Juros Negativos… Insights sobre uma Nova Realidade

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Depois de entender você vai notar que não é tão louco quanto parece!

Estamos vivendo um mundo monetário estranho lá fora, depois de passarmos por um ciclo de onze anos de expansão econômica no mercado americano. Após um período tão longo, esperávamos algum tipo de fenômeno negativo na fase de final de ciclo.

E o que aconteceu? Você está certo: este ano 2020, os títulos de renda fixa de crédito privado com rendimento negativo atingiram um valor de mercado total de US $ 17 trilhões de dólares.

No momento, os títulos públicos negativos têm uma demanda tão alta que os rendimentos se tornaram negativos em boa parte do mundo; portanto, nestes países você deve pagar para manter seu dinheiro em ativos que são considerados seguros. Você está entregando seu dinheiro suado ao governo e também pagando para ele. Você não pode mais simplesmente ganhar juros estacionando seu dinheiro no banco; na verdade, pior para os cidadãos japoneses, por exemplo, que são cobrados apenas pelo depósito de seu dinheiro devido à política de taxa de juros negativa.

Para o investidor brasileiro parece uma ideia ridícula considerar um investimento com um rendimento negativo e todos têm razão em ficar curiosos e levanta a pergunta: quem diabos os está comprando?! E por que os juros no mundo não param de cair?

Veja os títulos públicos americanos… um dos poucos ainda no campo positivo

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E as respostas para as perguntas? Simples! Porque tem gente comprando mesmo nesse cenário atípico em finanças!

Quem está comprando assim são os bancos, fundos de pensões e governos em todo o mundo; instituições financeiras que são obrigadas a mantê-las por lei ou que iriam à falência sem elas. Os títulos públicos negativos são uma necessidade porque, simplesmente, não há lugar mais seguro para armazenar e transferir quantias substanciais de dinheiro no ambiente atual.

Investidores em todo o mundo estão tentando escapar da repressão financeira em curso imposta a eles pelos bancos centrais.

Em países como a Suíça, isso é evidente pelos títulos de 6 meses, com taxa de -0,94%. Imagine ser mandatado por lei como fundo de pensão para possuir um ativo que é uma perda garantida! Obviamente, não é o ideal, porém, é aqui que as coisas ficam interessantes. Há uma boa razão para você querer possuir títulos próximos ou até no campo negativo: os preços dos títulos disparam em períodos de repressão financeira; portanto, rendimentos negativos tornam-se irrelevantes.

O que é menos óbvio é a verdadeira intenção das empresas que compram títulos: elas acham que o principal subirá o suficiente para compensar cupons negativos. Por exemplo, se o mesmo fundo de pensão suíço decidir que só manterá títulos por um período de cinco meses, que se preocupa com o rendimento negativo de -0,94% quando o preço do título aumenta 5% (taxa caí ainda mais) e você pode vender antes de pagá-lo.

E no cenário atual isso é muito plausível! Com o Coronavirus prejudicando o crescimento da China, responsável por mais de 32% do crescimento mundial, podemos ver uma ação coordenada dos Banco Centrais para diminuir os juros nos EUA, assim como a China já anuncio que irá fazer. Veja as expectativas de queda dos juros nos EUA na próxima reunião (1h depois de publicado este artigo o FED já reduziu o juro… que tiro!):

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O fato de os preços dos títulos alemães estarem em alta ainda mais nas últimas semanas (juros caindo) – e a curva futura inteira já esta no campo negativo – prova que o rendimento em si é considerado obsoleto atualmente pelos participantes do mercado. Essa é uma “teoria dos tolos” ou, em poucas palavras, porque os investidores presumem que podem transferi-las para alguém disposto a pagar um preço mais alto.

No entanto, esse comportamento não é um consenso, já que existem investidores que pensam que os investidores estão comprando títulos dos EUA especificamente para receber o cupom mais alto. Na realidade, o mercado de títulos públicos vê um mundo em modo deflacionário enquanto está à beira do colapso econômico.

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O gráfico acima criado pela equipe de pesquisa do Deutsche Bank mostra como o gráfico de títulos do ISM Business Confidence Survey contra os Bonds americanos de 10 anos. Note que a confiança apresenta uma alta correlação com os títulos públicos dos EUA, mesmo em períodos em que a narrativa de “fuga para a segurança dos EUA” não está em jogo. Ele também revela que os títulos não estão mais sendo considerados um investimento estável e de longo prazo; ao contrário, eles são uma um meio de segurança neste período mais incertos da história monetária moderna.

Em uma década ou duas, não é uma ideia maluca pensar que alcançaremos a negatividade no mercado Brasileiros e de dois dígitos no mercado internacional: imagine ter uma LTN de 10 anos com uma YTM de -5,00%. Se os títulos negativos se tornarem uma tendência de longo prazo e todo o mercado permanecer fixo nos preços dos títulos, você se perguntará quão baixo os rendimentos podem realmente ser alcançados? E com base na atual ciclo econômico negativo, em consonância com um aumento extremo de liquidez que alimentado por estímulos dos bancos centrais, essas taxas poderiam ser muito menor do que o mercado pensa!

Um grande abraço,

– Guilherme Renato Rossler Zanin

Gestor de Recursos CVM – CGA e CNPI-T

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