Quanto podemos investir em bolsa?

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Quando falamos em investimentos, um dos bordões clássicos é que não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta. Qual a ideia por trás disso? Que devemos diversificar nossos investimentos. Uma diversificação bem feita permite diminuir o risco geral da nossa carteira de investimentos e potencializar a sua rentabilidade.

Existem diversas teorias sobre o assunto, cálculos que nos permitem chegar na alocação mais eficiente. No entanto, poucos estão dispostos a realizar uma série de cálculos estatísticos para, teoricamente, chegar na melhor carteira possível. Dá trabalho e o resultado não é garantido. Simular o quanto de renda fixa, renda variável e outros ativos devemos ter pode ser muito mais psicologia do que matemática.

O que a maioria das pessoas quer é ter mais rentabilidade e ponto. Na queda todo mundo é conservador e na alta todo mundo é arrojado.

Pensando em renda variável, o problema é que a vida real nos mostra que para 99,99…% das pessoas não é possível saber com certeza se a bolsa já caiu ou subiu o suficiente. Logo, é praticamente impossível estar fora da bolsa no exato momento antes da queda e dentro no instante do início da alta.

O que eu quero dizer com tudo isso?

A bolsa irá cair e quando acontecer teremos dinheiro investido. Triste, mas é isso.

Ao longo de pouco mais de 16 anos, a nossa bolsa apresentou quedas de mais de 15% em 16 ocasiões. Para verificar essa situação, utilizei o PIBB11, que é o ETF mais antigo negociado na bolsa brasileira. Esse ativo visa replicar o desempenho do IBRX-50, que por sua vez busca representar o desempenho da bolsa.

Usei o PIBB ao invés de um índice, como o Ibovespa ou o próprio IBRX-50, para replicar uma situação de investimento real, em que o indivíduo quer exposição à renda variável, mas não pretende escolher ações individuais.

A distribuição não é essa, mas 16 quedas um pouco mais fortes em pouco mais de 16 anos, é praticamente 1 queda por ano. Quedas próximas de 50% ou maiores, foram 2 (2008 e 2020).

E o que isso tem a ver com a pergunta do título?

Tudo.

Uma maneira de pensarmos o quanto podemos ter em bolsa não é focar na valorização potencial. Como eu mencionei antes, na alta é festa, todos querem o máximo possível. Por outro lado, se pensarmos na queda, que é dolorida, conseguimos iniciar um direcionamento de quanto podemos investir.

Por exemplo, pensando em renda variável como um investimento de longo prazo, podemos assumir que ao longo desse período veremos quedas próximas de 50%. O gráfico acima mostra isso. Partindo desse princípio, podemos nos questionar, “o quanto eu aceito de desvalorização do meu patrimônio total durante um determinado período?”

A resposta é difícil, pois olhando somente o passado tendemos a potencializar a nossa coragem. Mas para tornar a coisa real, podemos nos lembrar das manchetes e projeções de março de 2020. Quando a bolsa está despencando, parece que o mundo irá acabar, o noticiário é terrível, as projeções do mercado são diariamente corrigidas para baixo. Isso acaba nos influenciando negativamente.

Tentando imaginar e lembrar bem esse momento mais difícil, a resposta fica mais clara. Pensando na pergunta anterior, se a reposta for 20%, por exemplo, podemos estimar que a nossa alocação máxima em renda variável seria de 40% do nosso patrimônio (PL).

Como assim?

Se temos 40% em ações e elas caírem 50% durante determinado período, o impacto dessa queda será da metade do nosso PL que está nessa classe de ativos. Se a nossa tolerância de “perda” for de 10%, podemos ter 20% nesse cenário, e assim sucessivamente.

Enfim, não existe uma regra fechada para determinar o quanto aceitamos de risco ou oscilações na nossa carteira. A minha sugestão é: comece com menos do que gostaria e vá aumentando aos poucos. Esse exercício proposto ajuda a ter uma ideia melhor, mas o que determina a nossa tolerância, de verdade, é o quanto nosso estômago embrulha ou não numa queda.

O investimento tem que ser algo positivo, que agregue na nossa vida. Se investir virar sinônimo de ansiedade, noites mal dormidas ou qualquer outro desconforto, repense a estratégia, ajuste. Se os recursos estão alocados com o foco no longo prazo, temos tempo para ajustar a trajetória ao longo do caminho.

Carlos Muller

Economista, analista de investimentos CNPI e consultor de investimentos habilitado pela CVM.
Experiência de 14 anos de mercado entre as áreas de sell side e buy side.

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