Você segue o seu plano ou deixa o mercado fazer planos por você?

Bolsas, Empresas
Tempo de leitura: 9 min

Hoje a grande pergunta do mercado financeiro é: será que o mercado está caro? Os ativos estão sobrevalorizados? Tesla vale US $ 800 bilhões? O Bitcoin será uma nova reserva de valor mundialmente aceita?

São questões muito valiosas, sem dúvidas. Embora suas respostas nem sempre sejam fáceis de se construir. E no futuro, outras questões surgirão, e outras incertezas também. Bem-vindo ao mundo real!

Mas antes de buscarmos as respostas mais complexas, existe uma pergunta ainda mais valiosa, e que precisa de uma resposta constantemente: Qual é o seu Planejamento ?

Aproveito e já faço outra pergunta: qual é a companheira tema na sua estratégia ? Aliás, você possui uma ? Ou apenas segue o que dizem as notícias e os influenciadores digitais?

Nunca irei efetuar julgamentos caso você, investidor, já tenha caído nas armadilhas de um mercado eufórico (hoje) ou de um mercado em pânico (há apenas um ano atrás). Quem nunca? Não se culpe … Nem sempre é você! É o seu cérebro buscando atalhos para tomar decisões sem gastar tanta energia.

Recentemente, um modelo de mensuração de “pânico e euforia” dos mercados, da Citi Research (Modelo Pânico / Euphoria), causou bastante espanto por estar batendo patamares nunca antes vistos.

 

E agora? A festa está chegando ao fim ou está apenas começando? Mas será que isso importa mesmo quando você possui seu próprio Planejamento Financeiro e tem compreensão das Finanças Comportamentais ? Através desse artigo quero te apresentar um poucos sobre esses dois princípios fundamentais para o seu sucesso financeiro no Longo Prazo.

Meu nome é Ademir Gutierri, sou graduado em Economia, Planejador Financeiro CFP ® e um apaixonado pelas Finanças Comportamentais. Trabalho há mais de 12 anos no mercado financeiro, e atender aos clientes e famílias foi um verdadeiro estudo empírico sobre todos os temas que acabei de citar.

Há 11 anos atrás, meu trabalho de Conclusão na faculdade de Economia tratou justamente sobre a influência de um dos vieses comportamentais – o Efeito Disposição – nos gestores de fundos de investimentos.

Na época, pouco se falava em Finanças Comportamentais no Brasil. Tanto que todo meu estudo se baseou apenas em artigos norte-americanos e europeus, mercados onde o tema é levado com muito mais seriedade do que por aqui.

Indo direto ao ponto, a conclusão do meu estudo na época foi a comprovação de que os vieses e heurísticas comportamentais afetavam sim os gestores de fundos de investimentos , embora em menor escala.

Especificamente, foquei no Efeito Disposição, tendência que os investidores possuem para vender ativos vencedores e manter os ativos perdedores. Compartilho com vocês o gráfico de um estudo que serviço como base para meu estudo, realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de St. Gallen (*), na Suíça.

 

Agora, se até mesmo os profissionais de mercados, com anos de experiência, diversas formações e certificações, podem se deixar passar pelos “atalhos” que nosso cérebro buscar seguir intuitivamente, imagine então um investidor leigo, iniciante e empolgado com um Ibovespa batendo recordes históricos ?

O fato é que nossas decisões são afetadas por flutuações randômicas e muitos ruídos. E isso acaba nos levando a julgamentos inconsistentes.

Mas como os investidores podem reduzir os efeitos ruins e vieses?

Acredito muito na simplicidade . Como diria Leonardo Da Vinci: “A simplicidade é a máxima sofisticação” . Seguindo essa premissa, vou te apresentar hoje apenas 3 passos simples que irão, sem sombra de dúvidas, aumentar suas chances de ser bem sucedido nos investimentos e te libertar das armadilhas que o seu cérebro tentará criar para você todos os dias.

Essas é a metodologia que procuro aplicar para mim e para todos os meus clientes, sigo o conceito de Skin no Jogo , de Taleb em sua essência. São eles:

1 – Tenha o Seu Planejamento

Onde você está? Onde você quer chegar? Qual é o patrimônio que você quer atingir? Qual o valor que você precisa investir mensalmente. Qual é o seu perfil de tolerância ao risco? Se você não sabe as respostas para todas essas perguntas, então você não possui um Plano, um Planejamento Financeiro. Esse deve ser o pontapé antes de pensar em começar a investir!

2 – Invista todos os meses (e automatize esse processo!)

Não importa se você está achando que o mercado está “caro”, ou “barato”. Siga o primeiro passo e invista o valor que você se comprometeu a investir. Não tente adivinhar o melhor momento para fazê-lo. Quem vai te dizer onde investir não é a sua percepção, mas sim o próximo passo. E, se possível, automatize esse processo. Pague-se primeiro!

3 – Efetue o Rebalanceamento do seu Portfólio.

Se você está seguindo o primeiro e o segundo passo, o terceiro passo é uma execução final do seu Plano. Ao rebalancear sua carteira em direção à formação estipulada, você vai estar sempre “comprando o que está mais barato” e deixando de comprar o que está “caro”, conforme o seu Planejamento, onde você definiu seu Perfil de Risco e seu Horizonte de Investimento.

Abaixo segue um exemplo de como uma estratégia pode mudar, dependendo dessas duas variáveis:

Resumindo: o Passo 1 vai te dar Direção , o Passo 2 vai te dar Disciplina , e o Passo 3 vai te dar Equilíbrio .

Não vou mentir: são regras simples, mas não são fáceis. Nunca deixaremos de ter vieses, e os ruídos não deixarão de existir. Mas construir nosso próprio processo de investimentos é fundamental para que possamos superá-los!

E pra finalizar, trazendo para os investimentos um pouco de Estoicismo, uma filosofia que gosto muito: foque suas energias naquilo que você pode controlar (seu Planejamento), e esquecer aquelas que você não pode (adivinhar os rumos do mercado).

 

O mercado é como o mar: é lindo, pode nos dar muitas alegrias, porém é traiçoeiro. Ele vai querer te confundir e mexer com seus sentimentos: acabar com a sua esperança no pânico, e acabar com seu medo na euforia. Mas a bússula que nunca fará você perder nesse mar infinito é uma só: o SEU Planejamento e a SUA Estratégia.

Até a próxima!

Um forte abraço!

Ademir Gutierri
Instagram:  @ ademir.gutierri
Twitter:  GutierriAdemir

 

(*) Disposition Effect and Mutual Fund Performance (2011). Manuel Ammann, Alexander Ising e Stephan Kessler ∗ Universidade de St. Gallen

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