20201123 – Tônica da Semana: CAUTELA SIM…MEDO NÃO!

A Tônica
Tempo de leitura: 8 min
NADA MUDOU…

Bom dia a todos.

Pouco ou nada mudou na minha cabeça em relação a semana passada. Sigo com um pensamento que temos que ter muita cautela agora…

S&P nas máximas, bolsa brasileira também andou (ainda que não esteja nas máximas), eleições americanas a meu ver já são passado, voltamos a falar de pacote de estímulos, sazonalmente essa é uma época favorável para o mercado de ações (bolsa tradicionalmente sobe nos últimos meses do ano), já temos uma vacina para o corona…aparentemente todas as nuvens se dissiparam.

 

VEJAMOS…

Olhando para o mercado, o que vejo…Índice de volatilidade segue baixo (Vix)….

 

Índice Fear and Greed (medo e ganância) da CNN segue no terreno da ganância, outro sinal que indica que é melhor os investidores terem cautela – link.

 

Vimos um inflow muito grande para ações (link), tal qual comentei semana passada…

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E pesquisa recente da Merril Lynch mostra que o otimismo está elevado entre os investidores – link.

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RECEIO DO QUE NÃO SE VÊ…

O leitor pode comentar: Will, mas e o avanço do corona nos últimos dias…não te assusta?

Certamente é ruim no curto prazo…mas o meu amigo André Prates (@pratesr) resumiu bem no twitter:

 

…Aparentemente todas as nuvens se dissiparam….é aí que mora o perigo…quando só vemos motivos para ter uma postura mais otimista e tudo indica que você deve comprar…a experiência nos ensina a ter um pensamento contrarian quando o assunto é bolsa. Quando só vemos motivos para otimismo nos periódicos, aí que temos que ter cautela!

Ou talvez seja apenas eu…um gato escaldado com medo de água quente.

grumpy cat GIF

Semana passada comentei do fluxo massivo para ações, dos mais de 85% papéis do S&P negociando acima de suas médias móveis de 200 dias, do otimismo entre investidores de varejo e do aumento das vendas de ações pelos “insiders” (diretores, CEOs, CFOs, etc) – tônica ficou bem completa, confere.

Mas pra não ficar só em percepção deixa eu compartilhar um estudo que achei bem legal:

 

EARNINGS YIELD E VALUATION DAS TECHS

Li uma análise interessante de Dhaval Joshi, estrategista-chefe da BCA Research na Europa (link).

Ele compara o earnings yield das ações de tecnologia americana (em suma um indicador que pega o lucro por ação, dividido pelo preço da ação) e compara com o retorno dos títulos de dívida de longo prazo (10 anos) dos EUA – link. A lógica é aquela do custo de oportunidade: se o retorno do investimento em títulos americanos sobe, o investimento em renda variável (risco) diminui. Portanto, ao passo que as ações se valorizam, temos uma diminuição desse earnings yield, em outras palavras o investimento em renda variável fica menos atriativo; ou se a curva de juros dos títulos longos apontam para um patamar mais alto, também se torna menos interessante investir em ações.

O gráfico abaixo mostra essa diferença (“um menos o outro”) ao longo dos últimos 3 anos. Ou seja, quando a diferença aumenta, significa que o earnings yields das ações de tecnologia está alto suficiente que compensa o investimento em ações; quando essa diferença diminui, o risco passa a não compensar o investimento. O gráfico sugere que estamos perto de um ponto importante de definição.

 

Traduzo o que ele fala:

“Desde o início de 2018, uma alta nos rendimentos dos títulos americanos causou realizações no mercado de ações em 4 ocasiões: fevereiro de 2018, outubro de 2018, abril de 2019 e janeiro de 2020…Em todas as 4 ocasiões, quando essa diferença se reduziu até as mínimas de 2,25% tivemos um ponto de inflexão no mercado”.

No gráfico dá pra ver que o ponto de cautela/inflexão se dá nos 2.5%…ali as coisas começam a ficar mais perigosas digamos assim. Atualmente estamos em 2.8% segundo ele… logo, um aumento de 30 basis nos juros de 10y americanos ou um aumento de ~10% das techs nos levariam a essa região. Dito de outra forma, novas altas nas empresas de tecnologia ou um aumento dos rendimentos dos títulos americanos poderiam levar a realizações no mercado de ações. Isso porque o peso do setor de tecnologia no S&P é elevado, e porque o valuation dessas empresas também se encontra em patamares altos.

Ele compara ainda o valuation (nesse caso o simples Price/Earnings ratio) das empresas tech….da para ver que esse negócio “estica” e descorrelaciona preço e lucro…mas não por muito tempo…

 

CAUTELA É DIFERENTE DE MEDO 

Veja bem, cautela e medo são coisas diferentes…a principal diferença a meu ver é que o segundo, o medo, te leva a tomar atitudes desesperadas e impensadas. Apesar da minha percepção de cautela, não vou sair vendendo todas minhas poisções e me preparar para algum desastre…sair pelas redes sociais pregando o armagedon…rs

O mercado é amplo e cheio de oportunidades!  Basta ver que após a notícia de vacina tivemos diversas ações de setores que estavam lá combalidas e largadas que performaram muito bem! Abaixo o gráfico de performance antes e depois das vacinas anunciadas recentemente…em linha com aquela história de rotation…e em linha com o movimento de alta que vimos nos bancos na bolsa brasileira por exemplo

 

Fora isso as small caps ressurgiram aqui no mercado americano.

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E em relação ao Brasil, o que mais leio (com certo receio eu confesso) é um certo consenso de que está barato e atrativo. Credit Suisse elaborou um relatório de 222 páginas com suas predições para 2021 … em vários momentos eles comentam do Brasil como um dos seus Top Picks entre os emergentes. A forte queda do Real nos tornou baratos internacionalmente. Abaixo o gráfico de P/Lucro tirando Petro e Vale:

 

Eles tem um modelo super sofisticado que leva em conta um monte de fatores o qual estão resumidos aqui na tabela abaixo…em suma, o outcome é: Brasil medalha de ouro! 

 

 

Enfim….como disse, sigo cauteloso….sem mudar significativamente carteira…apenas preparado para as altas, mas também para as baixas…e vocês? 

 

 

Era isso.
Aquele Abs.

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