Como saber se a Bolsa Americana está cara?! Pergunte pro Juro Real!

Bolsas, Brasil, Tônica do Dia
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Indicador de buffet muito se comentou essa semana sobre o chamado. Esse famoso indicador surge do resultado entre o valor de mercado de todas as ações negociadas ativamente na bolsa dos EUA (Wilshire 5000) dividido pelo PIB americano, trimestre a trimestre.

Ou seja, o objetivo desse índice é sentido se a relação entre o valor das empresas condiz com os resultados da “economia real”. O detalhe mais importante é que ele nunca esteve em patamar tão elevados, considerando uma base histórica de mais de 40 anos.

Mas afinal, isso significa que os preços das ações nos EUA estão elevados? Podemos ter uma forte correção nos preços logo mais?

A resposta é sim , mas provavelmente não tão cedo .

O fato é que, embora já tenha tido boa recuperação, a economia Norte-Americana – e também a Global – ainda está longe de voltar à sua normalidade.

O FED, Banco Central Americano, vem fazendo grandes esforços para injetar recursos na economia, com o objetivo de reaquecê-la. Comparativamente, os estímulos monetários foram obtidos inclusive de forma intensa do que na crise do Subprime, em 2008. Ou seja, a base monetária aumentada muito, mas essa liquidez não está refletindo na economia real.

Mas por que isso está acontecendo? Por que as medidas do FED não estão dando os resultados esperados? Por mais que nos dias de hoje os governos e bancos centrais de acesso a uma base imensa de dados para fazer análises e tomar decisões, ainda possuímos um fator central que está longe de ser uma ciência exata: os sentimentos humanos.

Não basta injetar dinheiro na economia, não basta fazer o dinheiro chegar à mão das pessoas. Depois disso ele precisa cumprir outra missão: ele precisa circular. E para circular, os agentes econômicos precisam tomar decisões de consumo, e precisar se sentir confiantes de fazê-las.

Embora tenha leve melhora, acontece que a confiança dos consumidores ainda está muito baixa, em termos globais.

E isso se reflete também nos dados referentes à poupança das famílias. Pegando o caso norte-americano, o índice de poupança ainda está muito alto em relação à sua média histórica. Ou seja: o americano ainda prefere se sentir seguro poupando seus dólares ao evitar de consumir. E muitas vezes preferindo injetar esses dólares no mercado financeiro.

Pois bem, mas se a economia dos EUA realmente ainda busca seus melhores dias, o que explica as máximas históricas do S&P 500?

Primeiramente é preciso dizer que nem todas os setores estão com resultados deprimidos. As Big Techs vão muito bem, obrigado. Recentemente, muitas delas divulgaram seus balanços e algumas com resultado acima do esperado! Ou seja, essas empresas seguem com um ritmo acelerado de crescimento.

É muito importante lembrar que, embora as economias não tenham sucesso ainda retomado seu crescimento pleno, os agentes reduzir alocar seus recursos necessários um melhor rendimento. E esse é o ponto-chave, como já comentei em outros artigos.

O juro real global nunca esteve tão baixo, então muito dinheiro precisou migrar para os ativos de maior risco, até mesmo por uma necessidade. É natural que os grandes (e também os pequenos) jogadores busquem rentabilizar seus recursos de forma mais eficiente, e a bolsa é um caminho mais simples. Inclusive, movimento semelhante vemos hoje no Brasil.

Na visão de muitos analistas, enquanto não houver uma inversão estrutural na curva de juros, os ativos seguirão se valorizando, afinal, o investidor não terá estímulos para alocar seu capital em papeis que reduzam seu poder no tempo.

E ao falarmos de juro real e poder de compra, não podemos deixar de falar da inflação. Ela é hoje o gatilho que pode acender um sinal de alerta. Estamos iniciando um ciclo de alta no preço das commodities ao redor do mundo, e consequentemente, isso impactará nos preços dos produtos.

Além disso, alguns dos indicadores que apontam para uma retomada na confiança começam a dar sinais de melhora, como por exemplo PMI, que mede o otimismo dos gestores de empresas com relação à economia.

Conforme a vacinação contra o Covid vai acelerando, a confiança das famílias também vai sendo retomada, e consequentemente o consumo aumenta.
Ainda temos uma boa parte da capacidade ociosa da economia dos EUA a ser reativada. Mas assim que essa ociosidade terminar, é possível que pressões inflacionárias possam surgir.
Penso que isso ainda pode demorar para acontecer, mas não podemos esquecer que após um rally tão longo, seria natural que houvesse alguma correção, tendo como background um ajuste de expectativas com relação aos juros globais.
Por isso é importante manter sua estratégia e seu gerenciamento de risco – tecla que sempre bato nessa coluna – e estar preparado para todos os cenários.
Não há problema em surfar a onda. O problema é achar que essa onda nunca irá terminar. E quando você nem ser der conta, pode estar areia comendo e deixando seu patrimônio à deriva.

Ademir Gutierri
Economista, Planejador Financeiro CFP® e Consultor de Investimentos habilitado pela CVM.
Há 13 anos e mais de 3200 pregões buscando a verdade dos mercados.

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