Balanço de final de ano, fim da Crise Covid e aumento de riqueza!

Bolsas, Brasil
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Balanço de final de ano, fim da Crise Covid e aumento de riqueza!

Com as bolsas mundiais atingindo novas máximas, tanto a bolsa americana que atingiu esse patamar antes até do que o Ibovespa, dado o peso maior em ações de tecnologia e empresas “fique em casa”, fica clara a recuperação das bolsas mundiais, mas qual o reflexo de tudo isso? Saímos de modo geral mais ricos que anteriormente e nossos bancos centrais e governos, mais pobres.

Nos Estados Unidos, a riqueza de modo geral do indivíduo, acabou aumentando, assim como a quantidade de ativos financeiros nas mãos desses indivíduos. Quanto aos ativos reais, casas e propriedades, também tivemos um crescimento e para surpresa de todos aqueles que pensavam que sairíamos mais pobres com o fim da crise, a média de débito dos indivíduos manteve-se estável, como podemos ver abaixo…

 

No Brasil, a dívida dos indivíduos manteve-se estável também e a dívida pessoa física dos bancos, em alguns casos diminuíram (muitos usaram o Corona Voucher para “arrumar a casa” e quitar dívidas ou renegociá-las). Mas no caso brasileiro, temos que aguardar até abril de 2021 para tirarmos uma conclusão, eis que tivemos a prorrogação, postergação dos pagamentos e é por volta do mês citado de 2021, que teremos um cenário mais claro do que aconteceu em relação às dívidas no Brasil.

Dívidas e pagamento da dívida federal

Outro ponto importante a salientar é a quantidade de juros de dívida quanto ao pagamento de juros como % do PIB, em que tivemos uma redução, fruto da redução de juros ao redor do globo e da distribuição de dinheiro para os indivíduos. No momento que escrevo esse texto, há mais uma previsão de incentivos por parte do Governo Americano, da ordem de US$ 900 bilhões. Abaixo, conseguimos ver a diminuição de quantidade de juros sob o ponto de vista do PIB americano…

 

Outro dado que pode ser visto conjuntamente ao gráfico de cima, é a quantidade de dívida pela quantidade de ativos que possuem os residentes nos Estados Unidos. Pego esses dados americanos como base, pois são dados mais completos e que são da (ainda!) maior economia do mundo. Lá em 2008, notamos que o percentual de dívida chegou perto dos 18% de alavancagem e que agora tivemos uma diminuição, chegando perto de níveis de 12%, níveis esses comparáveis com 1982…

Quanto à riqueza do cidadão americano, essa vem crescendo em uma tendência de 3,65% ao ano desde 1952, o que é acima do CPI (inflação americana), o que é positivo e que voltou a crescer em 2020, sendo da ordem dos US$ 130 trilhões de dólares…

E quem pagou a conta de tudo isso?

Bom, se tivemos um aumento de riqueza para os cidadãos, uma diminuição da alavancagem, quem pagou essa conta? Os Bancos Centrais mundiais e seus governos! Com a impressão massiva de dinheiro, tivemos um considerável aumento de dívida como percentual do PIB, no caso americano, chegando a mais de 100% do PIB em dívida. Isso ocorreu não apenas nos EUA, mas no mundo e uma hora isso pode preocupar novamente, temos que estar atentos sobre esses dados..

 

E o mercado de capitais mundial, americano e brasileiro?

Quanto ao mercado de capitais, tivemos a recuperação em termos de valor de mercado, onde o teto de US$ 92 trilhões tinha sido atingido no início de 2020, tivemos uma queda para US$ 62 trilhões, iniciando uma recuperação coincidente com os estímulos ofertados de US$ 18 trilhões ao redor do Globo e o mercado de ações linkando essa quantidade de grana injetada no mercado, acrescentando nos preços dos ativos a quantia de estímulos colocados no mercado pelos Bancos Centrais mundiais e consequentemente, com mais estímulos e começo da recuperação em V e uma demanda reprimida, a capitalização do mercado de ações mundial, atingiu US$ 100 trilhões em valor de mercado, um recorde histórico, como podemos ver abaixo…

A tendência de crescimento no mercado acionário americano manteve-se em 7% ao ano e a queda das cotações no Corona Vírus, pareceu quase pequena se olharmos em um quadro maior de longo prazo…

O gráfico das ações americanas e o pequeno efeito que representou a Crise Corona Vírus no longo prazo, nos remete ao que acontece depois das crises e as oportunidades que as mesmas nos trazem no longo prazo. Usando estudo da Nord Research, podemos ver como o Ibovespa se recupera no pós-crise tradicional..Teríamos em torno de 30-40% de alta potencial para os próximos 2 anos e pouco, o que não seria nada mal, se olharmos as estatísticas e o passado…

 

Em dólares, o Ibovespa ainda cai cerca de 20% no ano e é uma oportunidade para os estrangeiros que voltaram em novembro com R$ 33 bilhões e que em dezembro já estão com R$  9 bilhões de fluxo positivo. O Ibovespa em dólares, cai mais que a Argentina, Chile, México e EUA, como podemos ver em estudo do BTG, abaixo…

Além disso, como já salientado desde abril aqui nos artigos anteriores, as commodities estão em um peso interessante em dólares e de modo geral tem uma possibilidade grande de recuperação, o que ajudaria (além da queda em dólar do Ibovespa e da oportunidade) o Ibovespa a atingir novas máximas…

 

Por estar 15 anos no mercado e 13 anos de maneira profissional chega a ser engraçado como o comportamento dos investidores não muda. Um deles é a agressividade nas compras no mercado quando o mesmo recupera-se, como no momento atual, em que tivemos uma alta de 85% das mínimas de março, e a como a maioria “some” do mercado, quer vender seus investimentos em crise. Isso, felizmente, começou a mudar um pouco esse ano, acredito fruto de artigos como os que escrevo, procurando orientar os investidores de maneira franca e honesta, mostrando o que eu faço e como invisto meus investimentos, além de maior informação disponível no mercado, mais profissionais cobrindo empresas, mais criadores de conteúdo, o twitter, youtube, etc..

 

O que podemos tirar como aprendizado dessa Crise é que temos que estar no mercado sempre, que teremos cada vez mais volatilidade (que ao mesmo tempo nos dá mais possibilidade de investirmos em ativos bons e baratos, trará uma oscilação maior no curto prazo dos preços de nossos ativos) e que temos que ser agressivos em momentos de queda, pois no longo prazo, boas empresas, geradoras de caixa, com vantagem competitiva, tendem a recuperar o seu preço e andar próximo ao valor intrínseco que elas possuem, mesmo com desajustes exagerados de curto prazo nas cotações.

 

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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