20201130 – Tônica da Semana: ELES ESTÃO DE VOLTA – PARTE II

A Tônica
Tempo de leitura: 21 min

BRASIL

(By Eliseu Mânica) 

Eles estão de volta – parte II

Hoje quem escreve a Tônica de hoje, sou eu, Eliseu Mânica Júnior e o meu amigo Breno Bonani. Começo por uma questão que já comentei em uma ou duas edições atrás, sobre o forte movimento de ingresso de capital estrangeiro que começou e permanece nesse mês de novembro.

Continuamos com um forte ingresso no mês de novembro e chegamos a US$ 30 bilhões que ingressaram nesse mês de novembro, sendo o melhor mês do ano:

Nota-se uma recuperação grande quanto ao fluxo de entrada de estrangeiros, em que chegamos a cerca de US$ 70 bilhões de saída na B3 e agora estamos com cerca de US$ 27 bilhões negativos contra os US$ 57 bilhões que estávamos em outubro…

 

Mesmo com esse surpreendente ingresso de capital estrangeiro em novembro no Brasil e com o Real subindo quase 8% no mês, sendo uma das moedas que mais se valoriza no globo, podemos ver que o Real contra outras moedas emergentes, como por exemplo, o Peso Mexicano, ainda está muito desvalorizado, o que é um dos fatores que vêm atraindo os investimentos estrangeiros no Brasil.

O fato é que com esse fluxo voltando ao Brasil, teremos um tradicional ingresso de capital para as ações de empresas com maior liquidez e posteriormente empresas de pequena capitalização, o que já vem acontecendo…

 

Já a Bovespa está negociando cerca de um desvio-padrão acima da média histórica de negociação. Lembro que temos os menores juros da história e que isso faz que com os múltiplos tenham uma elevação de forma natural, eis que o custo de capital é mais barato, além de outros somatórios….

 

Um fato negativo e que deve ser observado, é o débito mundial não considerando o setor financeiro que está cerca de 240% ou 2,4x o GDP (PIB) mundial.. Esse indicador é muito usado por Warren Buffett, junto com o regime de capitalização da bolsa americana e o PIB americano, cujo múltiplo também está acima da média….

 

Por estarmos próximos do final do ano, as previsões de crescimento da economia aumentam e o BNP Paribas, acredita que o Brasil é o País que menos sofrerá com a queda do PIB até o final do ano e que a China e Àsia, irão crescer fortemente….

Já a total recuperação para os empergente deve acontecer apenas em 2022, para a Àsia o primeiro trimestre de 2021, para a Europa no terceiro trmestre e mercados emergentes em geral entre o terceiro e quarto trimestres…

 

 

Na última edição da Tônica, comentei sobre os ativos que mais tinham me chamado atenção, tivemos uma disparada de grande parte desses ativos e seus respectivos preços, como Eternit, Petrorio, Vale e outras. Você conferir abaixo o que mais chamou-me atenção…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço mais a função de analista, mesmo já passando na prova anteriormente), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

 Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

 

 

 

 

 

 

 

Estados Unidos e mundo, com Breno Bonani

Breno faz um resumo do que vem acontecendo nos Estados Unidos e mundo..

Vacinas

 Recentemente a companhia Astrazeneca (AZN) começou a sofrer questionamentos em relação aos seus testes por vários especialistas americanos e inclusive até o chefe de operação Warp Speed da Casa Branca, Moncef Slaoui.

Eles argumentam que os testes foram feitos em grupos de menor risco, com menos de 55 anos e por isso, tinha apresentado uma eficácia de 90%. Diferente de outras empresas que testaram em pessoas com idade mais avançada e conseguiram um bom resultado.

O governo da Grã Bretanha já partiu para a defesa, com os ministros britânicos já defendendo e apoiando tanto a companhia como a parceria com a Universidade de Oxford para o desenvolvimento da vacina.

O ministro da Habitação, Robert Jenrick, se tornou o último de uma linha de comentários sobre a vacina, que demonstrou ter uma eficácia média de 70% na prevenção do vírus.

Segundo ele, “Não acho que haja motivo para preocupação indevida”. Ainda comentou que “Agora escrevemos ao órgão que avaliará de forma independente a veracidade e a segurança da vacina.”

A companhia respondeu destacando o acompanhamento do estudo por parte do Data Safety Monitoring Board (DSMB) externo e o fato de os dados divulgados na segunda-feira constituírem meros resultados intercalares e de que mais dados viriam.

Ela enfatizou que os “padrões mais elevados” foram usados ​​e que “análises adicionais serão conduzidas”.

Essa vacina em particular é vista como crucial para os mercados emergentes devido à sua relativa facilidade de fabricação e transporte e seu baixo custo em comparação com os concorrentes potenciais.

 

Novas máximas históricas

O índice Dow Jones renovou máximas históricas na última terça-feira, ultrapassando os 30mil pontos no seu fechamento. O índice repercutiu várias notícias positivas, como as possíveis vacinas com boa efetividade nos tratamentos, uma transição mais branda entre o presidente Trump e agora presidente eleito Joe Biden e uma possível forte recuperação econômica dos Estados Unidos em 2021.

 

Há algo de bonito para o mercado, quando índices atingem “big numbers” como esse. Mas esse feito não ficou só para o Dow Jones. O S&P500 também bateu recorde na terça, fechando a 3.635 pontos e o Russell 2000 (small caps), também não ficou de fora e bateu máxima histórica com 1.853 pontos.

Vale ressaltar, que nessa última sexta também, mais uma vez o S&P500 e a Nasdaq, bateram máximas históricas. Isso é bom, mas nós leva a seguinte reflexão.

 

Cautela nunca é demais 

Mesmo com o mercado batendo máximas históricos e a euforia tomando conta dos investidores. É sempre bom ter cautela nessas horas e prezar pela segurança do seu patrimônio.

Quando tudo está subindo sem parar e o mundo parece mil maravilhas, comece a colocar o pé no freio, pois nada é tão simples como parece. O mercado adora quando o otimismo toma conta e as ações parecem subir sem fim. Como também adora achar qualquer motivo para uma realização surpresa.

Abaixo, deixarei o índice Fear & Greed (medo e ganância) da CNN. São 7 indicadores de mercado que vão desde volatilidade a compra e venda de opções (derivativos) para entender o quão otimista segue o mercado ou quão pessimista ele está.

O indicador vai de 0 a 100, e como vocês podem ver, já está no 92 (indicando extrema ganância). Sendo assim, muita cautela nessas próximas semanas.

 

Alguns gráficos para ficar de olho

 Novos casos de hospitalização por Covid atingem máxima histórica no US.

Empregos em pequenos negócios voltam a se deteriorar.


Novas restrições na Europa, já jogaram vários países de volta para contrações. US continua se recuperando, mas até quando? Com esses novos casos aumentando e sem novos estímulos?

Mas Breno, os PMI`s foram bons… De fato, eles continuaram melhorando. Mas o ritmo do PMI de contrações começou a desacelerar, assim como o número de pedidos desemprego tem aumentado.

Mesmo com diversas companhias recebendo ajuda e mais empréstimos para tenta sobreviver a pandemia, muitas delas que receberam esses empréstimos, entraram com pedido de falência depois… 

 

Beleza pessoal, eu não quero ser o cavaleiro do apocalipse e nem nada. Entretanto, eu acho válido chamar a atenção para o outro lado também. Nada é tão simples como parece, os Estados Unidos estavam se recuperando, mas na base de muita injeção de liquidez e estímulos.

Agora, mais uma vez, as coisas começam a piorar porque a fonte parou de jorrar a água necessária. Logo, a gente chega na simples conclusão. Precisa-se de mais estímulos. Isso é bom? No curto prazo, sim. Isso provavelmente colocaria a economia americana de volta aos trilhos da recuperação.

Porém, no longo prazo, a gente sabe que o dinheiro não aparece simplesmente do nada. Vai ser via inflação? Eu não sei. Vai ser alguma anomalia na economia causada pela injeção de liquidez? Eu não sei. Crise de crédito? Eu não sei. Eu só sei que, final feliz depois disso tudo, é muito difícil de acontecer.

 

Todavia, bons ventos da política americana 

O presidente eleito Joe Biden, já fez algumas indicações para alguns cargos. O mais recente e relevante, foi a indicação da Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve (Banco Central Americano), para secretária do tesouro americano.

Ela ainda precisa ser confirmada pelo senado, que tem maioria opositora, mas caso aconteça, ela seria a primeira mulher a liderar esse departamento.

Porém, pode ser que o senado aprove essa indicação. Uma vez que não foi uma indicação tão política, mas sim, técnica. Seu mandato de quatro anos no comando do FED, marcado por uma melhora no mercado de trabalho e taxas de juros historicamente baixas, também pode aumentar suas chances de confirmação.

Ela tem caráter bipartidário, o que seria bom para tentar atender as duas casas do país sem muito estresse. Yellen é atualmente economista do Brookings Institute. Antes de se tornar presidente do FED, ela estava à frente do Banco da Reserva Federal de São Francisco e foi o 18º presidente do Conselho de Consultores Econômicos durante o governo Clinton.

 

Black Friday e Black Week 

A Black Friday parece desanimadora para algumas companhias, como lojas físicas de varejo e shoppings este ano, já que muitos clientes continuam fazendo suas compras online via site ou aplicativos.

Uma cena que muitos ficaram atentos, são as faltas de filas, estacionamentos vazios e mais funcionários nas lojas do que clientes. Até mesmo o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) aconselharam os consumidores a fazerem compras online na Black Friday, a usar a coleta na calçada.

Parece que os consumidores se adaptaram rapidamente e quem é mais forte no e-commerce tende a se beneficiar ainda mais do melhor trimestre para o varejo. Segundo a Adobe (ADBE), as compras via aplicativos ou “shoppings online” neste ano, irão crescer 55% no ano contra ano.

 

Além disso, hoje entramos em outro momento de boas promoções, que é a Cyber Monday. Segundo a pesquisa da Adobe ainda, é de se esperar que os fretes grátis se intensifiquem. É esperado que somente na Cyber Monday, as vendas ultrapassem $12 bilhões de dólares, o que indicaria um aumento de 35% no ano contra ano.

Para quem não sabe, a Cyber Monday é uma data famosa nos Estados Unidos que acontece sempre na segunda-feira após o dia de ação de graças e logo depois da Black Friday, no qual vários varejistas online fazem mais descontos para seus produtos.

Notem no gráfico abaixo, abriu-se um “gap” em relação as compras feitas por cartão de crédito/débito neste ano no online (linha vermelha) contra nas lojas físicas (linha azul):

 

Algumas companhias foram vistas vazias, como a Bed Beth and Beyond (BBBY), outras como Victoria Secret`s (LB) e Lululemon (LULU) já foram vistas com alguma movimentação melhor. Porém, quem parece ter se beneficiado muito foi o Walmart (WMT), Amazon (AMZN), Home Depot (HD), Etsy (ETSY), entre outras com foco no varejo online. Então, vale a pena dar uma estudada com carinho nessas varejistas com maior foco em vendas online.

 

Para concluir, o que ficar de olho na semana

Depois de uma semana de máximas históricas, é de se esperar um pouco mais de cautela do mercado. Provavelmente, os investidores continuaram de olho de como tem sido o andar desse período de promoções para as principais varejistas dos Estados Unidos.

Além disso, novembro foi um grande mês para a rotação do mercado, com investidores favorecendo ações que se beneficiariam de uma economia em recuperação e mostrando menos amor pelos favoritos de longa data entre grandes nomes da tecnologia e da internet. As ações de bancos subiram mais de 17% no mês passado, e as indústrias subiram quase 15%, com os investidores apostando que as vacinas ajudariam a economia a voltar ao normal no próximo ano.

Na próxima semana, deve-se voltar as conversas sobre um possível pacote de estímulos para continuar apoiando a economia americana. Vale a pena ficar de olho no relatório de emprego na sexta-feira. Assim como, os dados do PMI industrial, Pedidos de seguro desemprego e Vendas Pendentes de Casas. No mais, pé no chão, cabeça para frente e segura esse portfólio.

 

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