20201109 – PODCAST BOM DIA USA: Joe Biden como presidente: quais os impactos para o mercado?

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Tempo de leitura: 12 min

E para quem gosta de ler, aí está a transcrição do podcast. Esse é um podcast destinado aos clientes da Avenue. O texto aqui é apenas uma transcrição e Tais comentários não devem ser visto como qualquer tipo de recomendação de investimentos. 

 

Começamos de forma diferente hoje. Vou pedir licença aos ouvintes para quebrar um pouco a rotina do nosso podcast e estruturá-lo de uma forma diferente.

Joe Biden ganhou as eleições e se tornou o 46th presidente americano. Então a alguns comentários a respeito disso.

 

Trump pode atrapalhar?

Vitoria foi apertada e existem diversas acusações de fraudes por parte do ex presidente. Ainda assim, entendo que dificilmente ele conseguirá ir muito longe por 3 motivos: (i) ele perdeu em mais de um estado swing, logo teria que brigar em diferentes estados; (ii) o próprio partido republicano não parece muito disposto a entrar na briga junto; (iii) como sua relação com a mídia nunca foi das melhores, ele perde o apoio da chamada “opinião pública”, restando apenas seus aliados. Não há no país um órgão centralizado responsável por declarar a vitória dos candidatos. Tradicionalmente o perdedor reconhece a derrota e aí sim o oponente e a imprensa declaram o novo vencedor. Isso não aconteceu agora. De qualquer forma, Trump tem até o dia 8 de dezembro que data final para qualquer estado resolver qualquer controvérsia sobre contagem.

 

O que muda para os investidores brasileiros com Biden presidente?

Estruturalmente e para aqueles que tem o foco no médio e longo prazo, pouco muda. Basta olhar um histórico de diferentes presidentes americanos que você vai encontrar uma baixa ou nenhuma correlação do S&P com um presidente desse ou daquele partido. O que conta realmente é a capacidade das empresas se reinventarem, criarem novas soluções que gerem mais lucros e as permitem atravessar momentos adversos. A Coca-cola, o Macdonalds, Nike estão aí…já passaram por guerra fria, por crises econômicas e tudo mais. No final do dia o que conta é o respeito as instituições, a independência do FED, a divisão das casas – senado e congresso – e a solidez da maior economia do mundo. Logo, todo e qualquer investidor brasileiro deve ter uma parcela alocada no exterior, tal qual já fazem aqueles grandes investidores de maior poder aquisitivo, porque sabem que os EUA representam um mar de oportunidades que não pode ser ignorado. Mas é inegável que retira uma nuvem de incerteza, ou seja, a eleição foi definida…bola para frente.

 

Impactos econômicos:        

Em termos econômicos eu atribuo mais peso a definição de um arranjo de poder com democratas na casa branca e congresso, mas sendo contrabalanceados por um senado republicano. Ou seja, evita-se assim medidas mais extremas, as quais funcionam bem em campanha para capturar eleitores, mas que na prática não são tão simples assim de serem implementadas…por exemplo:

  • Taxação dos mais ricos, ou de grandes empresas…soa bonito em campanha esse discurso Robin-hood. Na prática quem tem mais recursos se utiliza de diferentes mecanismos para evitar o pagamento de taxas e no limite evade…no caso das empresas reduz a competitividade do país…vide o caso Irlanda.
  • Maior regulamentação e controle maior do governo sobre determinados setores. Parece bacana evitar certos exageros, oligopólios…mas na prática, novamente, o que acontece é que você aumenta a burocracia estatal, engessa o sistema o que reduz a competitividade das empresas no cenário global.
  • Perdoar dívida dos estudantes, aumento dos recursos enviados aos desempregados, ou as famílias. São algumas medidas com largo impacto fiscal.

A boa notícia aqui é que com o senado republicano, os planos mais ambiciosos nesse sentido acabam caindo por terra e isso foi bem recebido pelo mercado

  • A medida em que os democratas saem fortalecidos dessa eleição, abre-se caminho para um pacote de estímulos mais gordo para economia, o que também repercute bem no mercado.
  • Juros e Dólar. Injeção massiva de dinheiro na economia já vinha refletindo na curva de juros que vinha subindo, antevendo alguma inflação. Com o fiel da balança republicano, se reduziram as chances de um pacote mais agressivo e com isso os juros recuaram
  • Para o dólar em nível global, sim ele parece perder força com um crescimento menor dado um pacote menor de estímulos. Isso já foi visto semana passada. Questão é que contra o Real é sempre uma questão relativa onde pesa na balança o desempenho do Brasil enquanto economia. Então a meu ver o que pesa muito mais é a nossa capacidade de executar as reformas e voltar a crescer do que o Biden como presidente.

 

Big techs

Briga delas é com o departamento de justiça e não com a Casa Branca. Processos vão levar algum tempo. O que pode eventualmente acontecer é que resultados, descobertas ou definições podem dar capital político para mudança de leis que regem tais empresas. Fora isso a questão do potencial aumento de taxação é ruim, mas o impacto é geral.

 

Ele é mais vantajoso para os investidores brasileiros do que o Trump?

Primeiro movimento foi de dólar em queda o que ajuda ao investidor que se sentia um pouco desconfortável em internacionalizar parte dos seus investimentos por achar o dólar caro.

Dólar arrefecendo tende a reduzir o desconforto como uma potencial inflação, a qual teria que ser combatida com juros mais altos. Juros mais controlados acabam sendo bom para atividade e para atração de investimentos para bolsa.

O receio da postura do presidente Bolsonaro tende a se reduzir a medida em que o governo adotar uma postura mais pragmática, afinal, independente de quem está na Casa Branca os EUA são um importante parceiro comercial…os EUA é importante para o Brasil e empresas americanas também tem operação e interesses no mercado brasileiro.

 

A questão ambiental do Brasil pode se tornar um problema para o investimento externo no Brasil?

Biden tem planos audaciosos como garantir que os EUA alcancem uma economia de energia 100% limpa até 2035 e alcancem emissões líquidas de carbono a zero até 2050; ele fala também em voltar a aderir ao acordo de Paris sobre mudança climática e reunir líderes mundiais para tratar do assunto. Fala-se em investimentos federais de até $1.7 TRI em 10 anos. A tônica principal é uma mudança radical na agenda que havia  sido adotada por Trump.

Nesse sentido de fato mora o maio perigo de rusgas diplomática entre o novo governo americano e o Brasil.

 

A política externa do Biden, mais previsível, pode facilitar a vida dos investidores?

Biden tende a adotar uma agenda mais multilateral e menos conflituosa…vamos deixar de ter aquele reality show de política na qual um twitter no meio da noite pode chacoalhar os mercados no dia seguinte. Então sim, uma menor volatilidade é algo que facilita a vida do investidor. Mas se engana quem acha que ele vai “parar de brigar com a China”…na verdade assessores e até o Biden já deram discursos que reiteram a necessidade de se tomar medidas contra roubo de propriedade intelectual e algumas práticas comerciais chinesas por exemplo. Fora que esse tema “lutar contra alguns exageros na relação com China” tem apoio bipartidário e da população também, aqui nos EUA.

 

Daqui para frente:

Foco na equipe…nomes como secretário do tesouro, supervisão do setor financeiro, conselheiros da Casa Branca, etc.

 

E para não deixar passar…na sexta tivemos um dia mais morno com o mercado fazendo uma pausa após as fortes altas da semana e na expectativa da definição da eleição.

  • Dow: -0.24%
  • S&P: -0.03%
  • Nasdaq: +0.04%
  • Dolar: O dólar fechou em queda de 2,78%, cotado a R$ 5,3920, de olho nas crescentes perspectivas de uma presidência de Joe Biden. A cotação é a menor desde 18 de setembro. Com o recuo, passou a acumular queda de 6,03% no mês e na semana, embora ainda tenha alta de 34,47% no ano.

 

**HOJE**

Bolsas em alta agora pela manhã.

  • Ásia: O Japão, fechou +2,12%; Hong Kong, +1,18%; Coreia do Sul +1,27%; o índice Shanghai, da China, +1,86%.
  • Europa: O Eurostoxx tem alta de 1,39%; Alemanha, +1,72%; Reino Unido +1,37%; na França +1,45%; da Itália +1,74%.
  • Futuros: O S&P 500 Futuro +1,41%; o Nasdaq +1,8%; o Dow Jones +1,4%

Essa alta parece ignorar os dados alarmantes sobre o coronavírus. No dia 4, os Estados Unidos foram o primeiro país a ultrapassar a marca de 100 mil novos casos (com 107 mil). No dia 6, foram 132 mil casos. No dia 8, foram outros 101 mil casos, o maior número registrado no país em um domingo até o momento.

O mercado continua atento para os resultados dos votos para o Senado na Geórgia. Até o momento, democratas e republicanos estão empatados na contagem de número de senadores, cada um com 48 confirmados. O resultado da Geórgia deve ser determinante sobre se os republicanos manterão o domínio sobre o Senado, ou se os democratas tomarão a frente. Com a renúncia de um senador republicano em 2019, há duas eleições para senador no estado, sendo que em uma delas o candidato democrata leva vantagem e, na outra, um candidato republicano. Para assegurar a maioria, democratas precisariam vencer ambas. Devido à margem pequena de Biden sobre Trump, os votos serão recontados.

  • Agenda: –
  • Resultados: McDonalds, Canopy Growth e Plug &Power (antes da abertura); Occidental Petroleum, Simon Property Group, Beyond the Meat, Nikola e XP.

 

 

 

Era isso.
Aquele Abs.

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Disclaimer: O conteúdo deste podcast é apenas para fins informativos, não serve como recomendação de compra ou venda de qualquer título na Avenue ou em qualquer outra conta. Ele também não é uma oferta ou venda de um título. Também não são relatórios de pesquisa e não servem como base para qualquer decisão de investimento. Todos os investimentos envolvem riscos e o desempenho passado não garante resultados ou retornos futuros.

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