Temporada de resultados iniciando!

Bolsas, Brasil, Empresas
Tempo de leitura: 6 min

Surpreendeu positivamente? Compra! Desapontou? Vende!

Calma.

No último dia 27/01 começaram as divulgações de resultados das empresas brasileiras referentes ao quarto trimestre de 2020 (4T20) e do ano de 2020 fechado. Até o final de março seremos bombardeados com manchetes como essas abaixo.

 

“Ok, mas qual o problema disso?”

Na verdade, nenhum. Tudo depende de como iremos usar essas informações.

 

Como analista de investimentos considero esse período bastante interessante pois ele apresenta a oportunidade de verificarmos se as nossas premissas estavam corretas, se precisamos ajustar o rumo, se aquilo que a empresa havia sinalizado anteriormente ocorreu, como está o desempenho da economia, como que as outras pessoas estão avaliando a empresa.

Resumindo, é uma grande oportunidade de aprendermos ainda mais. Vejo que tanto para profissionais da área, como para investidores ou mesmo aspirantes, o aprendizado é contínuo. Se você considera que não tem mais o que aprender, cuidado.

Os releases de resultados e as teleconferências (ambos disponíveis para qualquer interessado) vão trazer de uma forma acessível um resumo do que aconteceu com a empresa ao longo dos últimos meses. Não podemos aceitar cegamente tudo que está escrito, pois sempre existe a possibilidade da companhia enfatizar aquilo que ela quer que a gente veja. Ainda assim, tendo um olhar de crítico e não de fã, podemos extrair informações muito importantes.

 

Para quem está iniciando nos investimentos, ou mesmo para quem já possui a sua carteira, conhecer com a maior profundidade possível aquilo em que colocamos nosso dinheiro é fundamental. Lembrando que ações são empresas. Conhecendo e entendendo como funciona a empresa, temos uma possibilidade maior de estimar para onde vai a ação.

“Tudo bem, mas o que as chamadas das notícias têm a ver com isso?”

Com o desempenho da companhia? Nada. Com a nossa tomada de decisão, muito.

Ao termos contato com a informação de que determinada ação teve uma alta ou queda expressiva, existe a possibilidade de acreditarmos que aquela empresa se tornou boa ou ruim. Desculpa, mas a coisa não funciona assim.

Se em função de uma variação pontual das chuvas a Vale produziu e vendeu menos minério de ferro, ela se tornou uma empresa ruim? O resultado dela naquele trimestre provavelmente será pior que o esperado, mas ela virou uma empresa pior? Pois é…

Então se o foco do seu investimento é no longo prazo, surpresas positivas ou negativas em UM trimestre não tornarão aquele investimento melhor ou pior.

Outro aspecto muito importante é que a variação do preço da ação no período não necessariamente possui relação com o resultado que foi divulgado. Se os números foram bons, mas o mercado como um todo está em um período de realização, há uma grande possibilidade da ação cair também, e isso não quer dizer que o mercado não gostou do desempenho da empresa.

Na decepção a lógica é a mesma. Se a bolsa como um todo estiver em um momento (ou mesmo um dia) de euforia, a queda “esperada” da ação poderá ser amenizada ou mesmo não ocorrer.

Então ao longo dos próximos 2 meses e um pouco veremos muito de “com resultados abaixo/acima do esperado, as ações da empresa __________ tiveram queda/alta de __% hoje, veja o que fazer com suas ações”. Não! Se você sabe porque investiu naquela empresa, não será um trimestre pontual que fará você necessariamente mudar de opinião.

Esse senso de urgência pode nos levar a tomar decisões que não teríamos em situações normais. A manchete chamou atenção? Leia a notícia, mas olhe também o resultado divulgado, acompanhe a opinião de profissionais, respire fundo, respire de novo e só aí, se necessário, faça uma escolha.

Se o investimento é de longo prazo, não é um dia, ou três meses, que mudarão tudo. Nos investimentos, ter calma pode ser a melhor decisão.

*Cielo fez a abertura da temporada, mas nessa semana que as coisas começam a se movimentar. Itaú (01/02), Bradesco (02/02) e Santander (03/02) trarão as boas novas (será?) sobre o setor de bancos. Vale a pena monitorar de perto os comunicados.

 


Carlos Muller

Economista, analista de investimentos CNPI e consultor de investimentos habilitado pela CVM. Experiência de 14 anos de mercado entre as áreas de sell side e buy side.

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