realidade…logo elas não deveriam tirar teu sono nem definir tua carteira.

Pra corroborar essa ideia dá uma olhada nesses 2 gráficos….a ideia aqui é mostrar que ao menos nos EUA a política não tem todo esse poder e que independete do presidente as empresas continuaram a gerar retornos de longo prazo para os investidores. $10.000 investidos no início de cada ano eleitoral (fonte):

 

E a evolução dos mesmos $10.000 ao longo dos diferentes presidentes, sejam eles republicanos ou democratas.

O resumo ou recado nesse sentido é: foca em sua carteira que é algo que você controla. Foque nas empresas que você investe, independente de quem será o próximo inquilino da Casa Branca nos próximos 4 anos!

 

ECONOMIA POR AÍ…

A despeito de tudo que ouvimos, notícias, manchetes, comentários aqui e acolá… projeções e profecias econômicas… mais e mais receios com um avanço do corona a verdade é que a economia tem se recuperado! Gráfico abaixo pode parecer confuso, mas ele mostra uma única coisa: em maior ou menor medida, diferentes vertentes da economia vieram se recuperando ao longo dos últimos meses…voltando ao “normal” ou ao “novo normal”.

 

Nos EUA não tem sido diferente…façam o seguinte exercício: vai no Investing.com no calendário e selecionem para ver apenas os dados que foram divulgados a respeito da economia americana nos últimos dias … os mais importantes … eu fiz isso…da uma olhada nesse link. Grande parte dos indicadores tem surpreendido pela ponta positiva. Pra não ficar enfadonho, um resumo:

  • O PIB do segundo trimestre mostrou contração de 31,4% um número que assusta, mas que se mostrou melhor que o esperado pelo mercado -31.7%. Fonte.
  • A criação de empregos no setor privado surpreendeu positivamente. Foram criados 749 mil empregos no setor privado em setembro ante 650 mil esperados pelo mercado. A taxa de desemprego se reduziu de 8.4% para 7.9% e se mostrou melhor que os 8.2% esperados pelo mercado. Fonte.
  • A confiança do consumidor segue se recuperando saindo de 86.3 para 101.8 em setembro. Fonte.
  • Os dados do mercado imobiliário mostram que ele segue aquecido. Foram vendidas mais de 1 milhão de novas moradias em agosto, um recorde (fonte). As vendas de casas usadas e as vendas pendentes também têm demostrado força (fonte), assim como os pedidos por novas hipotecas seguem em patamares elevados quando comparados a outros anos (fonte).
  • O dado divulgado dia primeiro de outubro pela IHS Markit a respeito da atividade da indústria, mostrou uma nítida melhoria nas condições operacionais no setor manufatureiro americano – gráfico abaixo ajuda a ver isso. Um crescimento geral apoiado por uma expansão mais rápida da produção e um sólido aumento de novos pedidos. (Fonte)

 

Isso a meu ver é uma prova inegável de que aquela ideia de recuperação em “L” ou em “U” não passavam de pessimismo embalados de análise econômica! Se vamos ver um “W” eu não sei dizer, alguns falam num “K” com setores vencedores e outros que morrem, sendo por exemplo o setor de petróleo, varejo tradicional e bancos os modelos “mor” dessa teoria. Pode até ser, mas os economistas e o mercado sempre tendem a perpetuar o momento, como se “agora fosse diferente”, então sou sempre meio reticente em aceitar essas grande quebra de paradigmas, ainda que seja inegável que venham acontencendo.

 

CORONA FEZ PICO? 

Gostaria de poder afirmar que sim…mas não há como dizer. Mas olha o gráfico abaixo que compila os dados de corona no mundo mostra que apesar do crescimento do número de casos recentes talvez o pico já tenha acontecido…não sei se estou sendo muito torcedor, mas enfim.

 

E o gráfico do Bacen mostrando que o número de mortes também parece arrefecer…

 

No mais é seguir orando pela vacina – a meu ver essa é a única forma de afastarmos esse fantasma.

 

NO BRASIL 

No Brasil temos visto algo semelhante: uma recuperação da economia junto com um ruído político que atrapalha qualquer analise. Mas da economia veja esses 2 gráficos do BTG Pactual Digital mostrando melhora em diferentes vertenes da economia – algo que já tinha comentado aqui quase 1 mês atrás (confere).

 

 

E o PMI que mostra que somos o emergente que tem se recuperado de forma mais intensa!

 

Inclusive participo de alguns grupos de whatsapp e o pessoal andou fazendo umas pesquisas empiricas nos shoppings aí no Brasil…aparentemente muita coisa cheia…muita loja cheia. Pode parecer uma análise simplista, mas é no mínimo interessante.

Problema é que no Brasil o ruído político é tipo uma britadeira operando sem parar do ladinho do seu ouvido!

Britadeira Stock Photos, Royalty Free Britadeira Images | Depositphotos®

 

Problema do Brasil atual (ou melhor, o maior problema) é de cunho fiscal…endividamento alto em relação ao PIB concomitante a um resultado de contas públicas que não fecham e rodam em déficit – vide gráfico abaixo. Um orçamento engessado que te dá pouco espaço de manobra.

 

A reforma da previdência já atenuou isso, mas ai veio o corona e bagunçou bastante as coisas. O problema desse cenário de endividamento alto e défici é que o financiamento disso tende a ficar mais caro no longo prazo…você não consegu manter isso financiando dívida 2% de juro ao ano como a Selic atual. Fora isso toda e qualquer declaração que afete a percepção dos agentes de que não há um real comprometimento em ajustar isso gera um estresse que o resultado já sabemos…

Não por acaso a curva de juros de 10 anos veio subindo…Juros de 2%aa? Não é isso que a curva de longo prazo nos diz!

 

Essa escalada do juro longo que a meu ver trouxe impacto negativo. Bolsa é longo prazo e se os juros sobem lá na frente o investimento em renda variável fica menos atrativo. A lógica classica do juro pra cima bolsa pra baixos.  Olhando no relativo é ainda mais impressionante!

 

E o outro impacto óbvio é no câmbio…enquanto o dólar perdia força no mundo, ele seguiu se valorizando contra o Real (vide gráfico)…isso vale até final de agosto…aí, quando parecia que teríamos um ajuste, o dólar volta a sevalorizar no mundo e ainda mais contra o Real….

 

Deixamos de ser um canarinho e viramos o patinho feio do mundo.

sleepy duck GIF

Underperformance recente tem a ver com esse ruído que comentei acima…algo sério e que preocupa. No entando tem certas coisas que em termos de valuation ficam absurdas a meu ver. Minha carteira tem 35% alocada em bancos que me parecem deveras baratos – da uma olhada nesse gráfico do Bofa. 

  • Setor de properties, shoppings e até construção me parece ser bons para estudo e busca de oportunidades.
  • Saneamento, infra e elétricos são bons ativos para balancear carteira….oferecem bom yield e estabilidade de fluxo de caixa…e com a economia retomando demanda or energia aumenta.
  • As empresas industriais podem surpreender a muitos dado que os números do setor tem se mostrado bons.
  • Não tenho nada de varejo, mas penso que há espaço, especialmente vendo a recuperação em curso. 
  • Não tenho nada de frigorícos…me parece um trade crowdeado… que todo mundo tem ainda que de fato as empresas vem vendendo e faturando muito bem, além de oferecem um certo “hedge” pro dólar. 

 

Fico por aqui. chegou o café da manhã surpresa que minha mulher preparou para mim…sorry…me voy! 

 

Era isso.
Aquele Abs.

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