A nova moda é… não ter lucro! – by Gui Zanin

Bolsas, Buggpedia
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A precificação atualmente do prêmio de risco dos ativos, dado que o juro (yield) atual neutro é negativo em diversos países, parece ter encontrado uma nova dinâmica e está desencadeando uma revolução no setor financeiro. O novo mundo das finanças trabalha com apetite tão elevado ao risco que um dos principais componentes na precificação de um ativo não é mais tão necessário… sim, o lucro saiu de moda!

A Triton Research fez recentemente um levantamento interessante sobre as empresas que captaram recursos em bolsa de valores e se tornaram os famosos “Unicórnio”. Neste material foi demonstrando o tamanho dos IPOs aos longo dos últimos anos, com destaques para Alibaba, Facebook, Tesla, Visa e recentemente Uber, além da dinâmica dos seus lucros. Em preto você visualiza as empresas que eram lucrativas antes mesmo de lançar suas ações na bolsa de valores e azul as empresas que não eram lucrativa antes do IPO.

 

 

A lucrativa de uma empresa tenderia a ser um fator fundamental dado que no momento de um IPO o valuation do ativo seria mais atrativos comparado a empresas não lucrativas e o underwritter poderia atrair mais investidores para a oferta. Obviamente que a conta não é tão simples e outras métricas como crescimento potencial são tão importantes quanto (talvez até mais hoje em dia), mas dado tudo mais constante, a lucrativa era um dos pilares básicos e diversas empresas tendiam a tentar dar um “boost”no balanço e nos lucros anteriores a abertura de capital.

Entretanto, note a nova dinâmica do mercado, onde hoje temos mais IPOs não lucrativos (unprofitable) que no passado e mesmo assim a performance deles é na média 27% superior ao benchmarks ao logo do seu primeiro mês de negociação.

Era razoável suporte que este novo cenário econômico até aumentasse a quantidade de IPOs de empresas não lucrativa, mas o que não era esperado é este retorno ainda positivo mesmo para ativos.

Obviamente que a amostra de um mês de retorno é menor que a necessária para uma análise completa, entretanto dado que o IPO deveria precificar o retorno potencial e mesmo que este esteja abaixo do esperado pelo mercado (algo raro pois o underwritter teria deixado dinheiro na mesa) a empresa ainda teria que mudar a sua dinâmica e começar a dar lucros, algo que não acontece do dia para a noite. Obviamente que o IPO das empresas não lucrativas busca exatamente fechar esta lacuna, nenhum guidance negativo foi visto (naturalmente!), porém mesmo assim o mercado ainda está agregando mais prêmio aos novos ativos do mercado, mesmo sem mudança significativa na sua estrutura de negócio.

Obviamente que esta nova dinâmica de arrecadação de dinheiro via mercado beneficia as novas empresas e o mercado financeiro em geral com novos players e comissões, entretanto pelo ponto de vista do investidor, fica a dúvida: será que o seu apetite de risco é tão grande? Ou será que ainda somos da moda antiga e preferimos números positivos no DRE?

Você pode até ser o segundo investidor, mas saiba que o seu leque de oportunidade está diminuindo e que principalmente o novo cenário de juros negativo não se importa mais com o lucro.

 

Guilherme Renato Rossler Zanin

Economista, Gestor de Recursos CGA- CVM, analista CNPI-T 2227 e Sie FINRA – Estrategista na Avenue Securities

Twitter @gui_zanin_
Instagram @gui_rossler

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One thought on “A nova moda é… não ter lucro! – by Gui Zanin

  • Realmente o mercado está meio diferente. Acho que ainda me mantenho no grupo que se importa com o lucro. Mas é importante observar sua análise. Obrigado!

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